REsp 1926351 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o STJ possui entendimento pacífico de que, na fase de cumprimento de sentença, aplicam‑se imediatamente as regras do art. 1º‑F da Lei 9.494/1997 (redação da Lei 11.960/2009) e as soluções firmadas nos precedentes (REsp 1.495.144/RS e RE 870.947/SE), por tratar‑se de...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Segunda Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Cumprimento De Sentença, Coisa Julgada, Aplicação Imediata De Lei Superveniente, Enunciado Administrativo 3/stj, Tema 810 IPCA E
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Segunda Turma
Legal Issues
- 1 incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ
- 2 natureza processual da correção monetária
- 3 aplicação imediata do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 com redação da Lei n. 11.960/2009 na fase de cumprimento de sentença
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o STJ possui entendimento pacífico de que, na fase de cumprimento de sentença, aplicam‑se imediatamente as regras do art. 1º‑F da Lei 9.494/1997 (redação da Lei 11.960/2009) e as soluções firmadas nos precedentes (REsp 1.495.144/RS e RE 870.947/SE), por tratar‑se de matéria de natureza processual/obrigações de trato sucessivo, não configurando ofensa à coisa julgada quando não houve debate prévio sobre a aplicação da norma.
Court Disposition
Agravo interno não provido.
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado em face de decisão de minha relatoria sintetizada da seguinte maneira (e-STJ fl. 109): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. AUSÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. Nas razões de agravo interno, o agravante sustenta que ".. todos os precedentes mencionados reportam- se ao julgado havido no EDcl no AgRg no REsp 1.210.516/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2015, DJe de 25/09/2015 e ostentam orientação jurisprudencial superada em precedente específico em recurso especial repetitivo e, também, com repercussão geral perante o c. STF." (fl. 118 e-STJ); alega que ".. de acordo com os precedentes mais modernos acima apontados e que afastam, por superação, os acórdãos indicados como fundamento da r. decisão agravada, o critério jurídico processual que deve orientar o entendimento quanto a possibilidade, ou não, de serem revistos os parâmetros da correção monetária e dos juros reside, exclusivamente, na sua anterior previsão explícita na coisa julgada." (fl. 131 e-STJ) Requer a reconsideração da decisão agravada ou que o feito submetido à julgamento no órgão colegiado. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO IMEDIATA, NOS TERMOS DAS TESES DEFINIDAS PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIB UNAL DE JUSTIÇA E PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Este Tribunal Superior tem pacífico entendimento jurisprudencial pela possibilidade de, na fase de cumprimento de sentença, observarem-se as regras do art. 1º-F da Lei n. 9.494/199 7, com a redação da Lei n. 11.960/2009 e com alterações decorrentes das decisões proferidas no REsp 1.495.144/RS e no RE 870.947/SE, sem caracterização de violação à coisa julgada, na hipótese em que não houver prévios debates sobre a aplicação da lei. Precedentes. 2. Agravo interno não provido. VOTO Necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ: "aos recursos interposto s com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". O agravo não deve ser provido. No caso dos autos, o Tribunal de origem consignou que a correção monetária devida pela Fazenda Pública deve ser calculada nos termos definidos pelo STF em sede de repercussão geral (Tema n. 810). A propósito o acórdão a quo: Todavia, tal precedente não se amolda ao caso dos autos, conforme passo a expor. Isso porque, tendo em vista o que dispõe o artigo 535, III e § 5º, do CPC, não é exigível que se cumpra obrigação na forma determinada em título judicial que se pautou em interpretação inconstitucional de dispositivo de lei. .. Feitas tais considerações, sobressai nítido que, no caso em tela, há de se observar a orientação firmada pelo STF no bojo de acórdão paradigma da repercussão geral (Tema nº 810), notadamente diante da natureza jurídica da correção monetária (obrigação de trato sucessivo), da ausência de modulação de efeitos por ocasião da rejeição dos Embargos de Declaração interpostos no RE nº 730.462, bem como do fato de que a leitura equivocada do teor do artigo 1º-F da Lei nº 9.497/1997, operada no bojo do título judicial em cumprimento, não transita em julgado por força do art. 504, I, do Código de Processo Civil (CPC/1973, art. 469, I) Este Tribunal Superior tem pacífico entendimento jurisprudencial pela possibilidade de, na fase de cumprimento de sentença, observarem-se as regras do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação da Lei n. 11.960/2009 e com alterações decorrentes das decisões proferidas no REsp 1.495.144/RS e no RE 870.947/SE, sem caracterização de violação à coisa julgada, na hipótese em que não houver prévios debates sobre a aplicação da lei. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NOS SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL FORMADO ANTES DO INÍCIO DE VIGÊNCIA DA LEI N. 11.960/2009, QUE ALTEROU O ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1997. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATORIOS. APLICAÇÃO IMEDIATA, NOS TERMOS DAS TESES DEFINIDAS PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. 1. Este Tribunal Superior tem pacífico entendimento jurisprudencial pela possibilidade de, na fase de cumprimento de sentença, observarem-se as regras do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação da Lei n. 11.960/2009 e com alterações decorrentes das decisões proferidas no REsp 1.495.144/RS e no RE 870.947/SE, sem caracterização de violação à coisa julgada, na hipótese em que não houver prévios debates sobre a aplicação da lei. Precedentes. 2. No caso dos autos, está consignado na sentença de primeiro grau: a sentença em execução foi proferida em 2008, antes da entrada em vigor da Lei n. 11.960/2009 (fl. 39). Portanto, não há falar em violação à coisa julgada. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1754427/MS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/09/2021, DJe 30/09/2021) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. IPCA-E. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. AUSÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. PROVIMENTO DO APELO NOBRE INTERPOSTO PELA PARTE EXEQUENTE. MANUTENÇÃO. 1. "A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.112.746/DF, afirmou que os juros de mora e a correção monetária são obrigações de trato sucessivo, que se renovam mês a mês, devendo, portanto, ser aplicada no mês de regência a legislação vigente. Por essa razão, fixou-se o entendimento de que a lei nova superveniente que altera o regime dos juros moratórios deve ser aplicada imediatamente a todos os processos, abarcando inclusive aqueles em que já houve o trânsito em julgado e estejam em fase de execução. Não há, pois, nesses casos, que falar em violação da coisa julgada." (EDcl no AgRg no REsp 1.210.516/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/9/2015, DJe 25/9/2015). 2. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina"; estabeleceu, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. 3. Manutenção do decisum que deu provimento ao recurso especial interposto pela parte exequente,para restabelecer a decisão que determinou o prosseguimento da execução de acordo com a planilha na qual se aplicou o IPCA-E. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1925739/RN, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/08/2021, DJe 18/08/2021) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.