REsp 1952353 - DECISAO
O STJ, à luz do entendimento firmado no julgamento dos REsps submetidos ao Tema 905 e considerando a repercussão geral do RE 870.947/SE (Tema 810/STF), concluiu que, em condenações judiciais de natureza previdenciária, a correção monetária deve ser efetuada pelo INPC para o período posterior à entrada em vigor da...
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- Parties
- Recorrente: CRISTIAN ROBERT FERNANDES DEMICIANO; Recorrido: autarquia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2021
- Procedural Posture
- Previdenciário (ação Acidentária) / Recurso Especial Decisão
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Recursos Repetitivos, Tema 905/stj, Tema 810/stf, Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, INPC, Lei 11.430/2006
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Parties
CRISTIAN ROBERT FERNANDES DEMICIANO
Recorrente
autarquia
Recorrido
Procedural Posture
Previdenciário (ação Acidentária) / Recurso Especial Decisão
Legal Issues
- 1 Aplicação do INPC para correção monetária em condenações judiciais de natureza previdenciária após a Lei 11.430/2006
- 2 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 aos débitos da Fazenda Pública (juros e correção)
- 3 Modulação dos efeitos da decisão do STF em casos sem expedição ou pagamento de precatório
Ratio Decidendi
O STJ, à luz do entendimento firmado no julgamento dos REsps submetidos ao Tema 905 e considerando a repercussão geral do RE 870.947/SE (Tema 810/STF), concluiu que, em condenações judiciais de natureza previdenciária, a correção monetária deve ser efetuada pelo INPC para o período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, razão pela qual se deu provimento ao recurso especial do particular para determinar a aplicação do INPC na atualização das parcelas em atraso.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dou provimento ao recurso especial do particular para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
- Publique-se. Intimações necessárias.
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1 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA.CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RECURSOS ESPECIAIS 1.495.144/RS, 1.495.146/MG E 1.492.221/PR. TEMA 905/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DO INPC A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.430/2006. RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Trata-se de recurso especial interposto porCRISTIAN ROBERT FERNANDES DEMICIANO,com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TJSP,assim ementado: Auxílio-acidente - Acidente típico Lesão no joelho esquerdo - Laudo pericial dando conta da redução na capacidade laborativa do autor de forma parcial e permanente - Nexo causal devidamente comprovado - Benefício corretamente concedido. Termo inicial a partir do requerimento administrativo - Juros moratórios e correção monetária - Incidência da Lei nº 11.960/09, observando-se, entretanto, o decidido nas ADIs nº 4.357, 4.372, 4.400 e 4.425 em relação a seu âmbito de eficácia e respectiva modulação dos efeitos, e na Repercussão Geral nº 810 - Honorários advocatícios que serão arbitrados na liquidação. Recurso oficial e apelação da autarquia parcialmente providos.(fls. 210). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 247/249). 3. Nas razões do seurecurso especial (fls. 221/234), a parte recorrentesustenta, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts.5º, XXIII, da CF e1º-F da Lei 9.494/1997,argumentando, para tanto, quedeve ser afastada a incidência da TR para atualização do débito, aplicando-se, em seu lugar, o INPC. 4. Devidamente intimada (fls. 253), a parte recorridadeixou de apresentar contrarrazões (fls. 257). 5. Os autos foram devolvidos à Turma Julgadora para eventual juízo de retratação, considerando o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905/STJ. 6. O acórdão foi parcialmente reformado, nos termos da seguinte ementa: Acidente do trabalho - Juros e correção monetária - Superveniência do julgamento do REsp. nº 1.495.146/MG (Tema nº 905) - Necessidade de se observar o decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 870.947/SE, com repercussão geral reconhecida (Tema nº 810) que já constou do acórdão Reexame da matéria, nos termos do art. 1.030, II, do novo Código de Processo Civil. Manutenção do entendimento inicialmente adotado, com observação.(fls. 266). 7. O recurso especial foi admitido na origem(fls. 278/279). 8. É o relatório. 9. A irresignação merece prosperar. 10. Nos termos do que decidido pelo plenário do STJ, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Enunciado Administrativo 2). 11. Quanto aos consectários legais da condenação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos REsps 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, Tema 905/STJ, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ.(REsp1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/2/2018, DJe 20/3/2018) 12. No caso dos autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema: No julgamento do Tema nº 905, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, determinou a adoção de índice diverso (INPC), em aparente contradição com o que foi decidido pelo STF. Adotar-se-á, contudo, o IPCA-E no lugar da TR, pelo fato desta ser decisão emanada do órgão máximo do Poder Judiciário, quando da apuração do débito em fase de liquidação de sentença, eis que na Repercussão Geral nº 810 o STF rejeitou os embargos de declaração ali opostos, não modulando os efeitos da decisão. Desta forma, quando da fase executiva e elaboração da conta de liquidação, competirá ao juízo de primeiro grau determinar a aplicação do disposto no acórdão proferido por esta Turma julgadora, bem como o que foi decidido pelo Pretório Excelso no julgamento do mencionado recurso extraordinário. Evidentemente que qualquer alteração a ocorrer em referidos processos e respectivos julgamentos há de ser aplicado ao caso destes autos. Portanto, respeitado o entendimento diverso, não há o que ser reapreciado pelo Colegiado, porque já determinada a aplicação do Tema nº 810, na forma definida no referido acórdão.(fls. 267). 13. Verifico, portanto, que o acórdão recorrido está em dissonância com o atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve se dar pelo INPC, no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Em relação aos juros de mora, devem incidir segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, consoante o art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009. 14. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial do particular para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006. 15. Publique-se. Intimações necessárias.