CC 180797 - DECISAO
Conheceu-se do conflito e declarou-se a competência da Justiça Comum para processar e julgar demandas que versem sobre contribuição sindical de servidores públicos regidos pelo regime estatutário, em observância à tese firmada pelo STF no Tema 994 e à reinterpretação do enunciado n. 222 da Súmula do STJ.
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- Parties
- Autor: FENALEGIS - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS SERVIDORES DOS LEGISLATIVOS E TRIBUNAIS DE CONTAS MUNICIPAIS; Réu: MUNICIPIO DE TAUBATÉ; Suscitante: JUÍZO DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE TAUBATÉ - SP; Suscitado: TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 August 2021
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão
- Outcome
- Conheço do conflito para declarar a competência da Justiça Comum.
- Legal Topics
- Contribuição Sindical, Competência, Servidor Público Estatutário, Súmula, Uniformização Da Jurisprudência
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Parties
FENALEGIS - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS SERVIDORES DOS LEGISLATIVOS E TRIBUNAIS DE CONTAS MUNICIPAIS
Autor
MUNICIPIO DE TAUBATÉ
Réu
JUÍZO DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE TAUBATÉ - SP
Suscitante
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO
Suscitado
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão
Legal Issues
- 1 Competência para processar e julgar ações que discutem recolhimento e repasse de contribuição sindical de servidores públicos estatutários
- 2 Incidência do art. 114, III e IV, da CF/88 sobre a competência
- 3 Adequação da jurisprudência do STJ à tese firmada pelo STF no Tema 994
Ratio Decidendi
Conheceu-se do conflito e declarou-se a competência da Justiça Comum para processar e julgar demandas que versem sobre contribuição sindical de servidores públicos regidos pelo regime estatutário, em observância à tese firmada pelo STF no Tema 994 e à reinterpretação do enunciado n. 222 da Súmula do STJ.
Court Disposition
Conheço do conflito para declarar a competência da Justiça Comum.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência suscitado pelo JUÍZO DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE TAUBATÉ - SPem face do TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO, nos autos de Ação Declaratória cumulada com cobrança da contribuição sindical compulsóriaajuizadapela FENALEGIS - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS SERVIDORES DOS LEGISLATIVOS E TRIBUNAIS DE CONTAS MUNICIPAIS, contra o MUNICIPIO DE TAUBATÉ, pleiteando em síntese, o devido recebimento de contribuição sindical. A 4ª Câmara do TRT da 15ª Regiãodeclinou da competência (e-STJ fls. 298/303), sob o argumento de que a contribuição sindical de trabalhadores sujeitos ao regime estatutário não se insere em suacompetência material. O Juízo da Vara da Fazenda Pública de Taubaté - SP, por sua vez, entendendo que a questão de fundo envolve debate a respeito da representação sindical, subsumindo-se ao disposto no art. 114, III e IV, da CF/88, suscitou o presente conflito (e-STJ fls. 330/334). É o relatório. Passo a decidir. Esta Corte tinha o posicionamento no sentido de queas ações em que se discute a contribuição sindical (imposto sindical) de servidor púbico celetista ou estatutário, após o advento da EC n. 45/2004, deveriamser ajuizadas na Justiça do Trabalho. Havendo sido superada a Súmula n. 222/STJ ("Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT"). Um dos fundamentos para esse posicionamento era justamente o de se manter a coerência do sistema, pois alógica que vinha sendo seguida era a de que, se as ações em que se discute representação sindical entre sindicatos de servidores estatutários devem ser sempre julgadas pela Justiça Trabalhista (interpretação dada ao art. 114, III, da CF/88 pelo próprio Tribunal Superior do Trabalho - TST, v.g. RR - 4300-84.2011.5.17.0013, julgado em 17/06/2015, Rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 7ª Turma), as demandas que versassem sobre as contribuições sindicais compulsórias respectivas deveriam ter o mesmo destino já que o fato gerador dessas contribuições é justamente haver representação sindical. Trata-se de lógica racionalizaria o sistema, pois não faz sentido algum discutir a representação sindical (de estatutários) no juízo trabalhista e a contribuição sindical (de estatutários) na justiça comum. A decisão da justiça comum estaria sempre condicionada ao que decidido na justiça laboral. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Tema n. 994, no RE n. 1.089.282/AM (Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em sessão virtual de 27.11.2020 a 04.12.2020), firmou a seguinte tese: "Compete à Justiça Comum processar e julgar demandas em que se discute o recolhimento e o repasse de contribuição sindical de servidores públicos regidos pelo regime estatutário". Desta forma, adotando posição em relação à qual guardo reservas, o STF determinou a alteração da jurisprudência desta Casa para retomar a compreensão de que: (a) as ações em que se discute a contribuição sindical (imposto sindical) de servidor púbico estatutário, após o advento da EC n. 45/2004, devem continuar ser ajuizadas na Justiça Comum e (b) as ações em que se discute a contribuição sindical (imposto sindical) de servidor púbico celetista, após o advento da EC n. 45/2004, devem ser ajuizadas na Justiça do Trabalho. Diante disso, nesta Casa foi julgado sob o regime de ampla publicidadeo CC. n.147.784 - PR onde,considerando o posicionamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, foidada nova interpretação ao enunciado n. 222 da Súmula deste STJ ("Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT") para abarcar apenas as situações em que a contribuição sindical (imposto sindical) diz respeito a servidores públicos estatutários, mantendo-se a competência para processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical referente a celetistas (servidores ou não) na Justiça do Trabalho. Segue o precedente: CONFLITO SUSCITADO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL COMPULSÓRIA (IMPOSTO SINDICAL). SERVIDOR PÚBLICO. ART. 114, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO DECIDIDO PELO STF NO TEMA N. 994, NO RE N. 1.089.282/AM. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA SERVIDOR PÚBLICO COM VÍNCULO ESTATUTÁRIO E COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA SERVIDOR PÚBLICO COM VÍNCULO CELETISTA. NOVA INTERPRETAÇÃO DA SÚMULA N. 222/STJ. PUBLICIDADE EXIGIDA PELO ART. 927, §§ 2º E 5º, DO CPC/2015. 1. Consoante a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Tema n. 994, no RE n. 1.089.282/AM (Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em sessão virtual de 27.11.2020 a 04.12.2020): "Compete à Justiça Comum processar e julgar demandas em que se discute o recolhimento e o repasse de contribuição sindical de servidores públicos regidos pelo regime estatutário". Desta forma, adotando posição em relação à qual guardo reservas, o STF determinou o retorno deste Superior Tribunal de Justiça um passo atrás para a posição jurisprudencial intermediária anterior ao julgamento do AgRg no CC 135.694 / GO, qual seja, a de que: (a) as ações em que se discute a contribuição sindical (imposto sindical) de servidor púbico estatutário, após o advento da EC n. 45/2004, devem continuar ser ajuizadas na Justiça Comum e (b) as ações em que se discute a contribuição sindical (imposto sindical) de servidor púbico celetista, após o advento da EC n. 45/2004, devem ser ajuizadas na Justiça do Trabalho. 2. Superados os seguintes precedentes deste Superior Tribunal de Justiça que dispunham de modo diverso: AgRg no CC n. 135.694 / GO, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 12.11.2014; AgRg no CC n. 128.599 / MT, Primeira Seção, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 13.05.2015; CC n. 138.378 - MA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.08.2015; EDcl no CC n. 140.975/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 11/11/2015, DJe 18/11/2015; CC n. 147.099 / RN, Primeira Seção, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 10/08/2016. 3. Com esse entendimento, ganha nova vida o enunciado n. 222 da Súmula deste STJ ("Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT") para abarcar apenas as situações em que a contribuição sindical (imposto sindical) diz respeito a servidores públicos estatutários, mantendo-se a competência para processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical referente a celetistas (servidores ou não) na Justiça do Trabalho. 4. Conflito conhecido para declarar a competência da Justiça Comum. 5. Acórdão submetido ao regime de ampla publicidade, conforme o disposto no art. 927, §§ 2º e 5º, do CPC/2015, com comunicação aos Ministros da Primeira Seção do STJ, ao Presidente do Tribunal Superior do Trabalho - TST e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais de Justiça (CC n. 147.784-PR, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.03.2021). Consoante a Súmula n. 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". O referido enunciado sumular é aplicável por analogia aos conflitos de competência. Ante o exposto, com fulcro no artigo 955, parágrafo único, inciso I, do CPC/2015, CONHEÇO do conflito para declarar a competência da Justiça Comum. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CONFLITO SUSCITADO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. SERVIDOR PÚBLICO. ART. 114, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO DECIDIDO PELO STF NO TEMA N. 994, NO RE N. 1.089.282/AM. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA SERVIDOR PÚBLICO COM VÍNCULO ESTATUTÁRIO E COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA SERVIDOR PÚBLICO COM VÍNCULO CELETISTA. NOVA INTERPRETAÇÃO DA SÚMULA N. 222/STJ. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. ART. 926, CPC/2015. DEVER DE UNIFORMIZAÇÃO, ESTABILIDADE, INTEGRIDADE E COERÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. POSSIBILIDADE DE DECISÃO MONOCRÁTICA. SÚMULA N. 568/STJ. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR A COMPETÊNCIA DO JUÍZO COMUM (ART. 955, PARÁGRAFO ÚNICO, I, CPC/2015).