REsp 1932680 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se parcial provimento para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso, em condenação de natureza previdenciária, deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, mantendo-se a incidência de juros de mora...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: EXPEDITO PEREIRA SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 June 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Em Recurso Especial (acórdão)
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Consectários Legais Da Condenação, Recursos Repetitivos, Coisa Julgada, Modulação De Efeitos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EXPEDITO PEREIRA SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Em Recurso Especial (acórdão)
Legal Issues
- 1 Aplicação do INPC às condenações previdenciárias a partir da Lei 11.430/2006
- 2 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (redação dada pela Lei 11.960/2009) às condenações impostas à Fazenda Pública
- 3 Índices aplicáveis no período anterior à Lei 11.430/2006
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se parcial provimento para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso, em condenação de natureza previdenciária, deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, mantendo-se a incidência de juros de mora conforme o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (redação dada pela Lei 11.960/2009).
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido
Orders
- A correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
- Publique-se. Intimações necessárias.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RECURSOS ESPECIAIS 1.495.144/RS, 1.495.146/MG E 1.492.221/PR. TEMA 905/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DO INPC A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.430/2006. RECURSO ESPECIAL DO PARTICULARCONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, PARCIALMENTEPROVIDO. 1. Trata-se de recurso especial interposto por EXPEDITO PEREIRA SANTOS, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas ae cda CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: Agravo de Instrumento trabalhador apontamento quanto à necessidade de afastamento da aplicação da Lei nº 11.960/09 no tema envolvendo juros e correção monetária ou ressalva do direito quanto à postulação de eventuais diferenças antes da extinção da execução, bem como indicação de índices para sua substituição e do cômputo de honorários advocatícios até a data da publicação do Acórdão exequendo aplicabilidade da Lei nº 11.960/09 reconhecida coisa julgada na questão dos honorários advocatícios até a sentença Recurso desprovido.(fls. 49/54). 2. Nas razões do seu recurso especial (fls. 59/72), a parte recorrente sustenta , além da divergência jurisprudencial,a violação dos arts. 26, 27 e 28, parágrafo único, da Lei 9.868/1999. Argumenta, para tanto, que,conforme decidido pelo STF na ADI 4.357/DF, deve ser afastadaa aplicação do art.5º da Lei 11.960/2009, para que seja reconhecida a inaplicabilidade da TR paracorreção monetária dos valores em atraso, com a incidência de outro índice que se entenda adequado. 3. Devidamente intimada (fls. 82), a parte recorrida deixou de apresentar as contrarrazões (fls. 84). O recurso especial foi admitido na origem (fls. 113/114). 4. É o relatório. 5. A irresignação merece prosperar. 6. Nos termos do que decidido pelo plenário do STJ, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Enunciado Administrativo 2). 7. Quanto aos consectários legais da condenação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos REsps 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, Tema 905/STJ, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ(REsp 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 20/03/2018). 8. No caso dos autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema: A conta apresentada pela autarquia encontra-se em harmonia com o Acórdão da fase de conhecimento, pois a Lei nº 11.960/09 a partir de sua vigência deve ser aplicada até a modulação dos efeitos do julgamento das ADIs nºs 4.357 e 4.425,pelo Plenário do Colendo STF, o que não ocorreu até a presente data. A título de ilustração, veja-se a questão decidida quanto à modulação no recente julgado (10.06.2014) desta Câmara de relatoria do Des. Adeldrupes Blaque Ferraz, processo nº 0029175-94.2011.8.26.0053/50000, que assim consignou: "Para que as estipulações constantes no art.26 e no art. 28, par. único, da Lei nº 9.868/99 tenham eficácia, na espécie, é necessário, primeiramente, a modulação dos efeitos da respectiva decisão, pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, atento aodisposto noart.27,da mesma lei: "Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir do seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado". .. Assim, deverá ser aplicada a sistemática anterior (Lei nº 11.960/2009, a partir de sua vigência), até a modulação dos efeitos do julgamento realizado pelo Colendo Supremo Tribunal Federal na ADI nº 4.357 e na ADI nº 4.425(fls. 51/53) . 9. Verifico, portanto, que o acórdão recorrido está em dissonância com o atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve se dar pelo INPC, no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Em relação aos juros de mora, o aresto a quo encontra-se em conformidade com o entendimento do STJ, já que concluiu que devemincidir segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, consoante o art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009. 10. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial do particular e, nessa extensão, dou-lhe parcial provimento, apenas para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006. 11. Publique-se. Intimações necessárias.