AREsp 2812522 - DECISAO
O agravo foi negado porque o Tribunal de origem demonstrou a abusividade dos juros remuneratórios comparando a taxa contratada com a média de mercado apurada pelo Banco Central e aplicou precedentes que autorizam a revisão em relação de consumo; a Corte Superior não reexaminou as peculiaridades fáticas da...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RÉ; Recorrida: AUTORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Contratos De Empréstimo Pessoal, Ação Revisional, Juros Remuneratórios, Abusividade, Taxa Média De Mercado, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Honorários Advocatícios, Restituição Do Indébito
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Parties
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RÉ
Recorrente
AUTORA
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Abusividade dos juros remuneratórios e possibilidade de sua revisão
- 2 Aplicabilidade da taxa média de mercado como referencial para controle de abusividade
- 3 Impossibilidade de revolver questões de fato em recurso especial em razão das Súmulas 5 e 7 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo foi negado porque o Tribunal de origem demonstrou a abusividade dos juros remuneratórios comparando a taxa contratada com a média de mercado apurada pelo Banco Central e aplicou precedentes que autorizam a revisão em relação de consumo; a Corte Superior não reexaminou as peculiaridades fáticas da contratação em face das Súmulas 5 e 7 do STJ e manteve a decisão, majorando honorários na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majorou os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 699/703). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fls. 439/440): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO PESSOAL. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RÉ. PLEITO PELA LIMITAÇÃO DOS JUROS EM UMA VEZ E MEIA A TAXA MÉDIA DE MERCADO. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. ALEGADA AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. NÃO PROVIMENTO. ABUSIVIDADE DEMONSTRADA NOS AUTOS. TAXA COBRADA SUPERIOR A QUATRO VEZES A MÉDIA DE MERCADO. INTELIGÊNCIA DOS RECURSOS REPETITIVOS 1061530/RS E 2009614/SC DO STJ E DA SÚMULA 530 DO STJ. RESTITUIÇÃO SIMPLES DO INDÉBITO. AFASTAMENTO DA MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS. NÃO PROVIMENTO. RECURSO OPOSTO COM EVIDENTE INTENÇÃO DE PROTELAR. NÃO APONTAMENTO DE VÍCIOS E FUNDAMENTO DESARRAZOADO. RECURSO DA AUTORA. DEFESA PELA TOTAL PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL E CONDENAÇÃO DA RÉ AO PAGAMENTO INTEGRAL DO ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. PROVIMENTO. ÚNICA PRETENSÃO DA INICIAL QUE SE REFERE À LIMITAÇÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. PEDIDO ACOLHIDO. SENTENÇA EXTRA PETITA AO ANALISAR CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. PEDIDO INICIAL TOTALMENTE PROCEDENTE. ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA A SER SUPORTADO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SENTENÇA REFORMADA NESSE TOCANTE. RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA EXTENSÃO CONHECIDA, NÃO PROVIDO. RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL DA AUTORA CONHECIDO E PROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 554/557). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 562/592), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação do art. 421 do CC, pois (e-STJ fl. 571): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 685/698). No agravo (e-STJ fls. 765/774), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Foi apresentada contraminuta (e-STJ fls. 783/793). Juízo negativo de retratação (e-STJ fl. 796). É o relatório. Decido. Ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios no caso concreto (e-STJ fls. 448/449 ): Passando ao caso dos autos, verifico que são questionados os seguintes contratos (mov. 1.6 a 1.14): .. Ou seja, no contrato em discussão, a cobrança de juros, na taxa mensal, foi superior, NO MÍNIMO, ao dobro da taxa média de mercado, pelo que resta evidenciado que a taxa de juros cobrada é abusiva, nos termos do entendimento do STJ. Dessa forma, considerando as diretrizes do REsp 2.009.614/SC, bem como o caso dos autos, verifica-se a relação de consumo entre as partes e a presença de abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada com a cobrança de taxa de juros até três vezes superior à média, eis que o consumidor possuía relação contumaz com o Banco e foram lhe oferecidos três contratos, sem que houvesse prova das alegações do Banco de que a parte efetivamente se encontrava inscrita nos órgãos de proteção ao crédito. Saliento que a economia nacional na época das contratações era estável e mesmo considerando que os contratos não possuem garantia, o desconto era efetuado diretamente em conta, não havendo outras informações fornecidas pelo Banco acerca do custo da captação dos recursos e o risco envolvido na operação, ônus que lhe incumbia. Por fim, esclareço que, independente do perfil dos consumidores que são atendidos pela instituição financeira, deve-se aplicar a média de mercado para operações de mesma natureza, pois referido segmento de mercado que atua a recorrente estaria inserido ao risco da atividade, inerente aos negócios realizados pela apelante. O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Ainda, desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente e, assim, acolher os argumentos do recurso especial é inviável, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA