TutCautAnt 394 - DECISAO
No juízo perfunctório, indeferiu-se a tutela de urgência por ausência de demonstração da probabilidade do direito; o requerente não especificou o inciso do art. 1.022 do CPC/2015 nem indicou o dispositivo de lei federal supostamente interpretado de forma divergente para fundamentar dissídio jurisprudencial, atraindo...
Source-derived case information.
- Parties
- Parte Requerente: SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL SENAI; Parte Contrária: Direcional Engenharia S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Tutela Cautelar De Antecedente / Decisão Interlocutória (indeferimento De Tutela De Urgência)
- Outcome
- INDEFIRO os pedidos.
- Legal Topics
- Contribuição Adicional Ao SENAI, Tutela Cautelar De Antecedente, Efeito Suspensivo Ao Recurso Especial, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 284 Do STF, Cumprimento Provisório De Sentença
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL SENAI
Parte Requerente
Direcional Engenharia S/A
Parte Contrária
Procedural Posture
Tutela Cautelar De Antecedente / Decisão Interlocutória (indeferimento De Tutela De Urgência)
Legal Issues
- 1 atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial
- 2 suspensão do cumprimento provisório de sentença
- 3 alegada omissão por negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 do CPC/2015)
Ratio Decidendi
No juízo perfunctório, indeferiu-se a tutela de urgência por ausência de demonstração da probabilidade do direito; o requerente não especificou o inciso do art. 1.022 do CPC/2015 nem indicou o dispositivo de lei federal supostamente interpretado de forma divergente para fundamentar dissídio jurisprudencial, atraindo a Súmula 284 do STF, razão pela qual os pedidos foram indeferidos.
Court Disposition
INDEFIRO os pedidos.
Orders
- INDEFIRO os pedidos.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de tutela cautelar de antecedente formulado pelo SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL SENAI, que requer a concessão de tutela de urgência para suspender o cumprimento provisório de sentença e/ou a concessão de efeito suspensivo a agravo em recurso especial interposto contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais para inadmissão de apelo nobre, fundado na alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, e que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fls. 673/674): EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - PRELIMINARES - INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO - QUESTÃO DECIDIDA NO CURSO DO PROCESSO-IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO-PRECLUSÃO - ILEGITIMIDAE ATIVA - REJEIÇÃO - AÇÃO DE COBRANÇA -PREJUDICIAL DE MÉRITO-PRESCRIÇÃO-REJEIÇÃO - SENAI - DECRETO LEI N. 4.048/42 E DECRETO LEI N. 6.2146/44 - CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL - ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL E ENGENHARIA - ENQUADRAMENTO EM ATIVIDADE INDUSTRIAL - QUANTITATIVO DE FUNCIONÁRIOS - ÔNUS DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA RÉ-COMPROVAÇÃO DE NÚMERO NÃO SUPERIOR A 500 (QUINHENTOS) - RECOLHIMENTO INDEVIDO - SENTENÇA MANTIDA. I-Não atacada no momento oportuno e por meio do recurso adequado a decisão que declinou da competência do Juízo, mostra-se inviável a rediscussão da matéria em sede de apelação, em razão da preclusão. II -"O SENAI, como pessoa jurídica titular da competência para exigir o pagamento da contribuição social de interesse das categorias profissionais ou econômicas prevista nos arts. 4º do Decreto-Lei 4.048/42 e 1º do Decreto-Lei 6.246/44, a par da atribuição de arrecadação e fiscalização cometida ao INSS com fulcro no art. 94 da Lei 8.212/91, tem legitimidade ativa ad causam para promover diretamente a ação de cobrança da respectiva contribuição, como previsto no art. 6º, parágrafo único do seu Regimento Interno" (REsp 735278 / PR). III -Não transcorrido o lapso temporal prescricional aplicável à espécie, rejeita-se a prejudicial de mérito afeta à prescrição. IV -Para que esteja caracterizada a obrigação da empresa ao pagamento da contribuição adicional devida ao SENAI -Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - necessário se faz o preenchimento dos requisitos cumulativos previstos nos artigos 2º do Decreto-Lei n. 6246/44 e artigo 6º do Decreto-Lei n. 4048/42, devendo ser comprovado tratar-se de estabelecimento industrial e possuir mais de 500 funcionários. V - Cabe à sociedade empresária requerida afastar a presunção de veracidade do lançamento tributário efetuado -por ser dotado de presunção de veracidade -devendo comprovar que contava com menos de quinhentos (500) operários no momento do lançamento do débito. VI -Restando devidamente demonstrado que a empresa prestadora de serviço do ramo de engenharia civil industrial contava com quadro de funcionários dentro do limite estabelecido em lei, não deverá suportar o pagamento de contribuição adicional em favor do SENAI, sendo a manutenção da sentença medida imperativa. A parte requerente relata que o recurso especial origina-se de ação de cobrança por ela ajuizada que objetiva o recebimento de valores referentes à contribuição adicional devida pelos estabelecimentos com mais de 500 empregados, a qual foi julgada improcedente em razão da não demonstração, pela autora, de que a ré teria ultrapassado o número limite de trabalhadores a justificar a para cobrança do referido adicional, acrescentando que, uma vez interposta apelação, essa foi desprovida pela Corte local, o que ensejou a interposição do recurso especial, o qual foi inadmitido. Afirma que (e-STJ fl. 5): ainda que pendente o julgamento definitivo do feito, a Direcional Engrenharia S/A apresentou Cumprimento Provisório de Sentença, autuado sob o número 5007563-11.2024.8.13.0024, objetivando o recebimento de honorários advocatícios, atualizados até 07/2023, no valor de R$ 138.581,69 (cento e trinta e oito mil, quinhentos e oitenta e um reais e sessenta e nove centavos). Por conseguinte, o SENAI foi intimado para realizar o pagamento, em 15/02/2024, iniciando-se o prazo em 16/02/2024e findando em 07/03/2024. Desta feita, tendo em vista que o Recurso pendente de Julgamento possui relevante fundamentação (pautada na Jurisprudência pacífica deste Colendo Superior Tribunal de Justiça) e a iminência de prosseguimento do Cumprimento Provisório de Sentença (5007563-11.2024.8.13.0024) no valor elevado de quase R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), inclusive, com o risco de levantamento do valor depositado, não restou outra opção a não ser a apresentação da Tutela de Urgência, com requerimento de Atribuição de Efeito Suspensivo ao Recurso Especial e ao Agravo em Recurso Especial. Quanto à fumaça do bom direito, assevera que o recurso especial merece ser provido em razão da demonstração da nulidade do acórdão recorrido por negativa de prestação jurisdicional, ante a omissão da Corte de origem no exame da alegação de que devem ser computados todos os empregados da empresa ré, incluídas as filiais, para que haja a incidência da Contribuição Adicional devida ao SENAI. Ainda nesse ponto, defende que, ultrapassada a preliminar de nulidade, está evidenciado que o Tribunal mineiro adotou entendimento contrário à orientação jurisprudencial do STJ, de que a aferição do requisito relativo ao mínimo de 500 empregados para cobrança da contribuição adicional deve considerar a matriz e todas as filiais. Afirma, ainda, estar presente o perigo da demora, porquanto a entidade já efetuou o depósito judicial relativo ao valor dos honorários advocatícios, os quais podem ser levantados sem necessidade de caução, dificultando, assim, sua recuperação. Requer, assim, a concessão de efeito suspensivo ao agravo em recurso especial interposto na origem e ainda não remetido a esta Corte Superior e/ou o deferimento de tutela de urgência para suspender o cumprimento provisório de sentença. Passo a decidir. Inicialmente, registro que a concessão da tutela provisória de urgência seja ela de caráter cautelar ou satisfativa (antecipatória), pressupõe a demonstração da probabilidade do direito alegado (fumus boni iuris) e do perigo de dano (periculum in mora) ou, ainda, do risco ao resultado útil do processo (art. 300 do CPC/2015). Encontrando-se a causa em grau de recurso especial, tem-se que a tutela provisória pode ser concedida por meio de atribuição de efeito suspensivo ou, eventualmente, por antecipação dos efeitos da tutela recursal, devendo haver a satisfação simultânea de dois requisitos, quais sejam: A plausibilidade do direito alegado, consubstanciada na elevada probabilidade de êxito do apelo nobre e o perigo de lesão grave e de difícil reparação ao direito da parte. Pois bem. Nesse juízo perfunctório e provisório, não vislumbro o preenchimento dos requisitos para a concessão da tutela de urgência ora vindicada, porquanto não comprovada a probabilidade do direito alegado. De início, com relação à apontada violação do art. 1.022 do CPC/2015, a entidade deixou de especificar, em suas razões de recurso especial, qual teria sido o inciso contrariado, fato que, por caracterizar deficiência de fundamentação do recurso especial, acaba por atrair a incidência da Súmula 284 do STF. No mérito, o apelo nobre vem amparado na alínea "c" do permissivo constitucional, sendo certo que a jurisprudência desta Corte de Justiça é pacífica quanto à inadmissibilidade do recurso especial que, a despeito de fundamentar-se em dissídio jurisprudencial, deixa de apontar o dispositivo de lei federal ao qual o tribunal de origem teria dado interpretação divergente daquela firmada por outros tribunais (AgRg no REsp n. 1.346.588/DF, relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Corte Especial, DJe 17/03/2014). Na espécie, não houve a devida indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado em razão do dissídio de teses, tendo a entidade apenas se referido ao Decreto-Lei n. 4.048/1942, legislação que trata da contribuição adicional, sem apontar precisamente o dispositivo objeto de interpretação divergente, razão por que incide, mais uma vez, a Súmula 284 do STF, tendo em vista a falha na fundamentação recursal. Ante o exposto, INDEFIRO os pedidos. Publique-se. Intimem-se EMENTA