REsp 1968553 - DECISAO
Em conformidade com precedentes do STF e desta Corte, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 não se aplica para fins de correção monetária das condenações previdenciárias, de modo que estas devem ser corrigidas pelo INPC no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006; assim, deu-se parcial provimento ao recurso especial...
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- Parties
- Recorrente: INSS; Autor: Encarregado de obras
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Incidência Do INPC, Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Repercussão Geral, Modulação De Efeitos
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Parties
INSS
Recorrente
Encarregado de obras
Autor
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 incidência do INPC em condenações previdenciárias posteriores à Lei 11.430/2006
- 2 constitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 quanto à correção monetária e aos juros moratórios
- 3 aplicação dos precedentes do STF (RE 870.947/SE) e do STJ (REsp 1.495.144/RS)
Ratio Decidendi
Em conformidade com precedentes do STF e desta Corte, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 não se aplica para fins de correção monetária das condenações previdenciárias, de modo que estas devem ser corrigidas pelo INPC no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006; assim, deu-se parcial provimento ao recurso especial para adequar o acórdão e determinar a incidência do INPC nesse período, afastando a alegada omissão do art. 535 do CPC/1973.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente provido
Orders
- Determina a incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006.
- Afasta-se a alegada violação do art. 535 do CPC/1973.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSS com fundamento no artigo 105, III, a, da Constituição Federal contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 119): ACIDENTÁRIA Encarregado de obras Acidente típico Fratura do membro inferior direito Nexo causalreconhecido Redução parcial e permanente da capacidade laborativa Auxílio-acidente devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença Valoresem atraso que devem ser atualizados na forma do art. 41 da Lei nº 8.213/91, afastada a adoção do INPCIncidência do IPCA-E a partir da elaboração da conta de liquidação Juros de mora devidos desde a citação, de forma englobada sobre o montante até aí apurado e, depois, mês a mês, de forma decrescente Aplicação do art. 5º da Lei nº 11.960/09, porém apenas no queconcerne aos juros, ante o resultado do julgamento da ADI nº 4.357 pelo STF Honorários advocatícios fixadossegundo a orientação da Súmula nº 111 do STJRecursos do autor e oficial parcialmente providos Embargos de declaração rejeitados. Em reapreciação da matéria ante o julgamento do Tema 905/STJ, houve alteração parcial do acórdão recorrido para que a aplicação do INPC alcance débitos previdenciários posteriores à vigência da Lei nº 11.430/06, porém só até junho/2009. Eis a ementa do referido julgado (fl.180): AÇÃO ACIDENTÁRIA Autos encaminhados aorelator para reapreciação da matéria, diante deentendimento adotado pelo STJ no sentido de que as condenações judiciais de natureza previdenciáriasujeitam-se à incidência do INPC, para fins decorreção monetária (art. 1.040, inciso II, do novo CPC) Adequação do acórdão para admitir a aplicação doINPC em relação a débito posterior à vigência da Leinº 11.430/06 (Tema nº 905 STJ), porém atéjunho/2009, passando então a ser aplicado o decididopeloSTFnojulgamentodoRE870.947/SE(repercussão geral - Tema nº 810), inclusive quanto a eventual modulação dos efeitos da orientaçãoestabelecida Acórdão parcialmente alterado. Nas razões de sua irresignação, o recorrente alega violação do artigo 535 do CPC/1973,, ao argumento de que a Corte de origem n ao se manifestou sobre a "impossibilidade de afastamento da Lei nº 11.960109 que instituiu a TR para atualização monetária do débito, e a determinação para a aplicação do IGP-DI, foram suficientemente prequestionadas no v. aresto(fl. 155). Quanto à questão de fundo, o recorrente alega violação dosartigos1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela lei 11.960/2009, da Lei nº 10.741/03,41-A da Lei nº 8.213/91 sob os seguintes argumentos: (a) "até que seja analisada a questão da modulação dos efeitos do julgamento envolvendo a ADIN 4.357, o indice a ser utilizado para fins de cálculo da correção monetária, e consequente pagamento dos precatórios e Requisições de Pequeno Valor, deverá ser o contido no artigo 104, da Lei 9.494/97,alterado pela Lei nº 11.960/09, qual seja, o indice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança" (fls. 160-161); e (b) o acórdão deve ser reformado para "que seja determinada a aplicação do INPC de janeiro de 2004, data da entrada em vigor da Lei nº 10.741/03 até a edição da Lei nº 11.960/09" (fl. 165). Sem contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 187-188. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 2/2016/STJ. Nesse passo, afasta-se a alegada violação doartigo535 do CPC/1973, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. No que se refere aos juros e correção monetária, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 870.947/SE, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, Dje de 20/11/2017), em sede de repercussão geral, decidiu que o art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 (redação dada pela Lei n. 11.960/2009) é constitucional quanto aos juros moratórios incidentes sobre condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, devendo ser observados os critérios fixados pela legislação infraconstitucional, notadamente os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança; por outro lado, assentou ser inconstitucional o referido dispositivo quanto à correção monetária, ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia. O julgado esta assim ementado: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA FAZENDA PÚBLICA.ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VIOLAÇÃO AO DIREITO FUNDAMENTAL DE PROPRIEDADE (CRFB, ART. 5º, XXII). INADEQUAÇÃO MANIFESTA ENTRE MEIOS E FINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DO RENDIMENTO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO ÍNDICE DEFINIDOR DOS JUROS MORATÓRIOS DE CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA, QUANDO ORIUNDAS DE RELAÇÕES JURÍDICO-TRIBUTÁRIAS. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA E VIOLAÇÃO À ISONOMIA ENTRE DEVEDOR PÚBLICO E DEVEDOR PRIVADO (CRFB, ART. 5º, CAPUT). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial, revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, os quais devem observar os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito; nas hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal supramencionado. 2. O direito fundamental de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no art. 1º- F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, porquanto a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A correção monetária tem como escopo preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária, enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A inflação, por representar o aumento persistente e generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a correspondência entre valores real e nominal (cf. MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC 2010, p. 94; DORNBUSH, R.;FISCHER, S. e STARTZ, R. Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2009, p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo:Prentice Hall, 2006, p. 29). 4. A correção monetária e a inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem, por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar a segunda, razão pela qual os índices de correção monetária devem consubstanciar autênticos índices de preços.5. Recurso extraordinário parcialmente provido. (RE 870.947, Rel. Ministro LUIZ FUX, TRIBUNAL PLENO, julgado em 20/09/2017, DJe 17/11/2017). Cabe anotar, que o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE n. 870.947/SE, submetido ao rito da repercussão geral (Tema 810/STF), quando, por maioria, rejeitou todos os embargos de declaração e não modulou os efeitos da decisão anteriormente proferida no referido leading case, conferindo eficácia prospectiva à declaração de inconstitucionalidade do índice previsto no artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, consoante acórdão publicado no DJe de 18/10/2019. Dessa forma, prevaleceu o seguinte entendimento: "I - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; II - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina". Nesse ínterim, a Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.495.144/RS, representativo da controvérsia, que assentou as seguintes diretrizes quanto à aplicabilidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009, em relação às condenações impostas à Fazenda Pública: .. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. .. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). Assim, resume-se os índices aplicáveis à correção monetária: - Até a vigência da Lei 11.430/2006: correção monetária pelos Índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. - Período posterior à vigência da Lei 11.430/2006 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: correção INPC. -Período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: correção monetária pelo INPC. Dessa forma, conforme ficou definido, as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991, assim comono período posterior à vigência da Lei 11.960/2009. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial, para determinar a incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. PRESTAÇÕES VENCIDAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/1997 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. INAPLICABILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO NO JULGAMENTO DO RECURSO REPETITIVO 1.495.144/RS. INCIDÊNCIA DO INPC A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 11.430/2006. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO.