AREsp 2635125 - DECISAO
O Tribunal manteve a decisão de origem por entender que não houve violação do art. 1.022 do CPC e que o Tribunal de origem examinou adequadamente as questões suscitadas; no mérito, concluiu-se que a operadora não comprovou ter informado inequivocamente o consumidor sobre a cláusula de coparticipação (ônus que lhe...
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- Parties
- Agravante: AMIL ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Agravo improvido
- Legal Topics
- Coparticipação, Internação Psiquiátrica, Dever De Informação, Dano Moral, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas 5 E 7/stj, Tema 1.032
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Parties
AMIL ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC
- 2 aplicabilidade e abusividade da cláusula de coparticipação em internação psiquiátrica
- 3 dever de informação do fornecedor (art. 6º, III, CDC)
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve a decisão de origem por entender que não houve violação do art. 1.022 do CPC e que o Tribunal de origem examinou adequadamente as questões suscitadas; no mérito, concluiu-se que a operadora não comprovou ter informado inequivocamente o consumidor sobre a cláusula de coparticipação (ônus que lhe competia nos termos do art. 373, II, CPC), caracterizando falha no dever de informação (art. 6.º, III, CDC) e cabendo indenização por danos morais, além de ser inviável em sede de recurso especial reconsiderar prova e cláusulas contratuais em face das Súmulas 5 e 7 do STJ; por esses fundamentos, negou-se provimento ao agravo em recurso especial.
Court Disposition
Agravo improvido
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majorar os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por AMIL ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 798-799): Apelação Cível. Pretensão do autor de compelir a ré a manter a cobertura da sua internação em clínica psiquiátrica, sem qualquer cobrança extra, com declaração de nulidade da cláusula de limitação temporal, e de receber indenização por dano moral, sob o fundamento, em síntese, de que a operadora do plano de saúde está lhe cobrando valores a título de coparticipação para a continuidade do seu tratamento. Sentença de procedência do pedido. Inconformismo da demandada. Relação de Consumo. Responsabilidade Civil Objetiva. Súmula 608 do Superior Tribunal de Justiça. Entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não há que se falar em abusividade da cláusula contratual que estabelece a cobrança de coparticipação equivalente, no caso de internação psiquiátrica, a partir do trigésimo dia, quando expressamente ajustada e informada ao consumidor (Tema 1.032). Todavia, na espécie, a fornecedora do plano de saúde deixou de comprovar que forneceu ciência inequívoca sobre os aspectos do negócio jurídico firmado, ante a inexistência de qualquer indicação clara e expressa de que a cobertura referente à internação psiquiátrica se inseria no regime de coparticipação. Violação ao dever de informação, previsto no artigo 6.º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor. Operadora, portanto, que deve custear o tratamento prescrito. Dano moral que, in casu, é in re ipsa, conforme teor da Súmula 209 deste Tribunal. Arbitramento equitativo pelo sistema bifásico, que leva em conta a valorização do interesse jurídico lesado e as circunstâncias do caso concreto. Autor que ficou desemparado no momento em que necessitava do serviço, diante do seu quadro clínico, o que gera uma verdadeira quebra de confiança e de expectativa, bem como risco à sua saúde e à sua vida, sendo presumíveis a frustração e a angústia suportadas pelo mesmo. Verba indenizatória, arbitrada em R$ 10.000,00 (dez mil reais), que não merece ser reduzida. Manutenção do decisum que se impõe. Recurso ao qual se nega provimento, majorando-se os honorários advocatícios devidos por ela em 5% (cinco por cento) sobre o quantum fixado pelo Magistrado a quo, nos termos do § 11 do artigo 85 do estatuto processual civil, observada a gratuidade de justiça deferida à demandante. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 866-870) No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 1.022, do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, violação dos art. 12, VI e 16, VIII da Lei n. 9.656/98 e 186 do Código Civil Sustenta, em síntese, que a cláusula de coparticipação está em conformidade com a legislação vigente e não é abusiva, pois foi informada claramente ao consumidor. Alega que não houve ilicitude na negativa de cobertura, pois agiu conforme o contrato, o que afasta o dever de indenizar. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 924-928). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls.), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 993-996). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Inicialmente, não há falar em ofensa ao art. 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem ao negar provimento à apelação deixou claro que (fls. 801-802): .. o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Recursos Especiais n. os 1.809.486/SP e 1.755.866/SP, da relatoria do Ministro Marco Buzzi, em sede de recursos repetitivos, firmou a tese, cadastrada sob o Tema 1.032, de que não há que se falar em abusividade da cláusula contratual que estabelece a cobrança de coparticipação equivalente, no caso de internação psiquiátrica, a partir do trigésimo dia, quando expressamente ajustada e informada ao consumidor, à razão máxima de 50% (cinquenta por cento) do valor das despesas, in verbis: "Nos contratos de plano de saúde não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente ajustada e informada ao consumidor, à razão máxima de 50% (cinquenta por cento) do valor das despesas, nos casos de internação superior a 30 (trinta) dias por ano, decorrente de transtornos psiquiátricos, preservada a manutenção do equilíbrio financeiro". Ocorre que, na espécie, a operadora do plano de saúde deixou de comprovar, ônus que lhe competia, na forma do artigo 373, inciso II, do estatuto processual civil, que forneceu ciência inequívoca sobre os aspectos do negócio jurídico firmado, ante a inexistência de qualquer indicação clara e expressa de que a cobertura referente à internação psiquiátrica se inseria no regime de coparticipação, conforme previsto no artigo 6.º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor, o qual prevê como direito básico deste a obtenção de informação adequada sobre diferentes produtos e serviços, como a especificação correta de quantidade, as características, a composição, a qualidade, os tributos incidentes e o preço. Observa-se, portanto, que a lide foi solucionada em conformidade ao que foi apresentado em juízo. Verifica-se que o acórdão recorrido possui fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. A propósito, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. UTILIDADE PÚBLICA. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ARTIGO 1022, II, DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO TOTAL DA MATÉRIA EM REEXAME NECESSÁRIO. SÚMULA 325/STJ. NECESSIDADE DE ALUGAR IMÓVEL LINDEIRO PARA ALTERAR ACESSO A LOJA. INDENIZAÇÃO AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO. SÚMULA 7/ STJ. 1. Os arts. 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil não foram ofendidos. A pretexto de apontar a existência de erros materiais, omissão e premissas erradas, a parte agravante quer modificar as conclusões adotadas pelo aresto vergastado a partir das informações detalhadas do laudo pericial. .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.974.188/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 4/11/2022.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. DANO MORAL. SUSPENSÃO DO FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE ÁGUA . DEMORA INJUSTIFICADA NO RESTABELECIMENTO DO SERVIÇO. ARTS. 489, § 1º, E 1022, II, DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. DEVER DE INDENIZAR. REQUISITOS PARA A RESPONSABILIZAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA. ACÓRDÃO ANCORADO NO SUBSTRATO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. VALOR DA INDENIZAÇÃO. EXCESSO NÃO CARACTERIZADO. 1. Cuida-se de ação de procedimento ordinário ajuizada em desfavor de SAMAR - Soluções Ambientais de Araçatuba, com o fim de obter indenização pelos danos morais que alega ter sofrido com suspensão do serviço de água na residência da autora. 2. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos. .. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.118.594/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 25/11/2022 - grifo nosso.) No mérito, o recurso especial também não merece prosperar porquanto encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça, pois alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à ocorrência de falha no dever de informar e ao cabimento dos danos morais, exige a revisão de cláusulas contratuais e reexame de fatos e provas, o que é vedado, em recurso especial, pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. A propósito, cito o seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA. SITUAÇÃO DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA. COBERTURA NEGADA. COPARTICIPAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRATAÇÃO. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. DANOS MORAIS. 1. Nos contratos de plano de saúde não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente ajustada e informada ao consumidor, à razão máxima de 50% (cinquenta por cento) do valor das despesas, nos casos de internação superior a 30 (trinta) dias por ano, decorrente de transtornos psiquiátricos, preservada a manutenção do equilíbrio financeiro (Tema Repetitivo nº 1.032). 2. Na hipótese, rever a conclusão das instâncias ordinárias, que asseveraram que a cláusula de coparticipação em internações psiquiátricas não foi contratada pelas partes, de modo que a cobrança não poderia ser realizada pela operadora de plano de saúde, encontra óbice nas Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 3. A recusa indevida, pela operadora de plano de saúde, de autorizar tratamento médico de urgência ou de emergência enseja reparação a título de danos morais, pois tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do usuário, já abalado e com a saúde debilitada. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.831.676/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. ATENDIMENTO PLEITEADO FORA DA ÁREA DE COBERTURA. FALHA NO DEVER DE INFORMAÇÃO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. EXCLUSÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO E DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. O Tribunal de origem expressamente consignou que a recorrente não comprovou que o paciente havia sido prévia e claramente informado sobre a abrangência geográfica do plano de saúde, descumprindo, assim, o seu dever de informação, previsto estatuto consumerista. A modificação de tal entendimento demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor das Súmulas 5 e 7/STJ. 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o descumprimento contratual por parte da operadora de saúde, que culmina em negativa de cobertura para procedimento de saúde, somente enseja reparação a título de danos morais quando houver agravamento da condição de dor, abalo psicológico ou prejuízos à saúde já debilitada do paciente, o que não restou demonstrado no caso dos autos. Provimento no ponto. 3. Agravo interno provido para, reconsiderando a decisão agravada, conhecer do agravo para dar parcial provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 2.113.763/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 3/4/2023.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA. CLÁUSULA DE COPARTICIPAÇÃO. FALHA NO DEVER DE INFORMAR . DANOS MORAIS CONFIGURADOS. REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO