REsp 1895801 - DECISAO
O acórdão recorrido estava em dissonância com o entendimento do Supremo (RE 870.947/SE, Tema 810) e com o precedente repetitivo do STJ (REsp 1.495.146/MG), que determine a inaplicabilidade, quanto à correção monetária, da remuneração da caderneta de poupança e a observância do IPCA-E; por esse motivo o recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Provimento Concedido
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Execução, Embargos À Execução, Ônus Sucumbencial, Aplicação De Precedentes (tema 810/stf; Resp 1.495.146/mg)
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Parties
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Provimento Concedido
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 com redação da Lei 11.960/09 às condenações da Fazenda Pública
- 2 Índice de correção monetária aplicável às condenações impostas à Fazenda Pública (IPCA-E vs. remuneração da caderneta de poupança)
- 3 Adequação do acórdão ao entendimento do STF e da jurisprudência consolidada do STJ
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido estava em dissonância com o entendimento do Supremo (RE 870.947/SE, Tema 810) e com o precedente repetitivo do STJ (REsp 1.495.146/MG), que determine a inaplicabilidade, quanto à correção monetária, da remuneração da caderneta de poupança e a observância do IPCA-E; por esse motivo o recurso especial da Fazenda foi conhecido e provido, determinando-se a inversão do ônus sucumbencial e mantendo-se o valor dos honorários advocatícios fixados em R$ 1.000,00.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido
Orders
- Determinar a inversão do ônus sucumbencial
- Manter o valor da condenação em honorários advocatícios (R$ 1.000,00)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULOcom fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, a recorrente opôs embargos à execução de sentença que condenou a Fazenda no valor deR$ 833.123,79 (oitocentos e trinta e três mil cento e vinte e três reais e setenta e nove centavos). A sentença julgou improcedente os embargos e julgou extinto o feito, com apreciação do mérito, condenando a embargante ao pagamento de custas e despesas processuais e honorários advocatícios fixados em R$ 1.000,00 (mil reais). O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: "APELAÇÃO EMBARGOS À EXECUÇÃO Excesso na execução ante a inaplicabilidade da Lei nº 11.960 de 29/06/2009, bem como erro nos cálculos tendo em vista que nas parcelas referente ao mês 9/2003, mês em que o percentual da contribuição previdenciária foi alterado de 6% para 11% - Remessa ao contador Verificada a ocorrência de erro no percentual da contribuição previdenciária apenas quanto a quatro autores Sentença parcialmente reformada para julgar parcialmente procedentes os embargos à execução Recurso parcialmente provido." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 351/353). Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, a FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO interpôs o presente recurso especial, apontando violação dos arts. 1º-F da Lei n.9.494/97, e5º da Lei 11.960/09. Sustenta, em síntese, que (fls. 323/324): Tratando-se, "in casu", de condenação da Fazenda Pública para pagamento de verba a servidor público, deve prevalecer o comando dessa regra específica sobre qualquer outra regra legal. No caso em tela, a norma em questão, por tratar de juros e correção monetária decorrente de condenação judicial, tem total aplicação para os processos em curso, e a partir do período posterior aoinício de sua vigência. A nova regra disciplina aspectos acessórios (juros de mora e atualização monetária), e de trato sucessivo, que se protraem no tempo e se renovam mensalmente. Desta forma, não se tratando de dívida consolidada, nada impede que o legislador altere o critério de apuração mensal dos juros e correção monetária, aspectos esses meramente subsidiários que decorrem de condenação processual. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." No tocante à correção monetária, o Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE (Tema 810/STF) assentou a compreensão de que o art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com a redação dada pela Lei n. 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada para capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina, estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção (Tema n. 905/STJ). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. VERBAS REMUNERATÓRIAS. ADEQUAÇÃO DO JULGADO AO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STF (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA LEI N. 11.960/2009. REDAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1996. RE 870.947/SE E RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina", estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. 2. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça restou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. (EDcl no AgRg no REsp 1221069/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 06/03/2020.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMA 810 (RE 870.947). REPERCUSSÃO GERAL DECIDIDA. EXISTÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO. ENTENDIMENTO DO STF. 1. No julgamento do RE 870.947 (Tema 810), firmou-se entendimento, em repercussão geral, de que o "art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina." 2. O acórdão proferido por esta Corte, objeto do recurso extraordinário, não discrepa dessas conclusões. 3. É do entendimento do Supremo Tribunal Federal que, decidido o mérito da questão, na sistemática da repercussão geral, autorizado está o julgamento das causas que tratarem de idêntico assunto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no RE no AgRg no REsp 1411245/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 10/12/2019, DJe 13/12/2019.) Destaca-se, ainda, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, relator Min. Luiz Fux, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUROS MORATÓRIOS. ART. 1o.-F DA LEI 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. PARADIGMA: QO NO RESP. 1.495.144/RS, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, JULGADO EM 12.8.2015. TEMA 810/STF. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. INOCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp. 1.205.946/SP, representativo de controvérsia, relatado pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES, na sessão de 19.10.11, pacificou o entendimento de que o art. 1o.-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, por se tratar de norma de caráter eminentemente processual, deve ser aplicado de imediato a todas as demandas judiciais em trâmite. 2. A questão em apreço restou consolidada nesta Corte, no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Dje 2.3.2018, onde se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3. Esclarece-se, por oportuno, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, Rel. Min. LUIZ FUX, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. 4. Agravo Regimental do INSS a que se dá parcial provimento. (AgRg no REsp 1492381/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/06/2020, DJe 23/06/2020.) Assim, merece reparo o acórdão recorrido, porquanto encontra-se em dissonância com o decidido no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, relator Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 2/3/2018, acima mencionado. Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, conheço do recurso especial da FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO para dar-lhe provimento e determinar a inversão do ônus sucumbencial, mantendo o valor da condenação em honorários advocatícios (R$ 1.000,00 - mil reais - fl. 257). Publique-se. Intimem-se.