REsp 1915838 - DECISAO
Por se tratar de condenação de natureza previdenciária e em observância ao entendimento firmado no Tema 905/STJ (REsp 1.495.146/MG e outros), a Corte reconheceu que o índice aplicável para correção monetária, no período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, é o INPC, e, em juízo de retratação, deu provimento...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente/insurgente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Conhecimento Do Agravo Interno E Juízo De Retratação Com Reconsideração De Decisão Monocrática E Provimento Parcial Do Recurso Especial
- Outcome
- Conhecido o agravo interno e, em juízo de retratação, provido em parte para reconhecer o INPC como índice de correção monetária aplicável após a vigência da Lei n. 11.430/2006.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Tema 905/stj, Preservação Da Coisa Julgada, Precatórios, Índices De Atualização (inpc, IPCA E, Poupança, Selic)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente/insurgente
Procedural Posture
Agravo Interno / Conhecimento Do Agravo Interno E Juízo De Retratação Com Reconsideração De Decisão Monocrática E Provimento Parcial Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicação da Súmula 83/STJ
- 2 Aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 às condenações da Fazenda Pública
- 3 Índice de correção monetária aplicável às condenações previdenciárias (INPC vs IPCA-E)
Ratio Decidendi
Por se tratar de condenação de natureza previdenciária e em observância ao entendimento firmado no Tema 905/STJ (REsp 1.495.146/MG e outros), a Corte reconheceu que o índice aplicável para correção monetária, no período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, é o INPC, e, em juízo de retratação, deu provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o INPC como índice de atualização.
Court Disposition
Conhecido o agravo interno e, em juízo de retratação, provido em parte para reconhecer o INPC como índice de correção monetária aplicável após a vigência da Lei n. 11.430/2006.
Orders
- Dar provimento em parte ao recurso especial para reconhecer o INPC como índice de correção monetária a ser aplicado após a vigência da Lei n. 11.430/2006.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Visto, etc. Trata-se de agravo interno manejado peloINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra decisão que negou provimento ao recurso especial. O insurgente aduz não ser o caso de aplicação da Súmula 83/STJ, porquanto "o acórdão do Tribunal de origem, como amplamente demonstrado acima, não está em conformidade com a jurisprudência remansosa desse d. STJ" (e-STJ, fl. 968). Aponta, ainda, que, "de acordo com a jurisprudência do STJ, mesmo após 29/06/2009, o índice aplicável é o INPC, nos termos do tema 905 dos recursos especiais repetitivos do STJ, não havendo fundamento para a aplicação do IPCA-E à hipótese" (e-STJ, fl. 968). Sem impugnação. É o relatório. Com razão o ente público. Esta Corte, nos limites de sua competência, decidiu a controvérsia nos Recursos Especiais n. 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS, julgados sob o rito do art. 1.036 do Código de Processo Civil(Tema 905/STJ), consoante espelha a ementa que ora transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica prefixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão.A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral.As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos.As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança;correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas.No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária.As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária.A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN).Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada.Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/2/2018, DJe 2/3/2018). No mais, registre-se a existência dedecisão do Ministro Luiz Fux, Relator do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE, determinando o sobrestamento da matéria até a apreciaçãodos embargos declaratórios que buscavam a modulação de efeitos da tese então julgada. Contudo, na sessão de julgamento de 3/10/2019, o Supremo Tribunal Federal, por maioria, rejeitou todos os embargos de declaração e não modulou os efeitos da decisão anteriormente proferida, mantendo, portanto, a aplicação integral da tese fixada em repercussão geral. Na espécie, em se tratando deação que versa sobre matéria previdenciária, deve ser aplicado o disposto no item 3.2 do acórdão paradigma, e, portanto, é necessário que incidao INPC, para correção monetária, no que tange ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/1991. Ante o exposto, com fulcro no art. 1.021, § 2º, do CPC/2015, c/c o art. 259 do RISTJ, conheço do agravo interno, para, em juízo de retratação, reconsiderar a decisão impugnada de e-STJ fls.954-958, a fim de,com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil;34, XVIII, "c";e 255, § 4º,III, ambos do RISTJ, dar provimento em parte ao recurso especial para reconhecer o INPC como índice de correção monetária a ser aplicado após avigência da Lei n. 11.430/2006. Publique-se. Intimem-se.