REsp 1962956 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração específica da omissão argüida (Súmula 284/STF), pela ausência de ratificação após o juízo de retratação que alterou fundamentos do acórdão (Súmula 579/STJ) e porque o acórdão recorrido se assenta em fundamentos constitucionais e infraconstitucionais...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Recorrido: autor (obreiro)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índices De Atualização Monetária (inpc, IPCA E, IGP DI, Tr), Juros De Mora, Recursos Repetitivos E Juízo De Retratação, Súmulas E Preclusões
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
autor (obreiro)
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 alegada omissão nos termos do art. 535 do CPC/73
- 2 índice aplicável à correção monetária de valores previdenciários (INPC, IPCA-E, IGP-DI, TR)
- 3 incidência da Lei 11.960/2009 na atualização de débitos da Fazenda Pública
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração específica da omissão argüida (Súmula 284/STF), pela ausência de ratificação após o juízo de retratação que alterou fundamentos do acórdão (Súmula 579/STJ) e porque o acórdão recorrido se assenta em fundamentos constitucionais e infraconstitucionais aptos a mantê-lo (Súmula 126/STJ); ademais, o tribunal de origem aplicou precedentes vinculantes sobre índices de correção (INPC até jun/2009 e IPCA-E posteriormente).
Court Disposition
Recurso especial não conhecido.
Orders
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, assim ementado (fls. 133/134): Recurso. Apelação interposta pelo INSS. -Ausência de recolhimento das despesas do porte de remessa e de retorno. Hipótese de deserção. Inteligência do art. 20, parágrafo único, inciso Il, da Lei Estadual n. 11.608/03. Não conhecimento. Recurso de apelação interposto pelo obreiro conhecido. Presença dos requisitos legais. Acidentária. Açougueiro. Lesão no 211 Quirodáctilo direito. Laudo que constata a incapacidade parcial e permanente para o trabalho. Nexo de causalidade caracterizado. Direito ao auxílio-acidente. Termo inicial: dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença acidentário (DCB 12.06.2011 - fl. 49). Inteligência do art. 86, par. 20, da Lei n. 8.213/91. Valores atrasados: (i) deverão ser corrigidos monetariamente a partir do termo inicial pelo IGP-DI, até a conta deliquidação, a partir de quando deverá incidir o IPCA-E, e ainda no que couber, a decisão da ADI 4357 pelo STF; e, (ii) juros de mora são devidos a partir da citação (19.07.2011 fl. 25 v.) de forma englobada entre o termo inicial e a citação e após, de modo decrescente, mês a mês, nos termos da Lei 11.960109, art. 5º. Honorários advocatícios fixados nos termos do art. 111 do STJ, no percentual de 15%. Manutenção. Recursos, voluntário do autor e oficial, providos em parte. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 157/162). Aponta o recorrente violação dos arts. 535, do CPC/73, 1º F, da Lei 9.494/97, com a redação dada pelo art. 5º da Lei 11.960/2009, 27 da Lei 9.868/99, 31 da Lei 10.741/03 e 41-A da Lei 8.213/91. Sustenta, em síntese: (I) a existência de omissão no julgado, (II) que "..não há fundamento legal para o v. acórdão recorrido determinar que, a partir de 30.06.2009, a correção das parcelas em atraso na presente ação será apurada pela aplicação do IGP-DI, até a data da elaboração da conta,e, após pelo IPCA-E, tendo em vista que deve incidir o disposto na Lei nº 11.960/2009 para a atualização da condenação, sendo inconstitucional o índice ali colocado apenas para a atualização do precatório e, ainda, assim, a partir de 25/03/2015. " (fls. 173/174). Aduz, também, que "Não se pode admitir a determinação contida no v. acórdão para a aplicação do IGP-DI e IPCA-E e não da TR, índice legalmente previsto e que ainda está em vigor." (fl. 177). Contrarrazões às fls. 197/202. Em novo exame por força do art. 1.030, II, do CPC/2015, o acórdão foi parcialmente modificado, cuja ementa se colhe (fl. 228): Acidente do trabalho Processual civil - Reexame em Recurso Repetitivo - Fase de conhecimento - Inaplicabilidade da Lei nº 11.960109 Juros de Mora - Índices adequados, em consonância com os precedentes dos C. Tribunais Superiores - Correção Monetária das parcelas em atraso - Índices aplicáveis: IGP-DI, INPC (STJ) E 1PCA-E (STF) na forma explicitada -Aplicabilidade à hipótese dos autos Acórdão parcialmente modificado, com observação. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O recurso não prospera. De início, mostra-se deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na espécie, o óbice da Súmula 284 do STF. Nesse mesmo sentido vão os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.070.808/MA, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 10/6/2020; AgInt no REsp 1.730.680/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 24/4/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.141.396/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 12/3/20020; AgInt no REsp 1.588.520/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de27/2/2020 e AgInt no AREsp 1.018.228/PI, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 25/9/2019. No mais,ressalta-se que na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada.O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente.Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País.Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Quanto à questão de fundo, conforme se verifica dos autos, o Tribunal a quo, em juízo de retratação previsto no art. 1.030, II, do CPC/15, proferiu novo julgamento e modificou o entendimento anteriormente exarado. Dessa forma, como houve alteração do fundamento adotado pela Corte de origem, a retificação do apelo nobre anteriormente interposto seria medida de rigor, sob pena de aplicação, por analogia, da Súmula 579/STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 543-C, § 7º, INC. II, DO CPC/1973. ACÓRDÃO MANTIDO, MAS COM FUNDAMENTO NOVO. NECESSIDADE DE RATIFICAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 579/STJ. 1. Submetido o recurso especial a juízo de retratação e reapreciado o caso, conforme o art. 543-C, § 7º, inc. II, do CPC/1973, o acórdão hostilizado foi mantido, acrescentando-se, todavia, fundamento novo. 2. Hipótese em que necessária a ratificação do recurso especial, providência não observada. Incidência, por analogia, da Súmula 579/STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 828.379/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2017, DJe 25/08/2017) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PROFERIDO NOS TERMOS DO ART. 543-C, § 7º, II, DO CPC. FALTA DE RATIFICAÇÃO. NÃO ESGOTAMENTO DA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. 1. "É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação" - Súmula 418/STJ. 2. Hipótese em que o Recurso Especial foi submetido a juízo de retratação em razão de a matéria versada nele Recurso Especial ter sido submetida a julgamento no rito dos recursos repetitivos. Posteriormente, o órgão colegiado reapreciou o tema com base no art. 543-C, § 7º, II, do CPC; manteve-se o acórdão hostilizado, mas o Recurso Especial não foi reiterado ou ratificado pela parte interessada. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1.479.578/AL, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2015, DJe 02/02/2016) Ademais, com relação aos Temas nº 905 do STJ e nº 810 do STF, o Tribunal a quo assim se pronunciou, in verbis (fl. 229): Todavia, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o tema referente à correção monetária concernentemente à Fazenda Pública, no julgamento do Recurso Especial nº 1.495.146/MG - Tema 905, em sede de recurso repetitivo, consolidou entendimento reconhecendo válida a adoção do INPC como fator de correção dos valores em atraso nas ações de natureza previdenciária nos moldes previstos pela Lei 11.430/06. É certo que o C. Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário nº 870.947/SE - Tema 810, em repercussão geral, de modo inequívoco, ratificou a inadmissibilidade da Taxa Referencial (TR), prevista pela Lei 11.960109, como índice de atualização monetária e definiu o IPCA-E como indexador no seu lugar. Portanto, é forçoso inferir da interpretação dos julgados em testilha que a correção aplicada na apuração dos valores em atraso de natureza previdenciária deve utilizar o INPC a partir do advento da Lei 11.430/06 até junho de 2009 e, daí em diante, pelo IPCA-E, excluída a adoção da Taxa Referencial (TR). Logo, muito embora este Relator, por reiteradas vezes, tenhaentendido que o IGP-DI deveria ser o índice a incidir até o cálculo de liquidação, e, a e ó seguir o IPCA-E, hodiernamente e em razão de deliberação tomada, em conjunto, por todos o os integrantes desta Eg. 16ª Câmara de Direito Público, no sentido de se unificar os índices a de correção monetária com as decisões do C. Tribunais Superiores adotará a interpretação dos julgados nos precedes dos Tribunais Superiores supramencionados. Diante disso, no caso dos autos, deve ser utilizado o INPC a partir do advento da Lei 11.430/06 até junho de 2009 e, daí em diante, pelo IPCA-E. Anoto que deverá ser aplicado, a partir de 29 de junho de 2009, o índice indicado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 870.947/SE (repercussão geral Tema nº 810), observada, ainda, eventual modulação dos efeitos daorientação estabelecida no referido decisum (cláusula resolutiva), principalmente diante da conclusão do julgamento dos Embargos de Declaração opostos no citado Recurso Co R Extraordinário, datada de 03110/2019. Assim e por derradeiro, de se fixar de modo expresso que o precedente do C. Superior Tribunal de Justiça (INPC) deve ser adotado, todavia, com as observações que se fizeram. Como se observa, o Tribunal de origem amparou-se em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer um deles apto a manter inalterado o acórdão recorrido. Portanto, a ausência de interposição de recurso extraordinário atrai a incidência da Súmula 126/STJ (É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido se assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário.). Nesse mesmo sentido: AgRg no AREsp 126036/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2012; AgRg no AREsp 206.733/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/12/2012. Assim, ultimada a resolução da controvérsia em repercussão geral, denotando a primazia do viés constitucional do tema em debate, caso não é de enfrentá-lo na seara do Recurso Especial ou do Agravo dele decorrente (AREsp). ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial. Publique-se.