AREsp 1797498 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação, em especial pela ausência de indicação precisa do dispositivo de lei federal supostamente violado, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; em razão da inadmissibilidade do recurso especial, manteve-se a decisão de origem...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CONCEIÇÃO DE MARIA LIMA PEREIRA CAVALCANTE; Tribunal Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade/não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Conversão De Cruzeiros Reais Para URV, Prescrição Quinquenal, Reestruturação Remuneratória De Carreira, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284 STF, Súmula 85 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CONCEIÇÃO DE MARIA LIMA PEREIRA CAVALCANTE
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO
Tribunal Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade/não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de fundamentação do acórdão recorrido (art. 489 CPC)
- 2 dissídio acerca da interpretação da Lei n. 8.880/94 quanto à prescrição em face de reestruturação de carreira
- 3 aplicabilidade do óbice da Súmula n. 284/STF por falta de indicação precisa do dispositivo federal supostamente violado
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação, em especial pela ausência de indicação precisa do dispositivo de lei federal supostamente violado, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; em razão da inadmissibilidade do recurso especial, manteve-se a decisão de origem quanto ao não provimento e foi majorado o percentual de honorários advocatícios com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em favor do recorrido em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CONCEIÇÃO DE MARIA LIMA PEREIRA CAVALCANTE contra a decisão que não admitiu o seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88 visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO ORDINÁRIA SERVIDOR DO PODER EXECUTIVO MAGISTÉRIO CONVERSÃO DOS VENCIMENTOS DE CRUZEIRO REAL PARA URV DIFERENÇA SALARIAL DATA DO EFETIVO PAGAMENTO VARIÁVEL LIMITAÇÃO ENTENDIMENTO DO STF E STJ PRESCRIÇÃO MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA OCORRÊNCIA I O STF E O STJ CONCLUÍRAM QUE O PAGAMENTO DO ÍNDICE DECORRENTE DA CONVERSÃO DA MOEDA EM URV DEVERÁ SER APURADO ATRAVÉS DE PROCESSO DE LIQUIDAÇÃO - BEM COMO DEFINIRAM A LIMITAÇÃO PARA O PAGAMENTO DO ÍNDICE DE URV FIRMANDO O ENTENDIMENTO DE QUE TAL VANTAGEM SÓ PODERÁ SER DEFERIDA AO SERVIDOR PÚBLICO ATÉ A ENTRADA EM VIGOR DO DIPLOMA LEGAL QUE REESTRUTURE A CARREIRA DESTE II CONSIDERANDO QUE A PRIMEIRA REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA DEUSE EM 15 DE AGOSTO DE 1994 E A REESTRUTURAÇÃO REMUNERATÓRIA OCORREU EM 31 DE JANEIRO DE 2003 FORÇOSO RECONHECER A PRESCRIÇÃO QUINQUENAL DAS DIFERENÇAS DECORRENTES DA CONVERSÃO DOS VENCIMENTOS DE CRUZEIROS REAIS PARA URV (SÚMULA N 85STJ) HAJA VISTA QUE A AÇÃO SOMENTE FOI PROPOSTA EM 2018 PORTANTO APÓS O DECURSO DO PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS III ESTANDO A MATÉRIA EM CONSONÂNCIA COM ACÓRDÃO PROFERIDO PELO STJ EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO E COM SÚMULA DESTA CORTE PODE O RELATOR JULGAR O RECURSO MONOCRATICAMENTE A TEOR DO ART 932 DO NCPC IV APELAÇÃO IMPROVIDA. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 489 do CPC, no que concerne à ausência de fundamentação do acórdão recorrido, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O acórdão recorrido, por sua vez, não indicou em qual linha das leis estaduais indica que a reestruturação da carreira promoveu a absolvição das perdas decorrentes da errônea conversão da moeda. Neste esteio, o acórdão do tribunal maranhense restou ausente de fundamentação, infringindo a norma contida no artigo 489 do Código de Processo Civil (fl. 662). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega divergência na interpretação da Lei n. 8.880/94, no que concerne à prescrição de fundo de direito da pretensão relativa ao pagamento dos valores devidos pela errônea conversão da URV em razão da reestruturação remuneratória da carreira dos servidores, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Nas linhas destacadas acima, o Ministro Napoleão Nunes Filho aponta a existência de limitação temporal quando a reestruturação de carreira promover a "recomposição" do pagamento das diferenças decorrentes da conversão da URV. Ou seja, a reestruturação da carreira deve recompor a perda havida quando da errónea conversão da moeda para que se possa falar em limitação temporal. Interpretação diversa não poderia subsistir, pois a reestruturação da carreira que resulte no fim da incorporação do percentual de perda da URV, deve resultar de uma "recomposição", pois o aumento dos vencimentos, por si só, não implica na devolução do valor subtraído quando da equivocada aplicação da Lei Federal nº 8.880/94 (fl. 667). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.