HC 697000 - DECISAO
Por se encontrar o apenado cumprindo pena em regime semiaberto, há incompatibilidade para o cumprimento das penas restritivas de direitos substitutivas que somente podem ser cumpridas em regime aberto ou em livramento condicional; assim, nos termos dos arts. 181 e 111 da LEP (e da jurisprudência pacificada do STJ),...
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- Parties
- Paciente: RAFAEL TIAGO FORELL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Conversão De Pena Restritiva De Direitos Em Privativa De Liberdade, Cumprimento Simultâneo De Penas, Suspensão Para Cumprimento Sucessivo De Pena Restritiva De Direitos, Unificação De Penas, Regime Semiaberto, Progressão De Regime
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Parties
RAFAEL TIAGO FORELL
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 possibilidade de cumprimento simultâneo de pena restritiva de direitos com pena privativa de liberdade
- 2 possibilidade de suspensão da pena restritiva de direitos para cumprimento sucessivo à privativa de liberdade
- 3 aplicabilidade dos arts. 181 e 111 da Lei de Execução Penal
Ratio Decidendi
Por se encontrar o apenado cumprindo pena em regime semiaberto, há incompatibilidade para o cumprimento das penas restritivas de direitos substitutivas que somente podem ser cumpridas em regime aberto ou em livramento condicional; assim, nos termos dos arts. 181 e 111 da LEP (e da jurisprudência pacificada do STJ), as penas restritivas de direitos devem ser convertidas em privativas de liberdade e unificadas, não sendo possível a suspensão ou execução simultânea, motivo pelo qual a liminar é indeferida.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indeferida a liminar do habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em face de acórdão assim ementado (fl. 15): AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL. INSURGÊNCIA DEFENSIVA. CONDENAÇÃO SUPERVENIENTE. NECESSIDADE DE CONVERSÃO DE PENA RESTRITIVA DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE. REGIME SEMIABERTO. INVIABILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO. DECISÃO MANTIDA. Inviável o cumprimento simultâneo de pena restritiva de direitos, com pena privativa de liberdade, quando o apenado se encontra em regime fechado ou semiaberto, somente sendo possível a concomitância quando em regime aberto ou livramento condicional. No caso em tela, o apenado sofreu nova condenação à pena de 02 anos de reclusão, no regime aberto, substituída por prestação de serviços comunitários e prestação pecuniárias, sendo que cumpre pena atualmente no regime semiaberto. Imperiosa, assim, a conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade, ante a incompatibilidade de cumprimento simultâneo das duas reprimendas. Precedentes. AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL DA DEFESA IMPROVIDO. UNÂNIME. Consta dos autos que o juízo da execuçãoconverteu as penas restritivas de direitos aplicadas no processo nº 087/2.13.0002993-5 em privativa de liberdade, com fulcro no art. 181, §1º, alínea "b", da LEP e art. 44, §4º, do CP. Inconformada, a defesa interpôs agravo em execuçãoperante a Corte de origem, a qual lhe negou provimento. No presente habeas corpus, alega a impetrante "ser absolutamente possível o cumprimento sucessivo da pena privativa de liberdade com a restritiva de direitos". Acrescenta que "ainda que impossível o cumprimento simultâneo, resta a possibilidade de suspensão da pena restritiva de direitos para que seja cumprida sucessivamente à privativa de liberdade" (fl. 4). Requer a concessão da ordem para que seja cassado o acórdão impugnado, com a manutenção das penas restritivas de direitos ou, a sua suspensão até que seja deferida a progressão ao regime aberto. Não havendo divergência da matéria no órgão colegiado, admissível seu exame in limine pelo relator, nos termos do art. 34, XVIII e XX, do RISTJ. Quanto ao tema, constou do acórdão impugnado (fls. 12/14): O apenado RAFAEL TIAGO FORELL cumpre pena privativa de liberdade em regime semiaberto, quando sobreveio aos autos do seu PEC nova condenação, exarada nos autos da ação penal nº 0010008-56.2013.8.21.0087, a qual impôs uma pena de 02 de reclusão, em regime aberto, a qual foi substituída pelas penas restritivas de direito de prestação de serviço comunitário e de prestação pecuniária. O art. 44, § 5º, do Código Penal, permite que o magistrado deixe de converter a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, nos casos em que for possível o cumprimento da sanção substitutiva anterior. Vejamos: Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (..) § 5º Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. Não obstante, no caso em epígrafe, o agravante possui pena a cumprir no regime semiaberto, o que é incompatível com as penas restritivas de direitos impostas nos autos do processo nº 0010008-56.2013.8.21.0087, sendo essa passível de ser cumprida somente quando em regime aberto ou livramento condicional. Além disso, a Lei de Execuções Penais, em seu art. 181, prevê a conversão das penas restritivas de direito em privativas de liberdade. Outrossim, a suspensão da pena restritiva de direitos, para cumprimento posterior, não encontra amparo legal. A regra do art. 76 do Código Penal é válida apenas para casos em que há mais de uma pena privativa de liberdade. Quando há penas qualitativamente iguais, sendo uma restritiva e uma privativa de liberdade, aplica-se o disposto no art. 111 da Lei de Execuções Penais, que prevê a unificação das penas e fixação do regime a partir da quantidade de pena imposta. Nessa senda é o entendimento desta Egrégia Corte de Justiça: .. Logo, deve ser mantida a decisão atacada. Como visto, o Tribunal de origem entendeu que "o agravante possui pena a cumprir no regime semiaberto, o que é incompatível com as penas restritivas de direitos impostas nos autos do processo nº 0010008-56.2013.8.21.0087, sendo essa passível de ser cumprida somente quando em regime aberto ou livramento condicional. Além disso, a Lei de Execuções Penais, em seu art. 181, prevê a conversão das penas restritivas de direito em privativas de liberdade". Com efeito, "esta Corte pacificou entendimento no sentido de que, no caso denova condenação a penas restritivas de direito a quemestejacumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ouintermediário, é inviável a suspensão do cumprimento daquelas -ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, nos termos do art.111 da LEP, deve-se proceder à unificação das penas, não sendoaplicável o art. 76 do Código Penal". (HC 346.851/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma,julgado em 19/4/2016, DJe 5/5/2016). No mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL.SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO À PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE.CONVERSÃO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE.POSSIBILIDADE. INCOMPATIBILIDADE COM CUMPRIMENTO DA PENA ALTERNATIVA ANTERIORMENTE IMPOSTA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Para a caracterização do crime de associação para o tráfico é necessário o dolo de se associar com estabilidade e permanência. 2. A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de que, no caso de nova condenação a penas restritivas de direito a quem esteja cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto, é inviável a suspensão do cumprimento daquelas - ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, as penas restritivas de direito devem ser convertidas em sanção privativa de liberdade, unificando-se as reprimendas, nos termos dos arts. 181 e 111 da Lei de Execução Penal, respectivamente, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal (ut, HC 400.480/RS, Rei. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, DJe 21/9/2017). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 1880437/SE, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO.EXECUÇÃO PENAL. CUMPRIMENTO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME FECHADO. SUPERVENIÊNCIA DE CONDENAÇÃO A PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS. INCOMPATIBILIDADE DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO EM SANÇÃO CORPORAL E UNIFICAÇÃO DAS REPRIMENDAS. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 181 E 111 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL. INAPLICABILIDADE DO ART. 76 DO CÓDIGO PENAL.PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I - A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a concessão da ordem de ofício. II - A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de que, no caso de nova condenação a penas restritivas de direito a quem esteja cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto, é inviável a suspensão do cumprimento daquelas - ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, as penas restritivas de direito devem ser convertidas em sanção privativa de liberdade, unificando-se as reprimendas, nos termos dos arts. 181 e 111 da Lei de Execução Penal, respectivamente, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal. Precedentes. Habeas Corpus não conhecido. (HC 400.480/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 12/09/2017, DJe 21/09/2017) Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.