AREsp 2784583 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem não enfrentou as questões de direito suscitadas (falta de prequestionamento), e porque houve deficiência de fundamentação em relação a alegações de violação dos arts. 9º e 10 do CPC, de modo que não foram preenchidos os...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: ESTADO DE ALAGOAS; Recorrido: Recorrido
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Correção Do Valor Da Causa, Vedação À Decisão Surpresa (art.10 Cpc), Prequestionamento/omissão (art.1.022 Cpc), Admissibilidade Do Recurso Especial, Deficiência De Fundamentação (súmula 284 STF Por Analogia), Art.321 CPC Emenda Da Inicial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DE ALAGOAS
Recorrente
Recorrido
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se houve prequestionamento suficiente para acesso ao recurso especial
- 2 se a correção do valor da causa pode ser realizada ex officio sem prévia oitiva da parte adversa
- 3 se a deficiência de fundamentação impede o conhecimento do recurso (Súmula 284 STF por analogia)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem não enfrentou as questões de direito suscitadas (falta de prequestionamento), e porque houve deficiência de fundamentação em relação a alegações de violação dos arts. 9º e 10 do CPC, de modo que não foram preenchidos os requisitos constitucionais e processuais para o acesso ao recurso especial; assim, aplicaram-se, por analogia, as súmulas do STF relativas ao prequestionamento e à deficiência de fundamentação.
Court Disposition
conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- conheço do agravo
- não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que não admitiu o recurso especial pelo qual o ESTADO DE ALAGOAS se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS assim ementado (fl. 66): AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. VIOLAÇÃO À REGRA DA VEDAÇÃO À DECISÃO SURPRESA. ART. 10, DO CPC. JUIZ QUE NÃO PODE DECIDIR, INCLUSIVE NAS MATÉRIAS DE OFÍCIO, SEM QUE A OUTRA PARTE SEJA OUVIDA. CORREÇÃO DO VALOR DA CAUSA. NÃO OITIVA DA PARTE ADVERSA SOBRE A CITADA CORREÇÃO. FIXAÇÃO DE PRAZO EXÍGUO PARA EMENDA E RECOLHIMENTO DE CUSTAS PROCESSUAIS. PROLAÇÃO DE SENTENÇA EXTINTIVA DO MS PELO FATO, JUSTAMENTE, DA PARTE AGRAVANTE NÃO TER EMENDADO A INICIAL E RECOLHIDO AS NOVAS CUSTAS PROCESSUAIS. EQUÍVOCO. NULIDADE DA DECISÃO. TESE DE QUE, NO MANDADO DE SEGURANÇA, O VALOR DA CAUSA CORRESPONDE AO SEU OBJETO. ACOLHIMENTO. OBJETO QUE É A LEGALIDADE OU NÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CALCULAR O PROVEITO ECONÔMICO IMEDIATO DO MS. VALOR QUE DEVE SER INFORMADO POR ESTIMATIVA. ART. 291, DO CPC. REVOGAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Não foram opostos embargos de declaração. Nas razões de seu recurso especial, a parte recorrente alega que foram violados os arts. 9º, 10, 291, 292, caput, II e § 3º, e 321 do Código de Processo Civil (CPC). Defende que a ordem de emenda à petição inicial para a correção do valor da causa está de acordo com o disposto no art. 321 do CPC, o qual institui mecanismo que assegura prazo para a correção de vícios. Sustenta que a concessão de prazo para emendar a inicial é compatível com o princípio da primazia do julgamento do mérito, não equivalendo à imposição imediata de recolhimento de custas ou à extinção do processo, e é recorrível. Afirma que "os pedidos do mandado de segurança evidenciam que o Recorrido busca a adjudicação do objeto e a celebração do contrato administrativo (de caráter oneroso), e não apenas a impugnação do ato de inabilitação" (fl. 86). Para tanto, pondera que (fl. 86) .. o Recorrido não pediu apenas para prosseguir na licitação, mas para ser declarado vencedor sobretudo porque tem interesse no recebimento dos R$ 45.965.632,42 (quarenta e cinco milhões, novecentos e sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos) de sua proposta na licitação - qual seja o proveito econômico pretendido. Ademais, a petição inicia evidencia que a definição do valor da causa foi motivada somente para efeito fiscal (pagamento de custas), e não por ser o valor certo nos termos dos arts. 291 e 292 do CPC. Isto é, buscou-se tão somente a redução do valor das custas, e não a valoração do ato administrativo a ser anulado e da adjudicação do objeto licitado. Requer que seja dado provimento ao recurso. A parte adversa não apresentou contrarrazões (fl. 151). O recurso não foi admitido, razão pela qual foi interposto o agravo em recurso especial ora em análise. É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. O art. 321 do CPC, assim como as teses recursais vinculadas aos arts. 291 e 292, caput, II e § 3º, do CPC segundo as quais "o Recorrido não pediu apenas para prosseguir na licitação, mas para ser declarado vencedor" (fl. 86) e "a definição do valor da causa foi motivada somente para efeito fiscal .. . Isto é, buscou-se tão somente a redução do valor das custas, e não a valoração do ato administrativo a ser anulado e da adjudicação do objeto licitado" (fl. 86) não foram apreciado s pelo Tribunal de origem, e não foram opostos embargos de declaração com o objetivo de sanar eventual omissão da questão de direito controvertida. A falta de enfrentamento no acórdão recorrido da matéria objeto do recurso impede o acesso a esta instância por não ter sido preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidem no presente caso, por analogia, as Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal (STF). Para que se configure o prequestionamento, não basta que a parte recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal. É necessário que a causa seja decidida à luz da legislação federal indicada, bem como que seja exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a tese recursal a ele vinculada, interpretando-se sua incidência ou não no caso concreto. Ausente pronunciamento do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS sobre o ponto, caberia, inicialmente, suscitá-lo em embargos de declaração. Mantida a omissão, deveria a parte interessada deduzir a nulidade do julgamento por violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, o que não foi feito no caso dos autos. O recurso especial tem como uma de suas características a fundamentação vinculada, sendo imprescindível que em suas razões sejam apontados os dispositivos de lei que teriam sido violados pelo acórdão recorrido, com a indicação, de forma clara e direta, da interpretação que se entende deva ser dada à norma, não bastando a mera citação dos dispositivos de lei. Neste caso, no que se refere à alegação de violação dos arts. 9º e 10 do CPC, a parte recorrente não fez sua indicação acompanhada de argumentação específica sobre o modo como foram violados, assim, há deficiência de fundamentação, razão pela qual incide no ponto, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal e dessa parte do recurso não é possível conhecer. No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NOS CÁLCULOS DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS. ADEQUAÇÃO DA MEMÓRIA DE CÁLCULO AO TÍTULO JUDICIAL EXECUTIVO. SÚMULA 7/STJ. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 284/STF. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. .. 3. O recorrente não enfrentou especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a apresentar argumentação genérica sobre a suposta violação legal, o que atrai a incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia, em razão da deficiência na fundamentação do Recurso. 4. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de ser inadmissível o Recurso Especial quando o agravante não demonstra de forma adequada e específica o equívoco na decisão que não admitiu o Recurso, conforme princípio da dialeticidade. .. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.409.038/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/3/2024, DJe de 7/5/2024, sem destaque no original.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. CONSELHO PROFISSIONAL. ANUIDADE. REGULAR CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 07/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. .. II - Revela-se deficiente a argumentação quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. .. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.921.863/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 22/3/2021, DJe de 25/3/2021, sem destaque no original.) Ademais, quanto ao cerne da insurgência recursal, o Tribunal de origem decidiu que, embora a sistemática processualista disponha que a correção do valor da causa possa ser realizada ex officio, o CPC é explícito no sentido que o juiz não pode decidir, inclusive nas matérias que tenha de agir de ofício, sem que a outra parte seja ouvida. Registrou, igualmente, que o CPC traz as hipóteses nas quais a prévia oitiva da parte interessada é dispensada dentre as quais não se encontra a aludida correção do valor da causa. Nesse contexto, a Corte local concluiu que fora violada a regra da vedação à decisão surpresa, pois a consequência da ausência de oitiva da parte sobre a correção do valor da causa fora a fixação de prazo exíguo para o recolhimento de custas processuais, o que acarretara grande prejuízo à parte ora agravada. Por ser oportuno, transcrevo a fundamentação apresentada no acórdão recorrido (fls. 71/72): No que diz respeito à violação à regra da vedação à decisão surpresa, prevista no art. 10 do CPC, segundo o qual o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício, estou certo de que a decisão que corrige o valor da causa, sem oportunizar manifestação da parte adversa, incorre na referida violação. Ora, o CPC é explícito que o juiz não pode decidir, inclusive nas matérias que tenha de decidir de ofício, sem que a outra parte seja ouvida. A correção do valor da causa, embora seja matéria de ofício (art. 292, § 3º, do CPC), não está excluída desta sistemática, sendo certo que o próprio CPC disciplinou os casos em que a prévia oitiva da parte adversa é dispensada: .. No presente caso, a consequência da não oitiva da parte adversa para falar sobre a correção do valo da causa foi, na prática, fixação de prazo exíguo para o recolhimento de custas processuais calculadas em R$ 16.262,91 (dezesseis mil, duzentos e sessenta e dois reais e noventa um centavos) (fls. 35/36), o que, estou certo, representou grandessíssimo prejuízo à parte agravante. Portanto, a meu sentir, a decisão agravada incorre em violação à regra expressa do CPC e, por isso, deve ser considerada nula. Na peça recursal, todavia, a parte recorrente não se insurge contra aqueles fundamentos segundo os quais 1) a correção do valor da causa, ainda que possa ser de ofício, não se encontra entre as hipóteses legais que dispensam a prévia oitiva da parte interessa, e 2) que houvera a fixação de prazo exíguo para recolhimento das custas então arbitradas, representando grande prejuízo à parte adversa , limitando-se a afirmar, em síntese, que (fl. 85): .. a concessão de prazo para a emenda à petição inicial também está em conformidade com o princípio da primazia do julgamento do mérito, tendo em vista que, além de ser recorrível, não equivale à determinação imediata do recolhimento das custas ou da extinção do processo. Incide no presente caso, por analogia, a Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA