AREsp 2719683 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma específica e consistente, a inaplicabilidade dos óbices apontados pelo Tribunal de origem, notadamente a incidência do art. 4º da Lei 8.245/91 e das Súmulas 5 e 7/STJ, limitando-se a alegações genéricas que não afastam a necessidade de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PEDRO HENRIQUE LOUZEIRO MUARRAMUASSA; Agravada: KESIA GONSALVES HOROVITS; Agravado: HENRIQUE DANIEL HOROVITS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (art. 932, Iii, Cpc)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC.
- Legal Topics
- Contrato De Locação, Cláusula Penal Compensatória, Indenização Por Danos Morais, Admissibilidade De Recurso, Súmula 5/stj, Súmula 7/stj, Prequestionamento, Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PEDRO HENRIQUE LOUZEIRO MUARRAMUASSA
Agravante
KESIA GONSALVES HOROVITS
Agravada
HENRIQUE DANIEL HOROVITS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (art. 932, Iii, Cpc)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por incidência das Súmulas 5 e 7/STJ
- 2 aplicação do art. 4º da Lei n. 8.245/91 quanto à proporcionalidade da cláusula penal
- 3 exigência de fundamentação do acórdão (art. 489, §1º, IV, CPC)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma específica e consistente, a inaplicabilidade dos óbices apontados pelo Tribunal de origem, notadamente a incidência do art. 4º da Lei 8.245/91 e das Súmulas 5 e 7/STJ, limitando-se a alegações genéricas que não afastam a necessidade de revolvimento do contexto fático-probatório; decisão tomada nos termos do art. 932, III, do CPC.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC.
Orders
- Nego conhecimento ao agravo em recurso especial (art. 932, III, CPC).
- Majoro os honorários anteriormente fixados ao agravante em R$ 400,00 (quatrocentos reais), nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observada a eventual concessão da gratuidade de justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial, interposto por PEDRO HENRIQUE LOUZEIRO MUARRAMUASSA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em Recurso Especial interposto em: 26/5/2024. Concluso ao Gabinete em: 27/9/2024. Ação: de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos materiais e compensação por danos morais, ajuizada por KESIA GONSALVES HOROVITS e HENRIQUE DANIEL HOROVITS em desfavor do agravante e outro, em virtude de contrato de locação firmado entre as partes. Acórdão: deu parcial provimento à apelação interposta pelos agravados, nos termos das seguinte ementa: CIVIL. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. IMÓVEL RESIDENCIAL. RETOMADA DO IMÓVEL PELO LOCADOR. CLÁUSULA PENAL COMPENSATÓRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. DESISTÊNCIA DO LOCADOR QUANTO À RESCISÃO. QUEBRA DE CONFIANÇA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. MULTA DEVIDA. PROPORCIONAL AO PERÍODO DE CUMPRIMENTO DO CONTRATO. ABALO EXTRAPATRIMONIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE. 1. A jurisprudência é sedimentada no sentido de que a relação existente entre locador e locatário não se confunde com a relação havida entre a imobiliária e o locatário, de modo que o Código de Defesa do Consumidor não incide na primeira relação, ante a existência de legislação própria. 2. O princípio da boa-fé objetiva exige dos contratantes uma conduta mútua de lealdade e, consequentemente, impõe a observância de deveres anexos, a saber: informar ao outro contratante quanto ao conteúdo do negócio; confiança; cooperação; transparência; probidade; respeito. 3. A desistência do proprietário após ter comunicado aos locatários sobre a retomada do imóvel não é suficiente para afastar a multa compensatória contratual, à luz da disciplina dos arts. 408 a 416 do Código Civil c/c art. 4º da Lei 8.245/91 (Lei do Inquilinato), a fim de reparar o prejuízo sofrido pelo locatário em decorrência da desocupação do imóvel sem apresentar causa subjacente legítima. 4. A cláusula penal estipulada pelas partes deve ser calculada de forma proporcional ao período de cumprimento do contrato, consoante redação do art. 4º da Lei 8.245/91. 5. Afasta-se o pedido de indenização por danos morais quando não demonstrado o nexo de causalidade entre a conduta e os alegados prejuízos aos direitos da personalidade. 6. Recurso parcialmente provido. (e-STJ Fl. 580) Decisão de admissibilidade do TJ/DFT: inadmitiu o recurso especial do agravante em razão dos seguintes fundamentos: i) ausência de ofensa ao art. 489, § 1º, IV, do CPC; e ii) quanto ao art. 4º da Lei n. 8.245/91, considerando as peculiaridades citadas à e-STJ Fl. 627, incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. Agravo em recurso especial: nas razões do presente recurso, o agravante alega, em síntese, que: i) foram preenchidos todos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial; ii) houve prequestionamento da matéria alegada; iii) o acórdão não foi devidamente fundamentado acerca das razões que justificariam a aplicação proporcional da cláusula penal, restando configurada a ofensa ao art. 489 do CPC; iv) não há incidência da Súmula 7/STJ à espécie, não havendo pretensão quanto ao reexame do conjunto fático-probatório dos autos; e v) houve efetiva vulneração aos arts. 489, § 1º, IV, do CPC e 4º da Lei n. 8.245/91, reprisando-se, assim, as considerações de mérito. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. Ao analisar o agravo em recurso especial interposto, verifica-se que o agravante não demonstrou, de maneira consistente, a inaplicabilidade dos seguintes óbices: i) quanto ao art. 4º da Lei n. 8.245/91, considerando as peculiaridades citadas à e-STJ Fl. 627, incidência das Súmulas 5 e 7/STJ. Nesse passo, o agravante limitou-se a tecer alegações meramente genéricas quanto à ausência de pretensão do reexame fático dos autos, deixando de refutar a incidência da Súmula 5/STJ e, inclusive, da Súmula 7/STJ, especificamente quanto ao dispositivo e particularidades expressamente consideradas, furtando-se em demonstrar o efetivo desacerto da decisão. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que, inadmitido o recurso especial pela incidência do enunciado n. 7/STJ, incumbe à parte interessada demonstrar, de forma específica e consistente, a desnecessidade de revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.189.780/SP, Terceira Turma, DJe de 31/3/2023; AgInt no AREsp n. 2.199.998/SP, Quarta Turma, DJe de 10/3/2023; AgInt no AREsp n. 2.144.317/RS, Quarta Turma, DJe de 16/2/2023. Frise-se ainda que, quanto à Súmula 7/STJ, não basta a mera alegação de que a hipótese prescinde de reexame de provas, alegando a parte agravante genericamente ser a questão de direito ou requerer a revaloração ou a correta aplicação da legislação que entende violada. Com efeito, para que o recurso especial seja analisado por esta Corte Superior, o recorrente deve refutar todos os fundamentos que levaram à inadmissão pelo Tribunal de origem. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.292.265/SP, 3ª Turma, DJe de 18/8/2023, e AgInt no AREsp 2.335.547/SP, 4ª Turma, DJe de 11/10/2023. Forte nessas razões, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente ao agravante em R$ 400,00 (quatrocentos reais), observada a eventual con cessão da gratuidade de justiça. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA