AREsp 3147441 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu, em consonância com a jurisprudência desta Corte, que a falta de convocação de todos os condôminos torna nula a assembleia (art. 1.354 CC), a cláusula de mandato genérica não supre a exigência de assembleia...
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- Parties
- Agravante: ANDRADE GUTIERREZ CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade E Julgamento Do Agravo
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Convenção Condominial, Nulidade De Assembleia, Convocação De Condôminos, Cláusula De Mandato, Súmula 283/stf, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios, Litigância De Má Fé
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Parties
ANDRADE GUTIERREZ CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade E Julgamento Do Agravo
Legal Issues
- 1 nulidade da assembleia por ausência de convocação de todos os condôminos
- 2 caráter anulável ou nulo do ato assemblear e aplicação de prescrição/decaimento
- 3 validade de cláusula de mandato para suprir convocação
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem decidiu, em consonância com a jurisprudência desta Corte, que a falta de convocação de todos os condôminos torna nula a assembleia (art. 1.354 CC), a cláusula de mandato genérica não supre a exigência de assembleia regularmente constituída, não houve demonstração de dissídio jurisprudencial e seria necessário reexame de fatos e provas para alterar as conclusões sobre dolo e grau de sucumbência, o que é vedado pela Súmula 7/STJ, além de incidir a Súmula 283/STF quanto a fundamentos não impugnados.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e negado provimento ao recurso especial
Orders
- Negado provimento ao recurso especial
- Majorar os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
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DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por ANDRADE GUTIERREZ CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 1.069): DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONVENÇÃO CONDOMINIAL. NULIDADE DE ASSEMBLEIA POR VÍCIO NA CONVOCAÇÃO. COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. 1. Apelação interposta contra sentença que declarou a nulidade da convenção condominial realizada em 1998, e determinou a cobrança das cotas condominiais conforme a minuta de 1993, até a convenção de 2013. 2. Invalidade da convenção condominial de 1998 em relação aos apelados, considerando a ausência de convocação por carta registrada, conforme exigência da minuta anterior. Vício insanável e nulidade da convenção condominial para os recorridos, nos termos dos arts. 166, V, 1.350 e 1.354 do Código Civil. 6. A convenção condominial de 2013 possui efeito ex nunc, não sanando o vício da versão de 1998 em relação aos recorridos. 7. Inexistência de prescrição ou decadência, pois a nulidade não está sujeita à convalidação pelo decurso do tempo. 8. Ausência de indícios de litigância de má-fé por parte dos apelados. RECURSO DESPROVIDO. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 1.107-1.114). No recurso especial, a parte recorrente alegou ofensa aos arts. 179, 205, 1.333, 1.350 e 1.354 do CCB; 9º, § 2º, e 32, j, da Lei 4.591/1964; e 80, 81 e 86 do CPC. Sustentou, em síntese: que a falta de convocação de todos os condôminos acarreta a anulabilidade e não nulidade da assembleia, sendo aplicáveis no caso a decadência ou prescrição; validade da cláusula de mandato, o que afasta a necessidade de convocação de todos os condôminos; existência de litigância de má-fé; ocorrência de sucumbência recíproca, que demanda a redistribuição dos seus ônus. Embora o recurso esteja fundado também na alínea c do permissivo constitucional, não foi demonstrada a existência de dissídio. Sem contrarrazões ao recurso especial (fl. 1.191). Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 1.193-1.202), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 1.227-1.235). É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Quanto à nulidade da assembleia por ausência de convocação de todos os condôminos, a decisão se mostra em sintonia com a jurisprudência desta Corte. Nesse sentido, cito: DIREITO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ASSEMBLEIA CONDOMINIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. QUÓRUM DE VOTAÇÃO. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. I. RAZÕES DE DECIDIR 1. Agravo interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado na alínea "a" do art. 105, III, da Constituição Federal, visando à reforma de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que manteve sentença de procedência em ação anulatória de assembleia condominial. 2. A autora alegou irregularidades na convocação da assembleia condominial realizada em 26/08/2020, que deliberou sobre a substituição dos elevadores, apontando afronta ao quórum de 3/4 previsto na convenção e ao art. 1.341, II, do Código Civil, além de descompasso com o art. 1.350 do Código Civil. Requereu a nulidade da assembleia e a suspensão das obras. 3. A sentença declarou a nulidade da assembleia, fundamentando-se na ausência de comprovação da regular convocação de todos os condôminos, conforme a convenção e o art. 1.354 do Código Civil, e condenou o réu ao pagamento de custas, despesas e honorários advocatícios. 4. O acórdão recorrido negou provimento à apelação do condomínio, reafirmando a inobservância do quórum previsto no art. 1.341, II, do Código Civil e na convenção condominial, além da falta de prova da convocação regular. Rejeitou a tese de urgência e majorou os honorários advocatícios. 5. Há quatro questões em discussão: (I) saber se houve omissão na análise da alegação de nulidade do julgamento virtual, em violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC; (II) saber se há imprescindibilidade do julgamento presencial para a postulação de decisão favorável ao cliente representado, conforme o art. 2º, § 2º, da Lei 8.906/94; (III) saber se houve cerceamento de defesa em razão da alegada insuficiência da valoração probatória, em violação ao art. 370 do CPC; e (IV) saber se houve transgressão às normas que regem a anulabilidade do ato jurídico e as formalidades de convocação da assembleia condominial, conforme os arts. 96, § 3º, 174, 175 e 1.341, II, do Código Civil. 6. O acórdão recorrido não foi omisso, tendo enfrentado expressamente as questões relevantes ao julgamento, ainda que em sentido contrário aos interesses da parte recorrente. 7. A jurisprudência do STJ reconhece que o julgamento virtual não configura cerceamento de defesa, desde que não haja demonstração de prejuízo efetivo à parte. 8. O juiz é o destinatário final das provas e pode decidir pela desnecessidade de dilações probatórias quando entender que o feito está suficientemente instruído. 9. A ausência de comprovação da regular convocação de todos os condôminos, conforme a convenção condominial e o art. 1.354 do Código Civil, justifica a nulidade da assembleia. 10. A alegação de urgência para justificar a substituição dos elevadores sem o quórum mínimo exigido não prospera, considerando o tempo transcorrido entre o relatório técnico e a realização da assembleia. 11. A mera referência a dispositivos legais sem fundamentação suficiente não é apta a demonstrar violação ou negativa de vigência, resultando no não conhecimento do recurso especial. 12. O STJ não é uma terceira instância revisora de fatos, mas sim uma Corte de precedentes destinada à interpretação da lei federal e à uniformização da jurisprudência infraconstitucional. 13. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial. (AREsp n. 2.354.325/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/12/2025, DJEN de 19/12/2025.) No tocante à tese de validade da cláusula de mandato a afastar a necessidade de convocação de todos os condôminos, o Tribunal local afastou tal tese ao argumento de que a cláusula de mandato genérica, prevista em contratos de adesão, não supre a exigência legal de deliberação em assembleia regularmente constituída, como expressamente dispõe o artigo 1.354 do Código Civil. Com efeito, da análise das razões do recurso especial, observa-se que a recorrente limita-se a suscitar a validade da cláusula e deixa de impugnar o fundamento do acordão recorrido no sentido de a cláusula de mandato genérica, prevista em contratos de adesão, não supre a exigência legal de deliberação em assembleia regularmente constituída, como expressamente dispõe o artigo 1.354 do Código Civil, o que atrai a incidência da Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". A propósito, cito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. ACORDO. SEGURADORA E AUTOR. PAGAMENTO DE DANOS MATERIAIS. CONDENAÇÃO DA RÉ. DANOS MORAIS. VALORES PAGOS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INSTITUTOS DISTINTOS. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA Nº 283/STF. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A ausência de impugnação de um fundamento suficiente do acórdão recorrido enseja o não conhecimento do recurso, incidindo o disposto na Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.806.931/CE, rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/8/2021, DJe de 3/9/2021.) Por fim, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à inexistência de dolo e ao grau de decaimento de cada parte, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. Confiram-se os seguintes precedentes: DIREITO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADIMPLEMENTO CONTRATUAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PRESCRIÇÃO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. VALOR DA CAUSA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem não incorreu em negativa de prestação jurisdicional, pois analisou os pontos controvertidos de forma clara e fundamentada, ainda que contrária à pretensão da recorrente. 2. A condenação por litigância de má-fé foi afastada pelas instâncias ordinárias, que não identificaram dolo processual, sendo vedado o reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. A fixação do valor da causa por estimativa foi considerada válida pelo Tribunal de origem, diante da impossibilidade de determinação exata do conteúdo econômico da demanda, em consonância com a jurisprudência do STJ. 4. O prazo prescricional decenal do art. 205 do Código Civil foi corretamente aplicado, com termo inicial na data da lesão, conforme entendimento consolidado do STJ sobre responsabilidade contratual. 5. A tese de violação ao art. 976, II, do CPC não foi prequestionada no acórdão recorrido, atraindo a incidência das Súmulas 282 e 356 do STF. 6. A alegação de desrespeito a precedentes qualificados foi considerada genérica e não demonstrou concretamente a violação, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. 7. Resultado do Julgamento: Agravos conhecidos para negar provimento aos recursos especiais. (AREsp n. 2.630.852/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 16/12/2025, DJEN de 19/12/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. ACÓRDÃO SUFICIENTEMENTE FUNDAMENTADO. SUCUMBÊNCIA. GRAU DE DECAIMENTO DE CADA PARTE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE PROVAS. IMPOSSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. BASE DE CÁLCULO DA VERBA HONORÁRIA. ART. 85 DO CPC. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em omissão quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelas partes, quando encontrar motivação satisfatória para dirimir o litígio sobre os pontos essenciais da controvérsia em exame. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido em relação ao grau de decaimento de cada parte exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 3. Inexistindo condenação e havendo proveito econômico da parte, é sobre esse valor que deve recair a verba honorária. 4. Agravo desprovido. (AREsp n. 2.847.298/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/3/2025, DJEN de 27/3/2025.) Embora o recurso esteja fundado também na alínea c do permissivo constitucional, não foi desenvolvido capítulo demonstrando a existência de dissídio jurisprudencial . Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e nego-lhe provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem -se. EMENTA