REsp 1923600 - DECISAO
O Tribunal afirmou o entendimento jurisprudencial dominante do STF (Tema 810) e do STJ (Tema 905) sobre a inconstitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 e a necessidade de observância do IPCA-E para correção monetária, e, com fundamento no art. 255, §4º, II, do RI/STJ, negou provimento ao recurso especial no...
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- Parties
- Recorrente: ESPÓLIO DE MARIO LUIZ CATÃO; Recorrido: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Negado Provimento
- Outcome
- Negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Correção Monetária, Atualização Monetária De Condenações Contra a Fazenda Pública, Aplicação Do IPCA E, Art. 1º F Da Lei N. 9.494/97, Tema 810/stf, Tema 905/stj
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Parties
ESPÓLIO DE MARIO LUIZ CATÃO
Recorrente
UNIÃO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Negado Provimento
Legal Issues
- 1 incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 nas condenações contra a Fazenda Pública
- 2 índice adequado de correção monetária (TR vs IPCA-E)
- 3 vinculação aos precedentes do STF e do STJ
Ratio Decidendi
O Tribunal afirmou o entendimento jurisprudencial dominante do STF (Tema 810) e do STJ (Tema 905) sobre a inconstitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 e a necessidade de observância do IPCA-E para correção monetária, e, com fundamento no art. 255, §4º, II, do RI/STJ, negou provimento ao recurso especial no caso concreto.
Court Disposition
Negado provimento ao recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESPÓLIODE MARIO LUIZ CATÃO com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, o recorrente interpôs agravo de instrumento contra decisão proferida pelo Juízo da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que acolheu a impugnação da UNIÃO, para determinar a aplicação da TR como índice de correção monetária, com valor da causa atribuído em R$ 31.233,03 (trinta e um mil duzentos e trinta e três reais e três centavos), em 24/03/2020. O TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO negou provimento ao agravo do particular, ficando consignada a inaplicabilidade doIPCA-E como índice de correção. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONDENAÇÃO DAFAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. COISA JULGADA. 1. Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por IRANY GLASENAPP BARROZO em face da UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO, com pedido de liminar, objetivando cassar a decisão proferida pelo Juízo da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro -Seção Judiciária do Rio de Janeiro, que acolheu a impugnação do ente federativo, para determinar a aplicação da TR como índice de correção monetária. 2. Importante consignar, que o título executivo deve ser executado fielmente, sem restrição ou ampliação do que nele estiver disposto. Neste sentido, dispõe o art. 509, §4º, do CPC: Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: (..) § 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.3. In casu, observa-se que o título executivo, acórdão proferido na remessa necessária nº 0012042-29.2011.4.02.5101 (2011.51.01.012042-3) fixou os parâmetros de correção monetária, nos seguintes termos (Evento 1/Anexo 7 dos originários): "Com relação à correção monetária, devem ser observados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal (Resolução nº 26, de 2.12.2013, do E. CJF) até o advento da Lei nº 11.960, de 29.6.2009, a partir de quando se aplicam os percentuais dos índices oficiais de remuneração básica da caderneta de poupança". 4. Tendo ocorrido o trânsito em julgado em 9 de novembro de 2015 (Evento1/Anexo 8 dos originários). 5. Neste sentido, inaplicável o IPCA-E como índice de correção monetária, visto que o título executivo determinou, expressamente, a incidência da TR.6. Agravo de Instrumento conhecido e desprovido. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, o ESPÓLIO DE MARIO LUIZ CATÃOinterpôs o presente recurso especial, apontando violação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97. Sustenta, em síntese, que (fl. 69): Assim, já restou decidido, tanto pelo STJ quanto pelo STF, que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 não prevê parâmetro adequado à atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública. Haja vista que no cálculo apresentado na exordial se observa a sistemática do aludido Manual da Cálculos da Justiça Federal, sua homologação é medida de rigor, de forma que, nas condenações impostas à Fazenda Pública, deverá ser observado o IPCA-E mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Resolução CJF -267/2013(estando equivocada eventual utilização da Resolução CFJ -134/2010). Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." No tocante à correção monetária, o Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE (Tema 810/STF) assentou a compreensão de que o art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com a redação dada pela Lei n. 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada para capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina, estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção (Tema n. 905/STJ). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. VERBAS REMUNERATÓRIAS. ADEQUAÇÃO DO JULGADO AO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STF (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA LEI N. 11.960/2009. REDAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1996. RE 870.947/SE E RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina", estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. 2. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça restou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. (EDcl no AgRg no REsp 1221069/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 06/03/2020.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMA 810 (RE 870.947). REPERCUSSÃO GERAL DECIDIDA. EXISTÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO. ENTENDIMENTO DO STF. 1. No julgamento do RE 870.947 (Tema 810), firmou-se entendimento, em repercussão geral, de que o "art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina." 2. O acórdão proferido por esta Corte, objeto do recurso extraordinário, não discrepa dessas conclusões. 3. É do entendimento do Supremo Tribunal Federal que, decidido o mérito da questão, na sistemática da repercussão geral, autorizado está o julgamento das causas que tratarem de idêntico assunto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no RE no AgRg no REsp 1411245/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 10/12/2019, DJe 13/12/2019.) Destaca-se, ainda, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, relator Min. Luiz Fux, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUROS MORATÓRIOS. ART. 1o.-F DA LEI 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. PARADIGMA: QO NO RESP. 1.495.144/RS, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, JULGADO EM 12.8.2015. TEMA 810/STF. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. INOCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp. 1.205.946/SP, representativo de controvérsia, relatado pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES, na sessão de 19.10.11, pacificou o entendimento de que o art. 1o.-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, por se tratar de norma de caráter eminentemente processual, deve ser aplicado de imediato a todas as demandas judiciais em trâmite. 2. A questão em apreço restou consolidada nesta Corte, no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Dje 2.3.2018, onde se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3. Esclarece-se, por oportuno, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, Rel. Min. LUIZ FUX, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. 4. Agravo Regimental do INSS a que se dá parcial provimento. (AgRg no REsp 1492381/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/06/2020, DJe 23/06/2020.) Observado que o entendimento aqui consignado, lastreado na jurisprudência, é prevalente no Superior Tribunal de Justiça, aplica-se o enunciado da Súmula n.568/STJ,in verbis: "O relator, monocraticamente e no STJ, poderá dar ou negarprovimentoao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fundamento no art. 255, §4º, II, do RI/STJ,nego provimentoao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.