AREsp 2670950 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a indicação genérica de violação de lei federal impediu a exata compreensão da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; além disso, as razões recursais não atacaram especificamente os fundamentos do aresto recorrido, inviabilizando a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE BURITI DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Contribuição Sindical, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Aplicação Do Art. 578 Da CLT a Servidores Públicos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE BURITI DO TOCANTINS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial diante da indicação genérica de violação de lei federal (Súmula 284/STF)
- 2 Necessidade de lei específica para cobrança de contribuição sindical de servidores públicos e aplicabilidade do art. 578 da CLT
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a indicação genérica de violação de lei federal impediu a exata compreensão da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; além disso, as razões recursais não atacaram especificamente os fundamentos do aresto recorrido, inviabilizando a análise do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE BURITI DO TOCANTINS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. PERÍODO DE 2013 A 2017. ARTIGO 578 DA CLT. COBRANÇA COMPULSÓRIA A TODOS OS SERVIDORES PÚBLICOS. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do Código Tributário Nacional, no que concerne à impossibilidade de cobrança de contribuição sindical de servidores municipais devido à ausência de lei específica que normatize a questão, trazendo a seguinte argumentação: Pela leitura dos dispositivos é nítido que diante da natureza tributária da contribuição sindical é imprescindível a existência de uma lei especifica tratando da matéria para abrangência dos servidores públicos na regra do art. 578 da CLT, bem como que é inviável do ponto de vista legal que a CLT seja aplicada por analogia em tais casos. .. Nesse sentido, em obediência ao princípio da legalidade é equivocada a interpretação no sentido de que o art. 578 da CLT também se aplica aos servidores públicos, colocando o servidor público na condição de sujeito passivo da contribuição sindical e, por consequência, o município empregador (fl. 547). Por tais razões, é incontroverso que a contribuição sindical obrigatória, estabelecida para os empregados celetistas, não se aplica aos servidores públicos estatutários .. .. Em suma, vale dizer que diante da ausência de previsão legal para o recolhimento de contribuição sindical compulsória dos servidores públicos de Buriti do Tocantins, não resta dúvidas de que a presente cobrança é indevida (fl. 548). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF uma vez que há indicação genérica de violação de lei federal sem particularizar quais dispositivos teriam sido contrariados, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "De outro lado, verifica-se que, embora a parte recorrente tenha indicado violação à MP 2.180-35/01 e à Lei n. 4.414/64, não apontou, com precisão, qual regramento legal teria sido efetivamente violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo, por analogia, a incidência da Súmula 284/STF". (AgInt no REsp n. 1.468.671/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 30/3/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AREsp n. 1.641.118/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp n. 744.582/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 1/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.305.693/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 31/3/2020; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017; AgRg no AREsp n. 546.951/MT, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22/9/2015; e REsp n. 1.304.871/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2015. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Em relação ao argumento que não pode ser exigida a contribuição sindical em razão da ausência de previsão legal, melhor sorte não lhe assiste, pois como bem fundamentado na sentença, "o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça já decidiram ser auto-aplicável o dispositivo que prevê a contribuição sindical e não depende de lei local para ser implementada a cobrança " (fls. 502-503) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA