AREsp 1947009 - DECISAO
O acórdão recorrido está em perfeita consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especialmente com o REsp 1.495.146/MG, que definiu os índices de correção monetária e de juros de mora aplicáveis às condenações relativas a servidores públicos; por isso, não há razão para acolher o recurso...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE MINAS GERAIS; Agravado: Servidor Público Estadual (Técnico Fazendário de Administração e Finanças)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao Recurso Especial do ESTADO DE MINAS GERAIS
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Promoção Por Escolaridade Adicional, Índices De Atualização Monetária, Coisa Julgada
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Parties
ESTADO DE MINAS GERAIS
Agravante
Servidor Público Estadual (Técnico Fazendário de Administração e Finanças)
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Definição dos índices de correção monetária e dos juros de mora aplicáveis às condenações judiciais referentes a servidor público estadual
- 2 Conformidade do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ e decisões do STF (ADI 4357/DF e ADI 4425/DF)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido está em perfeita consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especialmente com o REsp 1.495.146/MG, que definiu os índices de correção monetária e de juros de mora aplicáveis às condenações relativas a servidores públicos; por isso, não há razão para acolher o recurso especial do Estado de Minas Gerais, devendo o agravo ser conhecido para negar provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao Recurso Especial do ESTADO DE MINAS GERAIS
Orders
- Conhece‑se do agravo e nega‑se provimento ao recurso especial interposto pelo Estado de Minas Gerais
- Publique‑se
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. ALTERAÇÃO DOS ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS. ACÓRDÃO PROFERIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto pelo ESTADO DE MINAS GERAIS, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TJMG, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL - SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL - TÉCNICO FAZENDÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS - PROMOÇÃO POR ESCOLARIDADE ADICIONAL - LEI ESTADUAL 15.464/2005 - ALTERAÇÃO PELA LEI 16.190/2006 - DECRETO 44.769/2008 - RESOLUÇÃO CONJUNTA SEPLAG/SEF nº6.582108 - EXTRAPOLAÇÃO DO PODER REGULAMENTAR - PROMOÇÃO DEVIDA. - Conforme preceitua o art. 19 da Lei Estadual 15.464/2005, com redação dada pela Lei 16.190/2006, o servidor que comprovar formação complementar àquela exigida para o cargo no qual foi investido, faz jus à promoção por escolaridade adicional. - Nos termos da regulamentação dada pelo Decreto nº 44.769/2008, a promoção por escolaridade adicional se efetiva, quando preenchidos todos os pressupostos legais, ao nível subsequente da carreira àquele em que estiver posicionado o servidor, sendo certo que havendo escolaridade superior à exigida para o nivel da carreira em que for posicionado em virtude da primeira promoção, serão concedidas novas promoções a cada dois anos de efetivo exercício no mesmo nível, até que o servidor seja promovido ao nível da carreira cujo requisito de escolaridade seja equivalente ao do referido título. - A promoção por escolaridade adicional não se dá de forma automática, sendo devida a partir do requerimento administrativo do servidor. - Declarada a parcial inconstitucionalidade do art. 50 da Lei nº. 11.960/09 pelo Supremo Tribunal Federal (por meio da ADI nº. 4.357/DF), o STJ, por meio do REsp nº. 1.270.439/PR, adotou o entendimento de que, a partir de 29/06/2009, os juros moratórios devem ser calculados com base no indice oficial de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, nos termos do art. 10-F, da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei 11.960/09 e decisão proferida na mencionada ADI, e a correção monetária, por sua vez, de acordo com os índices estipulados pelo IPCA. (fls. 199/216). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 276/280). 3. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 311/339), a parte agravante sustenta,violação dos arts.1.022,inciso II, art. 489,inciso III,art. 313, inciso IV, § 3º, 982, 987, 1.029, §4º todos do CPC, além do disposto no art. 5º da Lei 11.960/2009 e lº-F da Lei 9.494/1997.Argumenta, para tanto: (a)a negativa de prestação jurisdicional; e (b) oExcelso Supremo Tribunal Federal julgou as ADIs 4357/DF e 4425/DF, ambas de relatoria do Ministro Luiz Fux, onde foi declarada a inconstitucionalidade da expressão "será feita pelo índice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança" constante do § 12 do art. 100 da CF, bem como, por arrastamento, o art. 5º da Lei nº 11.960, de 2009, que deu a atual redação do art. 1º-F da Lei nº 9.494, de 1997, onde consta a mesma expressão, quanto à correção monetária nas condenações contra a Fazenda Pública (fl. 326). 4. Devidamente intimada, a parte agravada apresentou as contrarrazões (fls. 343/356). 5. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo(fls. 416/424), assim fundamentado:(a) oentendimento manifestado no acórdão recorrido está em conformidade com a orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça nos mencionados paradigmas, o que impõe seja obstado o trânsito do recurso;razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 6. É o relatório. 7. A irresignação não merece prosperar. 8Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 9. Cinge-se a controvérsia a definir os índices de correção monetária e juros de mora a serem aplicados no cálculo de parcelas atrasadas. 10. Sem razão a parte recorrente, porquanto o acórdão recorrido está em perfeita consonância com a jurisprudência desta Corte. 11. Com efeito,a aplicação dos juros e da correção monetária foi finalmente definida por esta Corte no julgamento do REsp1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.3.2018, no qual se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 12. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1o.-F DA LEI 9.494/1997 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1o.-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001:juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1o.-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1o.-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1o., do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1o.-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ (REsp. 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.3.2018). 13. Diante dessas considerações, conhece-se do Agravo para negar provimento ao Recurso Especial do ESTADO DE MINAS GERAIS. 14. Publique-se.Intimações necessárias.