HC 675446 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque se trata de meio substitutivo de recurso próprio e não há flagrante ilegalidade a ser sanada; além disso, a unificação das penas nos termos do art. 111 da LEP e a conversão da pena restritiva em privativa, nos termos do art. 44, §5º do CP e art. 181, §1º, alínea 'e', da LEP,...
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- Parties
- Paciente: OSVALDO GUILHERME GARCIA BONFANTE; Impetrante: defesa; Respondente: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Legal Topics
- Conversão De Pena Restritiva De Direitos Em Privativa De Liberdade, Unificação De Penas, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Admissibilidade Monocrática Em Habeas Corpus, Art. 111 Da LEP, Art. 44 Do Código Penal, Art. 181 Da LEP
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Parties
OSVALDO GUILHERME GARCIA BONFANTE
Paciente
defesa
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Respondente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 admissibilidade de habeas corpus como substituto de recurso próprio
- 2 compatibilidade de cumprimento simultâneo de penas restritivas de direitos e privativas de liberdade
- 3 necessidade de unificação de penas nos termos do art. 111 da LEP
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque se trata de meio substitutivo de recurso próprio e não há flagrante ilegalidade a ser sanada; além disso, a unificação das penas nos termos do art. 111 da LEP e a conversão da pena restritiva em privativa, nos termos do art. 44, §5º do CP e art. 181, §1º, alínea 'e', da LEP, foram corretamente aplicadas diante da incompatibilidade de cumprimento simultâneo, inexistindo constrangimento ilegal.
Court Disposition
Não conheço do presente habeas corpus.
Orders
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor deOSVALDO GUILHERME GARCIA BONFANTEcontra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no Agravo em Execução n 0007786-22.2020.8.26.0026. Consta dos autos que Juízo das Execuções Criminais homologou cálculo de penas, unificando as penas e convertendo a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade(e-STJ, fls. 103/104). Inconformada, a defesa interpôs agravo em execução perante a Corte estadual, pugnando, dentre outros argumentos, pela retificação do cálculo de penas do sentenciado. O Tribunal, contudo, não conheceu do recurso, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 225): PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO. HOMOLOGATÓRIA DE CÁLCULOS. RECURSO DA DEFESA. Recurso interposto visando ao afastamento da unificação de penas e ao restabelecimento da pena restritiva de direitos. Impossibilidade de conhecimento do recurso. Agravo interposto contra decisão homologatória de cálculos, no entanto, impugnação referente a decisões proferidas nos anos de 2016 e 2018, relativas à conversão de restritiva de direitos em privativa de liberdade e à unificação de penas. Manifesta intempestividade do recurso, por, na realidade, impugnar decisões anteriores. Não conhecimento. Na presente impetração, a defesa sustenta que não há incompatibilidade entre pena restritiva de direitos e pena privativa de liberdade, uma vez que é da sistemática do nosso ordenamento penal que se cumpram primeiro as penas mais graves e por último as penas mais leves. Assevera a situação de superlotação dos presídios, argumentando, com isso, que,considerada a situação do sistema carcerário atual, é imperativo a compatibilidade das penas, sob pena de se permitir a continuidade de deplorável violação dos direitos da pessoa humana pelas condições insuportáveis dos estabelecimentos prisionais brasileiros. Requer, com isso, que sejam separadas as penas, devendo ser restabelecida a pena restritiva de direitos. É o relatório. Decido. As disposições previstas nos arts. 64, III, e 202 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com súmula ou a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, ou a contraria (AgRg no HC n. 513.993/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe 1º/7/2019; AgRg no HC n. 475.293/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 3/12/2018; AgRg no HC n. 499.838/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC n. 426.703/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018; e AgRg no RHC n. 37.622/RN, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido ( EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC n. 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). No que concerne ao conhecimento da impetração, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados, exemplificativos dessa nova orientação das Cortes Superiores do País: HC n. 320.818/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 21/5/2015, DJe 27/5/2015; e STF, HC n. 113.890/SC, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, julg. em 3/12/2013, DJ 28/2/2014. Assim, de início, incabível o presente habeas corpus substitutivo de recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, passa-se ao exame da insurgência para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. No caso, veja-se o teor do acórdão ora impetrado (e-STJ fls. 228/231): De qualquer forma, insta consignar que do artigo 44, § 5º, do Código Penal se infere que a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade é obrigatória quando o cumprimento simultâneodas penas não for possível, na medida em que imposta pena reclusiva em regime fechado, não podendo o penitente deixar o estabelecimento penal para cumprir a pena de prestação de serviços à comunidade. Em sintonia com o artigo acima indicado, encontra-se a norma contida no artigo 181, §1º, alínea "e", da Lei de Execução Penal, a qual prevê que a pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa, pouco importando se anterior ou não ao crime no qual imposta pena restritiva de direitos. .. Lado outro, o artigo 111 da Lei de Execuções Penais determina, em caso de nova condenação, a soma das penas para, então, ser estabelecido o regime de seu cumprimento. Portanto, as penas aplicadas em um ou mais processos contra o mesmo réu devem ser executadas pela somatória das condenações, com base na qual será determinado o regime de cumprimento, não se podendo falar em violação à coisa julgada. De fato, tratando-se de duas ou mais condenações submetidas à execução, a determinação do regime será feita após a unificação das penas, independentemente do regime aplicado a elas individualmente. Com efeito, acerca do tema, esta Corte Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a conversão poderá ocorrer quando houver incompatibilidade na execução da pena restritiva de direitos com a privativa de liberdade (art. 181, § 1º, alínea "e", da LEP e art. 44, § 5º, do Código Penal). Confira-se: PENAL E PROCESSUAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. PACIENTE QUE CUMPRIA PENA EM REGIME FECHADO. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO A PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS. UNIFICAÇÃO DE PENAS. SANÇÃO RESTRITIVA DE DIREITOS CONVERTIDA EM PRIVATIVA DE LIBERDADE. POSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, acompanhando a orientação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, firmou-se no sentido de que o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio, sob pena de desvirtuar a finalidade dessa garantia constitucional, exceto quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. 2. Independentemente de a condenação à pena restritiva de direitos ser anterior ou posterior à sanção privativa de liberdade, o único critério utilizável para manter a pena substitutiva é a compatibilidade de cumprimento simultâneo das reprimendas, quando da unificação. 3. Hipótese em que o paciente cumpria pena no regime fechado quando sobreveio nova condenação a duas penas restritivas de direitos. Inviável a manutenção da pena alternativa à privação da liberdade, pois incompatível com o regime em que já cumpria pena por condenações anteriores. 4. Correta a decisão impugnada que, após a unificação, determinou a conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade, nos termos do que disciplina o art. 111, parágrafo único, da Lei de Execuções Penais, não havendo que se falar em aplicação do art. 76 do Código Penal, haja vista a incompatibilidade mencionada. 5. Habeas corpus não conhecido. (HC 285.152/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 4/8/2015, DJe 18/8/2015). RECURSO ORDINÁRIO. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DAS PENAS. RESTRITIVA DE DIREITOS. PRIVATIVA DE LIBERDADE. UNIFICAÇÃO. PRESCRIÇÃO. SUPRESSÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. 1. O Juiz da execução pode converter a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade quando, sobrevindo nova condenação, o regime prisional fixado for incompatível com o cumprimento da pena restritiva de direitos. Precedentes. 2. Inviável o exame da alegação de prescrição, sob pena de supressão de instância, além de não estarem os autos instruídos com os elementos essenciais. 3. Recurso ordinário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, improvido. Prejudicado o agravo de fls. 107/109. (RHC 47.011/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 9/12/2014, DJe 3/2/2015) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. CONVERSÃO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE. POSSIBILIDADE. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO A PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. INCOMPATIBILIDADE COM CUMPRIMENTO DA PENA ALTERNATIVA ANTERIORMENTE IMPOSTA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. - Este Superior Tribunal de Justiça, na esteira do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, tem amoldado o cabimento do remédio heroico, adotando orientação no sentido de não mais admitir habeas corpus substitutivo de recurso ordinário/especial. Contudo, a luz dos princípios constitucionais, sobretudo o do devido processo legal e da ampla defesa, tem-se analisado as questões suscitadas na exordial a fim de se verificar a existência de constrangimento ilegal para, se for o caso, deferir-se a ordem de ofício. - A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que, nos termos do art. 181, § 1º, alínea "e", da LEP, c.c. art. 44, § 5º, do Código Penal, o Juiz da execução pode converter a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade se, durante a execução da pena, sobrevier nova condenação que torne incompatível o cumprimento da restritiva de direitos anteriormente imposta. - Diante da nova condenação no regime fechado, verifica-se a total incompatibilidade do cumprimento simultâneo com as restritivas de direitos consistentes na prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária anteriormente impostas. Habeas corpus não conhecido. (HC 259.204/RS, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD (Desembargadora Convocada do TJ/SE), Sexta Turma, julgado em 26/8/2014, DJe 10/9/2014) Nesses casos, nos termos do art. 111 da LEP, deve-se proceder à unificação das penas, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal. Nesse sentido: PENAL E EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. NOVA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL. PACIENTE QUE CUMPRE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME SEMIABERTO. NOVA CONDENAÇÃO A SANÇÕES RESTRITIVAS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO CONCOMITANTE OU DE SUSPENSÃO DAS PENAS ALTERNATIVAS. CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE QUE SE IMPÕE. NECESSIDADE DE UNIFICAÇÃO DAS PENAS. INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 76 E 111 DO CÓDIGO PENAL E DO ART. 181, § 1º DA LEP. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I - Não mais se admite, perfilhando o entendimento do col. Pretório Excelso e da eg. Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, a utilização de habeas corpus substitutivo quando cabível o recurso próprio, situação que implica o não conhecimento da impetração. Contudo, no caso de se verificar configurada flagrante ilegalidade, recomenda a jurisprudência a concessão da ordem de ofício. II - Esta Corte pacificou entendimento no sentido de que, no caso de nova condenação a penas restritivas de direito a quem esteja cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou intermediário, é inviável a suspensão do cumprimento daquelas - ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, nos termos do art. 111 da LEP, deve-se proceder à unificação das penas, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal. Habeas Corpus não conhecido. (HC 346.851/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 19/4/2016, DJe 5/5/2016) Na espécie, o ora paciente havia sido beneficiado com a substituição da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos, consistente em prestação de serviço à comunidade;todavia, ao ser somada a nova condenação referenteao Processo 3009384-49.2013.826.0802-2ª Vara Criminal de Jaú/SP, foi imposto o regime fechado, tornando incompatível a reprimenda anterior, em regime aberto, com o novo regime (e-STJ, fl. 103). Assim, não restou configurada flagrante ilegalidade, hábil a ocasionar o deferimento, de ofício, da ordem postulada. Diante do exposto, não conheço do presente habeas corpus. Intimem-se.