AREsp 1853708 - DECISAO
O acórdão regional está em consonância com a orientação do STJ de que a correção monetária das parcelas pagas e devolvidas deve incidir desde cada desembolso; não cabe ao STJ reexaminar fatos ou provas (Súmulas 5 e 7), razão pela qual o agravo foi desprovido; determinou-se também a majoração de honorários em 10% com...
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- Parties
- Agravante: HESA 123 - INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A.; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CONSELHEIRO FURTADO - PÁTIO DO COLÉGIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Do Agravo No STJ (negado Provimento)
- Outcome
- negado provimento ao agravo
- Legal Topics
- Correção Monetária, Contrato De Compra E Venda, Rescisão Contratual, Juros De Mora, Honorários Advocatícios
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Parties
HESA 123 - INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A.
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CONSELHEIRO FURTADO - PÁTIO DO COLÉGIO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo / Decisão Do Agravo No STJ (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 termo inicial da correção monetária sobre parcelas devolvidas
- 2 natureza da correção monetária (recomposição ou penalidade)
- 3 preclusão para reexame de fatos e aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ
Ratio Decidendi
O acórdão regional está em consonância com a orientação do STJ de que a correção monetária das parcelas pagas e devolvidas deve incidir desde cada desembolso; não cabe ao STJ reexaminar fatos ou provas (Súmulas 5 e 7), razão pela qual o agravo foi desprovido; determinou-se também a majoração de honorários em 10% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
negado provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoração dos honorários de advogado em desfavor da parte recorrente no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
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DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por HESA 123 - INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS S.A., HESA 123 - INVESTIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA contra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido peloTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CONSELHEIRO FURTADO - PÁTIO DO COLÉGIO, assim ementado: Compromisso de Compra e Venda Incidência de correção monetária sobre valor devolvido desde o desembolso - Correção monetária que não é penalidade, apenas recomposição do valor real da moeda corroído pela inflação devendo incidir desde cada desembolso. Decaimento mínimo do autor implica na sucumbência integral da ré, com aplicação do artigo 86, § único do CPC - Recurso desprovido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, aponta a parte recorrente, além de dissídio jurisprudencial, ofensa ao disposto noart. 1º da Lei 6.899/81na medida em que foi determinado que a correção monetária será calculada a partir do desembolso de cada parcela adimplida pela recorrida, quando deveria incidira partir do ajuizamento da ação e não do desembolso. Argumenta que não houve, da parte da recorrente,qualquer descumprimento contratual a ela imputável, de modo que não há que se falar em perdas e danos que ensejassem a incidência de atualização monetária nos termos dos artigos 398 e 404 do Código Civil. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 415-424. É o relatório. DECIDO. 2. A irresignação não prospera. No que tangeà correção monetária sobre a verba devolvida, a Corte estadual manteve a sentença por entender que a correção, no caso em tela,não é penalidade, trata-se apenas de simples recomposição do valor real da moeda corroído pela inflaçãoe sua não aplicação a partir do desembolso implicaria em enriquecimento ilícito. Nos termos da jurisprudência do STJ, o termo inicial dacorreção monetáriadas parcelas pagas, a serem restituídas em virtude da rescisão do contrato de compra e venda, é a data de cadadesembolso. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CONTRATO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA REQUERIDA. 1. "No sistema recursal brasileiro, vigora o cânone da unicidade ou unirrecorribilidade recursal, segundo o qual, manejados dois recursos pela mesma parte contra uma única decisão, a preclusão consumativa impede o exame do que tenha sido protocolizado por último. (AgInt nos EAg 1213737/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 17/08/2016, DJe 26/08/2016) 2. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, com base nas provas carreadas aos autos, concluiu que o pedido formulado buscava declarar a nulidade absoluta no contrato firmado entre as partes. Alterar tal conclusão demandaria o reexame de fatos e provas, inviável em recurso especial, a teor do disposto na Súmula 7 do STJ. 3. A Corte de origem, soberana na análise das provas, constatou que a empresa requerida fazia parte do negócio jurídico firmado com o autor, do que decorreu a responsabilidade pela devolução dos valores pagos. Infirmar essa constatação exigiria revisão das cláusulas contratuais e do quadro fático delineado no acórdão, o que não é cabível em sede de recurso especial. Incidência das Súmulas 5/STJ e 7/STJ. 4. O termo inicial dacorreção monetáriadas parcelas pagas, a serem restituídas em virtude da rescisão do contrato de compra e venda, é a data de cadadesembolso,nos termos da jurisprudência do STJ. Incidem juros de mora a partir da citação no caso de obrigação contratual. Aplicação, por analogia, à nulidade do negócio. Precedentes. Incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno de fls. 808-816 e-STJ não conhecido e agravo interno de fls. 799-807 e-STJ desprovido. (AgInt no AREsp 342.293/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 27/11/2017) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESCISÃO. FALÊNCIA DA CONSTRUTORA (ENCOL). RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA/PROPRIETÁRIA DO TERRENO. RELAÇÃO DE CONSUMO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA Nº 283/STF. ANÁLISE DA EXTENSÃO. EMPREENDIMENTO RIO 2. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO DA INTEGRALIDADE DAS PARCELAS PAGAS. OBRIGAÇÃO RECONHECIDA COM BASE EM PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. ART. 40, § 2º, DA LEI. Nº 4.591/64. FALTA PREQUESTIONAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.TERMO INICIAL.DESEMBOLSO.PRECEDENTES. 1. Afigura-se dispensável que o órgão julgador venha a examinar todos os fundamentos e alegações expendidos pelas partes, bastando que decline as razões jurídicas que embasaram a decisão, sem necessidade de que se reporte de modo específico a determinados preceitos legais. Ofensa ao art. 535 não vislumbrada. 2. No caso em julgamento, o tribunal local, atento à legislação consumerista, entendeu pela responsabilidade da ora recorrente. Desse modo, não havia mesmo que decidir à luz do art. 40 da Lei nº 4.591/64, quando já havia encontrado motivos para fundamentar a sua conclusão. Fundamento não impugnado. Aplicação da Súmula nº 283/STF. 3. À falta de prequestionamento, inviável a análise da suposta afronta dos arts. 40 da Lei nº 4.591/64; 1.062 e 1.063 do Código Civil de 1.916. Aplicação da Súmula nº 282/STF. 4. Dissídio não configurado na espécie, seja por aplicação da Súmula nº 13/STJ, seja por ausência de similitude fática entre os julgados confrontados. 5. A jurisprudência predominante desta Corte de Justiça entende que a análise a respeito da extensão da responsabilidade da parte ora recorrente, quanto ao empreendimento "Rio 2" lançado pela construtora Encol, esbarra no óbice das Súmulas nºs 5 e 7/STJ.Precedentes. 6. A retenção é devida somente quando a rescisão decorre dadesistênciado adquirente ou de sua inadimplência, servindo os valores retidos para cobrir despesas administrativas efetuadas com o imóvel. No caso concreto, o tribunal local, à luz de ampla cognição fático-probatória, concluiu pela inadimplência da construtora quanto à entrega do imóvel, o que afasta o direito de retenção. A revisão de tal premissa encontra óbice na Súmula nº 7/STJ. 7. Em caso de rescisão de contrato de compra e venda de imóvel, acorreção monetáriadas parcelas pagas, para efeitos de restituição, incide a partir de cadadesembolso. 8. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 39.428/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/10/2013, DJe 04/10/2013) Estando, pois, o acórdão recorrido em harmonia com a orientação firmada nesta Corte Superior, incide aSúmula 83/STJ. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Havendo nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se.