RMS 67641 - DECISAO
O recurso foi negado porque a jurisprudência do STJ e do STF impede o Judiciário de revisar critérios de elaboração e correção de provas de concurso público, salvo flagrante ilegalidade; no caso, embora a banca tenha adotado critérios não previstos no edital, não ficou demonstrado que tal irregularidade foi a causa...
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- Parties
- Impetrante/recorrente: LEONARDO MATOS DIAS; Autoridade Coatora: Secretário da Administração do Estado da Bahia; Autoridade Coatora: Delegado Geral da Polícia Civil do Estado da Bahia; Interveniente (parecer): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Julgamento Do Recurso Ordinário Pelo STJ
- Outcome
- nega-se provimento ao recurso ordinário do particular
- Legal Topics
- Correção De Prova, Vinculação Ao Edital, Separação Dos Poderes, Cláusula De Barreira, Direito Líquido E Certo
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Parties
LEONARDO MATOS DIAS
Impetrante/recorrente
Secretário da Administração do Estado da Bahia
Autoridade Coatora
Delegado Geral da Polícia Civil do Estado da Bahia
Autoridade Coatora
Ministério Público Federal
Interveniente (parecer)
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Julgamento Do Recurso Ordinário Pelo STJ
Legal Issues
- 1 competência do Judiciário para reavaliar critérios de correção de provas de concurso público
- 2 ilegalidade por adoção de critério de correção não previsto no edital
- 3 necessidade de prova pré-constituída e vedação à dilação probatória na via mandamental
Ratio Decidendi
O recurso foi negado porque a jurisprudência do STJ e do STF impede o Judiciário de revisar critérios de elaboração e correção de provas de concurso público, salvo flagrante ilegalidade; no caso, embora a banca tenha adotado critérios não previstos no edital, não ficou demonstrado que tal irregularidade foi a causa da eliminação do candidato, pois ele não alcançou a pontuação mínima exigida para a correção da prova discursiva, não havendo direito líquido e certo e não sendo cabível dilação probatória na via mandamental.
Court Disposition
nega-se provimento ao recurso ordinário do particular
Orders
- Nega-se provimento ao Recurso Ordinário do Particular.
- Publique-se. Intimações necessárias.
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1 paragraphs
DECISÃO ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. QUESTIONAMENTO ACERCA DA CORREÇÃO DA PROVA OBJETIVA. IMPOSSIBILIDADE DE REAPRECIAÇÃO PELO PODER JUDICIÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO DO PARTICULAR A QUE SE NEGA PROVIMENTO 1. Trata-se de recurso ordinário em Mandado de Segurança interposto por LEONARDO MATOS DIAS, com fundamento no art. 105, inciso II, alínea b, da CF/1988, contra acórdão proferido pelo egrégio TJBA, assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL. PRELIMINAR DE CARÊNCIA DE AÇÃO, ILEGITIMIDADE PASSIVA E DECADÊNCIA. REJEIÇÃO. MÉRITO. ADOÇÃO DE CRITÉRIO DE CORREÇÃO DA PROVA OBJETIVA NÃO PREVISTO NO EDITAL. ILEGALIDADE. FATO QUE POR SI SÓ NÃO HABILITA O IMPETRANTE A PROSSEGUIR NO CERTAME. CANDIDATO QUE NÃO ATINGIU A PONTUAÇÃO MÍNIMA EXIGIDA PARA A CORREÇÃO DA PROVA DISCURSIVA. VIOLAÇÃO A DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO COMPROVADA. SEGURANÇA DENEGADA (fls. 1581/1601). 2. Nas razões do seu recurso (fls. 1.603/1.616), a parte recorrente requer o provimento do recurso para concessão da ordem , pois abanca alterou o critério de correção no curso do concurso, considerando o bloco das questões deconhecimentos e bloco de questões específicas como se fossem provas distintas, atribuindo lhes uma nota de 0 a 100 a cada uma delas. Sustenta que isso resultou em atribuição de pesos distintos para as questões de conhecimentos gerais e específicos, ficando, respectivamente, 3,33 pontos e 1,42 pontos. Sem previsão no edital do concurso, a banca beneficiou os candidatos que obtiveram maiores acertos na prova de conhecimentos gerais, ferindo a cláusula de barreira. 3. O Ministério Público Federal, em parecer da lavra do douta Subprocuradora-Geral da RepúblicaEITEL SANTIAGO DE BRITO PEREIRA, opinou pelo não provimento do recurso ordinário , nos termos seguintes: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DA BAHIA. CRITÉRIO DE AFERIÇÃO DAS NOTAS DA PROVA OBJETIVA DIVERSO DO PREVISTO NO EDITAL. ACÓRDÃO FUNDAMENTADO NA OBSER- VÂNCIA DOS CRITÉRIOS DE CORREÇÃO DA PROVA OBJETIVA FIXADOS NO EDITAL E NA ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO EM VIRTUDE DA CLÁUSULA DE BARREIRA. RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO RELEVANTE DO ARESTO RECORRI- DO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. SÚMULA 283 DO STF. FALTA DE REGULARIDADE FORMAL. PELO NÃOCONHECIMENTO DO RECURSO(fls. 1642/1646). 4. É o relatório. 5. Cuida-se, na origem, de Mandado de Segurança,contra ato supostamente ilegal atribuído ao Secretário da Administração do Estado da Bahia e ao Delegado Geral da Polícia Civil do Estado da Bahia, consistente em sua não habilitação para a 2a. etapa (prova discursiva) do concurso público para Investigador de Polícia (Edital SAEB/01/2018), em razão de supostas irregularidades na correção das provas objetivas (1a. fase do certame). 6. Em relação à matéria em debate, é firme a jurisprudência desta Corte Superior ao dispor que, em regra, não compete ao Poder Judiciário apreciar critérios na formulação e correção das provas, tendo em vista que, em respeito ao princípio da separação de poderes consagrado na Constituição Federal, é da banca examinadora desses certames a responsabilidade pelo seu exame. Assenta-se, ainda, que, excepcionalmente, havendo flagrante ilegalidade, tem-se admitido a intervenção pelo Judiciário por ofensa ao princípio da legalidade e da vinculação ao edital. A esse respeito, convém a transcrição dos seguintes precedentes desta Corte Superior: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. CONCURSO PÚBLICO. AVALIAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE CORREÇÃO DAS PROVAS E DE ATRIBUIÇÃO DE NOTAS. FALTA DE COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. CONSTATAÇÃO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE NA VIA MANDAMENTAL. I. Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo,in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm entendimento consolidado segundo o qual não compete ao Poder Judiciário reavaliar os critérios empregados por banca examinadora na correção de prova de concurso público, bem como avaliar a atribuição de notas dada aos candidatos, ressalvado o exame da legalidade dos procedimentos e a análise da compatibilidade entre o conteúdo cobrado e o previsto no edital. III. No caso, constatou-se a ausência de prova pré-constituída do direito alegado, porquanto não evidenciada, de pronto, a existência de vícios na avaliação, sendo a dilação probatória providência vedada na via mandamental. Documento: 108099602 Página 2 de 5 Superior Tribunal de Justiça IV - O Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V -Agravo Interno improvido. (AgInt no RMS 49.239/MS, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 10.11.2016). ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. EDITAL 376/2014-PGJ. PROMOTOR DE JUSTIÇA DE ENTRÂNCIA INICIAL. INVALIDAÇÃO DA QUESTÃO 4 DO GRUPO TEMÁTICO IV DA PROVA DISSERTATIVA. HIPÓTESE EM QUE O EDITAL DO CONCURSO ESTABELECEU AS REGRAS DA FASE DISCURSIVA, PREVENDO QUE SERIAM COBRADOS CONHECIMENTOS SOBRE LOTEAMENTOS E CONDOMÍNIOS. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Cuida-se, na origem, de Mandado de Segurança impetrado contra ato praticado pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul na condição de Presidente da Comissão Examinadora do XLVII Concurso para a Carreira do Ministério Público. 2. Consoante a jurisprudência do STJ, ao Poder Judiciário, no tocante a questões relativas a concurso público, cabe, tão somente, apreciar a legalidade do certame, sendo-lhe vedado substituir-se à banca examinadora, para apreciar os critérios utilizados para a elaboração e correção das provas, sob pena de indevida interferência no mérito do ato administrativo. 3. No caso concreto, conforme bem destacado no acórdão recorrido, o edital do concurso público estabeleceu as regras da fase discursiva, prevendo que seria cobrado conhecimentos sobre loteamentos e condomínios. Diante desse panorama, não se vislumbra qualquer ilegalidade por parte da Banca Examinadora. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no RMS 50.342/RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 5.9.2016). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CRITÉRIOS DE CORREÇÃO DE PROVA. SINDICÂNCIA, PELO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ E DO STF, EM REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que eventual nulidade da decisão monocrática fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de Agravo Interno (AgRg no Ag 1.166.418/ RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 13.11.09 (STJ, AgRg no AREsp 627.258/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17.4.2015). II. É firme a compreensão do STJ no sentido de que não é possível ao Poder Judiciário imiscuir-se na revisão das provas de concurso público, somente atendo-se à juridicidade. Precedentes: RMS 41.785/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16.12.2013; RMS 43.139/DF, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 24.9.2013; e AgRg no RMS 25.608/ES, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Sexta Turma, DJe 23.9.2013 (STJ, RMS 45.660/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 26.8.2014). Na mesma linha, recentemente - em 23.4.2015 -, o Plenário do STF, apreciando o Tema 485 da Repercussão Geral, nos termos do voto do Relator, Ministro GILMAR MENDES, conheceu e deu provimento ao RE 632.853/CE, para fixar a tese de que não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas. Precedentes. Excepcionalmente, é permitido ao Judiciário juízo de compatibilidade do conteúdo das questões do concurso com o previsto no edital do certame (DJe de 29.6.2015). Em igual sentido: STF, ACO 1.936- AgR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 26.5.2015. III. Agravo Regimental improvido.(AgRg no RMS 47.741/MS, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, DJe 2.12.2015). 7. Não é diferente o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, tendo, inclusive, julgado a matéria em sede de repercussão geral. A propósito: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Concurso público. Correção de prova. Não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas. Precedentes. 3. Excepcionalmente, é permitido ao Judiciário juízo de compatibilidade do conteúdo das questões do concurso com o previsto no edital do certame. Precedentes. 4. Recurso extraordinário provido (RE 632.853, Rel. Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, DJe 29.6.2015). 8. Estabelecidas as diretrizes, passa-se à apreciação do caso em apreço. 9. O Tribunal de origem assim consignou: Logo, no caso concreto, muito embora a banca examinadora tenha adotado critérios não previstos na norma editalícia, em flagrante afronta aos princípios da legalidade e publicidade, tais irregularidades, por si só, não foram as responsáveis pela eliminação do candidato no certame, tendo em vista que este não atingiu a pontuação mínima exigida para a correção de sua prova discursiva, o que afasta a possibilidade de acolhimento da sua pretensão. Portanto, da análise dos autos, certo é que a prova pré-constituída trazida pelo impetrante não se perfaz suficiente para demonstração de plano da plausibilidade do direito vindicado (fls. 1.590). 9. A leitura atenta dos documentos que instruem o feito, sobretudo das cópias das questões, revela inexistir a ilegalidade apontada. O julgamento dos recursos da parte autora em relação à nota que lhe fora atribuída, realizado pela Comissão responsável pela análise, foi concluído, não havendo prova de qualquer irregularidade praticada pela banca examinadora. 10. Desse modo, não há direito líquido e certo a ser amparado na via domandamus. 11. Ante o exposto, nega-se provimento ao Recurso Ordinário do Particular. 12. Publique-se. Intimações necessárias.