REsp 2224819 - DECISAO
Conheci do recurso especial e dei-lhe provimento, por entender lícita a cláusula estatutária de limitação de vagas e admissível a exigência de aprovação em processo seletivo para ingresso em cooperativa de trabalho médico, reformando o acórdão recorrido e julgando improcedente o pedido inicial, em conformidade com a...
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- Parties
- Recorrente: UNIMED DE SOROCABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 February 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Pelo STJ (recurso Conhecido E Provido)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido reformado; declarado lícita a cláusula de limitação de vagas; pedido inicial julgado improcedente; ônus sucumbenciais invertidos.
- Legal Topics
- Cooperativa De Trabalho Médico, Ingresso De Cooperados, Processo Seletivo, Princípio Das Portas Abertas, Limitação De Vagas
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Parties
UNIMED DE SOROCABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Pelo STJ (recurso Conhecido E Provido)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de limitação do número de cooperados por meio de critérios internos e processo seletivo
- 2 Legalidade da exigência de aprovação em processo seletivo para ingresso em cooperativa médica
- 3 Aplicação dos arts. 4º, I; 21, II; e 29 da Lei nº 5.764/1971
Ratio Decidendi
Conheci do recurso especial e dei-lhe provimento, por entender lícita a cláusula estatutária de limitação de vagas e admissível a exigência de aprovação em processo seletivo para ingresso em cooperativa de trabalho médico, reformando o acórdão recorrido e julgando improcedente o pedido inicial, em conformidade com a jurisprudência do STJ sobre a matéria.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido reformado; declarado lícita a cláusula de limitação de vagas; pedido inicial julgado improcedente; ônus sucumbenciais invertidos.
Orders
- Conhecer e prover o recurso especial.
- Reformar o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de Recurso Especial interposto por UNIMED DE SOROCABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (e-STJ, fls. 273): EMENTA: DIREITO CIVIL. COOPERATIVA. APELAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em Exame. Ação de obrigações de fazer movida por médico em face de cooperativa de trabalhos médicos, julgada procedente, para admitir o autor como médico cooperado na especialidade de Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular. Apela a ré, sustentando a legalidade da exigência de aprovação em processo seletivo para ingresso como cooperado. II. Questão em Discussão. A questão em discussão consiste na possibilidade de limitação do número de cooperados pela cooperativa de trabalho médico apelante, mediante critérios internos de avaliação e seleção pública. III. Razões de Decidir. O enunciado 10 do Grupo Reservado de Direito Empresarial do TJSP estabelece que a exigência de aprovação em processo seletivo para ingresso em cooperativa viola o princípio das portas abertas. A adesão voluntária à cooperativa deve ser ilimitada, salvo inviabilidade técnica de prestação de serviço, conforme art. 4º, I, da Lei 5.764/71. A impossibilidade técnica prevista como requisito legal para inibir a adesão à cooperativa apenas deve ser admitida em relação à capacidade técnica do cooperado, isto é, somente quando diz com a capacitação para o exercício da profissão - Inviabilidade da restrição de acesso, por limitação de vagas. IV. Dispositivo e Tese. Dispositivo: recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A exigência de processo seletivo para ingresso em cooperativa médica não tem base legal. 2. O princípio das portas abertas deve ser respeitado, permitindo livre acesso a quem comprovar capacidade técnica. Segundo a parte recorrente, o recurso preenche os requisitos necessários ao conhecimento e provimento. Intimada nos termos do art. 1.030 do Código de Processo Civil, a parte recorrida afirmou a inexistência de requisitos ou elementos aptos a promover a alteração do julgado impugnado. É o relatório. DECIDO. O recurso especial é tempestivo e cabível, pois interposto em face de decisão que negou provimento ao recurso de apelação interposto na origem (art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal). No presente processo, a parte afirma, em suma, que estão presentes os requisitos para o conhecimento e provimento de seu recurso. O recurso especial é tempestivo e cabível, pois interposto em face de decisão que negou provimento ao recurso de apelação interposto na origem (art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal). No presente processo, a parte afirma, em suma, que estão presentes os requisitos para o conhecimento e provimento de seu recurso. Ocorre, contudo, que a questão já foi enfrentada pela decisão recorrida, que analisou detidamente todas as questões jurídicas postas. A análise dos autos indica que a Corte de origem adotou entendimento desalinhado ao perfilhado pela jurisprudência desta Corte, indicando ocorrência de violação aos arts. 4º, I; 21, II; e 29 da Lei nº 5.764/1971. Com efeito, em demandas com a mesma causa de pedir, este colegiado vem se manifestando da seguinte forma: "Consoante a jurisprudência do STJ, é lícita a exigência de prévia aprovação em processo seletivo como requisito para o ingresso em Cooperativa de Trabalho Médico. Admite-se a limitação, de forma impessoal e objetiva, do número de vagas no processo seletivo para ingresso em Cooperativa de Trabalho Médico, tendo em vista o mercado para a especialidade e o necessário equilíbrio financeiro da entidade" (AgInt no AREsp n. 2.261.243/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.4.2023, DJe de 26.4.2023) No mesmo sentido a Quarta Turma: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. LIMITAÇÃO DE INGRESSO JUSTIFICADA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS DA LIVRE ADESÃO VOLUNTÁRIA E "PORTAS ABERTAS". AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ANÁLISE À LUZ DO REGRAMENTO DAS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. 1. A jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que o princípio das "portas abertas", característico do sistema jurídico das cooperativas, comporta as duas ordens de restrições ao ingresso do interessado: a primeira, contida no artigo 4º, I, referente à própria logística de prestação de serviços pela entidade, que pode encontrar limites operacionais de ordem técnica; e a segunda, prevista no art. 29, relacionada aos propósitos sociais da cooperativa e ao preenchimento, pelo aspirante, das condições estabelecidas no estatuto, as quais podem versar, inclusive, sobre restrições a categorias de atividade ou profissão. 2. "Consoante a jurisprudência do STJ, é lícita a exigência de prévia aprovação em processo seletivo como requisito para o ingresso em Cooperativa de Trabalho Médico. Admite-se a limitação, de forma impessoal e objetiva, do número de vagas no processo seletivo para ingresso em Cooperativa de Trabalho Médico, tendo em vista o mercado para a especialidade e o necessário equilíbrio financeiro da entidade" (AgInt no AREsp n. 2.261.243/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.4.2023, DJe de 26.4.2023). 3. Recurso especial a que se dá provimento. (REsp n. 1.861.838/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 1/12/2025, DJEN de 4/12/2025.) Com efeito, ao assentar que a recorrente encontra-se sujeita ao Princípio da Porta Aberta, a corte de origem dissentiu do entendimento firmado por esta corte o qual, embora pendente de acertamento definitivo por ocasião do julgamento do Tema 1212 e, como visto, dominante. Ante o exposto, conheço do recurso especial e lhe dou provimento para reformar o acórdão recorrido e declarar a licitude da cláusula de limitação de vagas, julgando, assim, improcedente o pedido inicial. Inverto os ônus sucumbenciais fixados pela segunda instância. EMENTA