AREsp 2997010 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu do Recurso Especial por incidirem óbices de admissibilidade: matéria constitucional (competência do STF), vedação de recurso especial fundado em súmula (Súmula 518/STJ), deficiência de fundamentação quanto aos pontos impugnados (Súmula 284/STF) e necessidade de reexame de prova...
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- Parties
- Agravante/recorrente: EDUARDO PASSOS BRUGGER DE MELLO; Agravante/recorrente: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Conversão De Obrigação De Fazer Em Perdas E Danos, Intimação Pessoal, Contraditório E Ampla Defesa, Súmulas E Óbices De Admissibilidade, Excesso De Execução, Honorários
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Parties
EDUARDO PASSOS BRUGGER DE MELLO
Agravante/recorrente
OUTRO
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se é necessária a intimação pessoal do devedor antes da conversão da obrigação de fazer em perdas e danos
- 2 se cabe Recurso Especial fundado em alegada violação de súmula ou de dispositivo constitucional
- 3 se há excesso de execução na homologação de valores e adoção de percentual de honorários maior
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu do Recurso Especial por incidirem óbices de admissibilidade: matéria constitucional (competência do STF), vedação de recurso especial fundado em súmula (Súmula 518/STJ), deficiência de fundamentação quanto aos pontos impugnados (Súmula 284/STF) e necessidade de reexame de prova (Súmula 7/STJ), decidindo-se com fundamento no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por EDUARDO PASSOS BRUGGER DE MELLO e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. CONVERSÃO EM PERDAS E DANOS EM VALOR EQUIVALENTE À MULTA. O AFASTAMENTO DA MULTA NÃO IMPLICA QUE O VALOR ESTABELECIDO, AGORA COMO PERDAS E DANOS, ESTEJA INCORRETO. VALOR PONDERADO E RAZOÁVEL. CASO: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRETENDEM OS AGRAVANTES A REFORMA DA DECISÃO QUE CONVERTE A OBRIGAÇÃO DE FAZER EM PERDAS E DANOS NO VALOR DE R$ 22.150,00 E HOMOLOGA OS CÁLCULOS APRESENTADOS PELA AGRAVADA. QUESTÃO: VERIFICAÇÃO DE EXCESSO NA EXECUÇÃO. RAZÕES DE DECIDIR: EXCESSO CONFIGURADO: MARCOS TEMPORAIS DOS CONSECTÁRÍOS LEGAIS INCIDENTES SOBRE A VERBA COMPENSATÓRIA, ALÉM DE ADOÇÃO DE PERCENTUAL A MAIOR EM RELAÇÃO AOS HONORÁRIOS. JÁ EM RELAÇÃO ÀS PERDAS E DANOS, A CONVERSÃO COM BASE NA MULTA PRESTIGIA A CELERIDADE PROCESSUAL E INSERE OS AGRAVANTES EM CONDIÇÃO VANTAJOSA EM COMPARAÇÃO AO VALOR ATUALIZADO DA CONTRATAÇÃO NA ORIGEM. DISPOSITIVO: RECURSO PROVIDO EM PARTE. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação aos arts. 499 e 535 do CPC, ao art. 5º, LV, da CF/88, e ao enunciado n. 410 da Súmula do STJ, no que concerne à nulidade da conversão de obrigação de fazer em perdas e danos sem a intimação pessoal do devedor, sem observância do contraditório e da ampla defesa, trazendo a seguinte argumentação: 7- O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro manteve decisão que converteu a obrigação de fazer em perdas e danos, sem que os Recorrentes tivessem sido intimados pessoalmente para seu cumprimento, contrariando a Súmula 410 do Superior Tribunal de Justiça. 8- A decisão recorrida, além de ignorar a ausência de intimação, homologou valores excessivos e não comprovados, o que configura violação ao contraditório e à ampla defesa. 9- Ademais, o entendimento adotado diverge de precedentes de outros Tribunais e do próprio STJ, que garantem ao devedor a oportunidade de cumprir a obrigação antes da conversão em perdas e danos.10- Eis a síntese recursal. .. 10 - O acórdão impugnado contraria a jurisprudência pacífica do STJ, que exige intimação pessoal do devedor antes da conversão da obrigação de fazer em perdas e danos. A falta de intimação pessoal impede a imposição de multa e a conversão da obrigação, conforme precedentes: .. 11- No caso em tela, a decisão recorrida reconhece a ausência de intimação pessoal, mas, contraditoriamente, mantém a conversão em perdas e danos, o que afronta o entendimento consolidado do STJ. .. 12- A decisão recorrida contraria entendimentos de outros Tribunais, que afastam a conversão da obrigação de fazer quando não há intimação pessoal do devedor: .. 14- A ausência de intimação e a fixação de valores excessivos impedem os recorrentes de exercerem sua defesa, violando os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CF, art. 5º, LV). O STJ já decidiu que: (fls. 132/134). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, é incabível o Recurso Especial quando visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp 1.544.786/RS, relator ;Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AREsp n. 2.747.891/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 24/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.074.834/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgRg no REsp n. 2.163.206/RS, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJEN de 23/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.675.455/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; EDcl no AgRg no AREsp n. 2.688.436/MS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 20/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.552.030/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 18/11/2024; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.546.602/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 21/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.494.803/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 18/9/2024; AgInt nos EDcl no REsp n. 2.110.844/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 22/8/2024; AgInt no REsp n. 2.119.106/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 22/8/2024. Ademais, não é cabível Recurso Especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Assim, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Ademais: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/10/2020.) Ainda, os seguintes julgados: ;AgRg no REsp n. 1.990.726/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.518.851/PR, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.683.592/SE, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.927/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.736.901/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt no REsp n. 2.125.846/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 17/2/2025; AgRg no AREsp n. 1.989.885/TO, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 17/2/2025; AgInt no REsp n. 2.098.711/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 10/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.521.353/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AREsp n. 2.763.962/AP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 18/12/2024. Ainda, o acórdão recorrido assim decidiu: Por seu turno, afirmam ainda contradição no reconhecimento de inexistência de intimação pessoal e, ao mesmo tempo, manutenção da conversão da obrigação em perdas e danos. Não há qualquer contradição, vez que o Colegiado pontuou que a própria decisão recorrida reconhecia a ausência de intimação pessoal para cumprimento de obrigação de fazer, mas como esta se tornou impossível, fez- se necessária a conversão em perdas e danos, não só para não permitir o enriquecimento sem causa dos embargantes, mas também porque a conversão, se comparada ao valor do contrato, é medida financeiramente vantajosa aos recorrentes (fls. 111). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Por fim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA