AREsp 1624133 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ: o termo inicial da prescrição em contrato de mútuo imobiliário é a data de vencimento da última parcela e, no caso concreto, a prescrição foi interrompida pela propositura de ação revisional, afastando a...
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- Parties
- Mutuário/autor Da Ação Revisional: Marino Raimundo Santarosa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Contrato De Mútuo Imobiliário, Prescrição, Termo Inicial Da Prescrição, Ação Revisional, Embargos De Declaração, Vencimento Antecipado
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Parties
Marino Raimundo Santarosa
Mutuário/autor Da Ação Revisional
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial
Legal Issues
- 1 termo inicial da prescrição em contrato de mútuo imobiliário
- 2 interrupção da prescrição pela propositura de ação revisional
- 3 aplicação do prazo prescricional de 5 anos do art. 206, § 5º, I, do Código Civil
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ: o termo inicial da prescrição em contrato de mútuo imobiliário é a data de vencimento da última parcela e, no caso concreto, a prescrição foi interrompida pela propositura de ação revisional, afastando a prescrição.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majorar em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, ficando suspensa a exigibilidade em caso de assistência judiciária gratuita.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdãos assim ementados: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DO VENCIMENTO. O início da fluência do prazo prescricional em contrato de mútuo imobiliário se dá com o termo indicado no contrato, ou seja, no dia do vencimento da última parcela, conforme entendimento pacífico do STJ. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. OCORRÊNCIA. 1. São cabíveis embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material, consoante dispõe o artigo 1022 do Código de Processo Civil. 2. Reconhecida a inexistência de previsão contratual de prorrogação do contrato. 3. Interrompida a prescrição do direito creditício em virtude do ajuizamento de ação revisional pelo mutuário. 4. Embargos acolhidos para agregar fundamentos ao julgado, sem modificação do resultado. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões de recurso especial, a parte ora agravante alega violação dos artigos 189, 192, 197 e 206, § 5º, I, do Código Civil e 786 do Código de Processo Civil, além de divergência jurisprudencial, pugnando pelo reconhecimento da prescrição. Não merece reforma a decisão agravada. Com efeito, anoto que a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que "O vencimento antecipado do contrato de financiamento imobiliário por inadimplemento do devedor não altera o termo inicial da prescrição, ficando mantida a data estipulada no contrato" (AgInt no AREsp n. 1.947.468/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 28/3/2022, DJe de 30/3/2022.). No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. 1. NULIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. NÃO OCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO. SÚMULA N. 7/STJ. 2. AUSÊNCIA DE OFENSA AO ART. 489 DO CPC/2015. 3. VENCIMENTO ANTECIPADO DA OBRIGAÇÃO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. NÃO ALTERAÇÃO. DATA DE VENCIMENTO DA ÚLTIMA PARCELA. SÚMULA N. 83/STJ. 4. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Reverter a conclusão do Tribunal local para acolher a pretensão recursal, quanto à suposta nulidade do título executivo, demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado em virtude da natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Não há falar em violação ao art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 quando a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido diverso à pretensão dos agravantes. 3. O vencimento antecipado não altera o termo inicial do prazo de prescrição para a cobrança de dívida fundada em contrato de financiamento imobiliário. Precedentes. Súmula n. 83/STJ. 4. Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.022.942/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 5/10/2022.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL E EMBARGOS À EXECUÇÃO HIPOTECÁRIA. CONTRATO DE MÚTUO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DATA DA ÚLTIMA PARCELA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA AFASTAR A PRESCRIÇÃO. 1. O parcelamento do saldo devedor nos contratos de financiamento imobiliário não configura relação de trato sucessivo, pois não se trata de prestações decorrentes de obrigações periódicas e autônomas, que se renovam mês a mês, mas de parcelas de uma única obrigação, qual seja, a de quitar integralmente o valor financiado até o termo final do contrato. 2. Por se tratar de obrigação única (pagamento do valor total financiado), desdobrada em prestações para facilitar o adimplemento por parte do devedor, o termo inicial do prazo prescricional também será único, correspondendo à data de vencimento da última parcela do financiamento. 3. Agravo interno provido para afastar a prescrição. (AgInt no REsp n. 1.837.718/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 30/8/2022.) Da mesma forma, registro que não há mais dúvida nesta Corte de que se aplica o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 206, § 5º, I, do Código Civil, para a cobrança de prestações de mútuo habitacional inadimplidas. Confiram-se, a propósito: AgInt no AREsp n. 663.110/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 11/9/2018, DJe de 18/9/2018; AgRg no AREsp n. 120.562/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/6/2015, DJe de 3/8/2015; (REsp n. 1.385.998/RS, relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 3/4/2014, DJe de 12/5/2014. Ocorre, porém, que o acórdão que julgou os primeiros embargos de declaração consignou que houve a interrupção da prescrição, nos seguintes termos (fls. 193-195/e-STJ): Marino Raimundo Santarosa ajuizou ação revisional do contrato de financiamento habitacional ora em debate em 18/10/2001 (processo n. 2001.71.13.005805-9), até esta data sem trânsito em julgado. Ora, a ação revisional tem o condão de interromper o prazo prescricional, pois a ação do credor em defesa de seu crédito implica o inevitável afastamento da inércia, ainda que a judicialização da relação jurídica tenha sido provocada pelo devedor. Ademais, a pendência de litígio acerca do débito torna ilíquida a dívida, sendo a liquidez requisito essencial da pretensão executória. Tal entendimento não se afasta da jurisprudência desta Corte, como se pode observar dos seguintes precedentes: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. CERCEAMENTO. DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 284/STF. PRESCRIÇÃO. AÇÃO REVISIONAL. DEVEDOR. PRAZO. INTERRUPÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Cinge-se a controvérsia i) à verificação da ocorrência do cerceamento de defesa na hipótese dos autos e ii) à definição sobre se o ajuizamento de ação revisional pelo devedor interrompe a prescrição da execução do contrato. 3. É inviável invocar a violação de dispositivos constitucionais em recurso especial, pois a matéria é afeta à competência do Supremo Tribunal Federal. Compete ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, a análise da interpretação da legislação federal, motivo pelo qual se revela patente a deficiência na fundamentação recursal quando os recorrentes não indicam nenhum dispositivo de lei federal como violado. Incidência da Súmula nº 284/STF. 4. A configuração da mora nem sempre induz à inércia do credor em relação à persecução do seu direito. Segundo a jurisprudência prevalente no STJ, a quebra da inércia do credor é caracterizada não só pela ação executiva, mas por qualquer outro meio que evidencie a defesa do crédito representado pelo título executivo. 5. A possibilidade de o credor negociar, transigir ou reconhecer, total ou parcialmente, eventual excesso do crédito no âmbito da própria ação movida pelo devedor pode evitar a necessidade posterior da execução de um título que representa um mesmo objeto. 6. O reconhecimento da prescrição se opera em desfavor do titular do crédito. Assim, a disposição contida no § 1º do art. 794 do CPC/2015 não deve ser interpretada no sentido de que a ação executiva seja a única forma de o credor demonstrar uma atitude ativa em relação à pretensão de receber o que lhe é devido. 7. A exegese que harmoniza o art. 794, § 1º, do CPC/2015 com o art. 202 do Código Civil é a que melhor se adequa ao propósito de conferir efetividade ao processo, devendo prevalecer o pioneiro entendimento no sentido de que a propositura da ação revisional pelo devedor interrompe o prazo prescricional para o ajuizamento da ação executiva. 8. Recurso especial não provido. (REsp n. 1.956.817/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 17/6/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO HIPOTECÁRIA. PRESCRIÇÃO. PROPOSITURA DE AÇÃO REVISIONAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. 1. A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido da possibilidade de a parte recorrente demonstrar a tempestividade do recurso em sede de agravo interno, desde que apresente para tanto documentação idônea, capaz de comprovar o quanto sustentado pela parte, se o recurso especial foi manejado sob a égide do CPC/73. 2. A propositura de ação revisional pelos executados interrompe o prazo prescricional para a ação de execução hipotecária, em razão da discussão do próprio valor que embasa a execução. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.204.157/MS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe de 02/05/2018; AgRg no AREsp 763.058/RS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 18/12/2015. 3. Agravo interno provido, com a manutenção do acórdão estadual que rejeitou a alegação de prescrição. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.010.624/SP, relator Ministro Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), Quarta Turma, julgado em 16/8/2018, DJe de 24/8/2018.) Assim, estando o acórdão recorrido em consonância com o entendimento desta Corte, incide a Súmula 83/STJ. Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensa a exigibilidade em caso de assistência judiciária gratuita. Intimem-se. EMENTA