REsp 1971420 - DECISAO
O recurso especial foi considerado deficiente por apresentar alegação genérica de omissão, incorrendo no óbice subsumido pela Súmula 284 do STF; além disso, questões relativas à aplicação de indexador diante de precedente em repercussão geral devem ser apreciadas pelo Tribunal de origem nos termos do art. 543-C do...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Autor/recorrido: Autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Correção Monetária, Indexador Tr/ipca E/igp DI, Repetitivo E Modulação (tema 810 Stf; Tema 905 Stj), Omissão No Acórdão (art. 535 Cpc/73), Deserção Por Não Recolhimento Do Porte (lei 11.608/03)
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Autor
Autor/recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Adequação do índice de correção monetária aplicável aos valores em atraso (IGP-DI vs IPCA-E vs TR)
- 2 Alegada omissão no acórdão (art. 535 do CPC/73)
- 3 Competência do tribunal de origem para aplicar precedentes em incidente de reexame necessário/repetitivo (art. 543-C do CPC/73)
Ratio Decidendi
O recurso especial foi considerado deficiente por apresentar alegação genérica de omissão, incorrendo no óbice subsumido pela Súmula 284 do STF; além disso, questões relativas à aplicação de indexador diante de precedente em repercussão geral devem ser apreciadas pelo Tribunal de origem nos termos do art. 543-C do CPC/73, e o entendimento do STF sobre o Tema 810 ainda não transitou em julgado, razão pela qual o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, assim ementado (fl. 198): ACIDENTÁRIA - APELAÇÃO INTERPOSTA PELO INSS - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PORTE DE REMESSA E RETORNO.- IMPOSIÇÃO DA LEI ESTADUAL 11.608/03 - DESERÇÃO. "A ausência de comprovação do recolhimento do porte de remessa e retorno previsto pela Lei 11.608/03 obsta o processamento de apelação interposta pelo INSS nas lides acidentárias". ACIDENTÁRIA - LESÕES NOS MEMBROS SUPERIORES - LIAME OCUPACIONAL E PREJUÍZO FUNCIONAL RECONHECIDOS -INDENIZABILIDADE. Reconhecido tecnicamente que as lesões que acometem os membros superiores do obreiro guardam liame com a atividade profissional desempenhada e efetivamente restringe a sua capacidade de trabalho, de rigor a concessão do auxílio-acidente com inicio a partir do dia seguinte ao da alta médica. Os valores em atraso serão M apurados na forma da Lei 8.213191 com atualização pelo IGP-DI e acrescidos de juros de mora (estes à base mensal conforme Lei 11.960109), adequando-se, no que couber, a modulação que advier do Supremo Tribunal Federal por força do julgamento da ADI 4.357. A renda mensal a ser implantada será reajustada pelos índices de manutenção" Apelação do INSS julgada deserta; sentença de procedência reformada emparte por força do reexame necessário e do provimento do recurso do autor. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 221/226). Aponta o recorrente violação dos arts. 535, do CPC/73, 1º F, da Lei 9.494/97, com a redação dada pelo art. 5º da Lei 11.960/2009, 27 da Lei 9.868/99, 31 da Lei 10.741/03 e 41-A da Lei 8.213/91. Sustenta, em síntese: (I) a existência de omissão no julgado, (II) que "..não há fundamento legal para o v. acórdão recorrido determinar que, a partir de 30.06.2009, a correção das parcelas em atraso na presente ação será apurada pela aplicação do IGP-DI, até a data da elaboração da conta, e, após pelo IPCA-E, tendo em vista que deve incidir o disposto na Lei nº 11.960/2009 para a atualização da condenação, sendo inconstitucional o índice ali colocado apenas para a atualização do precatório e, ainda, assim, a partir de 25/03/2015." (fl. 241). Contrarrazões às fls. 269/272. Em novo exame por força do art. 1.030, II, do CPC/2015, o acórdão foi mantido, cuja ementa se colhe (fl. 2857): AÇÃO ACIDENTÁRIA - BENEFÍCIO DEFERIDO - CORREÇÃO DOS VALORES EM ATRASO - INDEXADOR A SE APLICAR - ADEQUAÇÃO À ORIENTAÇÃO DEFINITIVA QUE ADVIER DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM SEDE DO TEMA 810. Acórdão mantido. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O recurso não prospera. De início, mostra-se deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na espécie, o óbice da Súmula 284 do STF. Nesse mesmo sentido vão os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.070.808/MA, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 10/6/2020; AgInt no REsp 1.730.680/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 24/4/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.141.396/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 12/3/20020; AgInt no REsp 1.588.520/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 27/2/2020 e AgInt no AREsp 1.018.228/PI, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 25/9/2019. No mais, ressalta-se que na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." No mais, com relação aos Temas nº 905 do STJ e nº 810 do STF, o Tribunal a quo assim se pronunciou, in verbis (fls. 287/288): II) Quanto à Taxa Referencial (TR) prevista pela Lei 11.960/09. Sabe-se que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 870.947/SE, Tema 810 - tratado como de repercussão geral, em 20.09.2017, ratificou a inadmissibilidade da Taxa-Referencial (TR), prevista pela Lei 11.960109; como indexador e definiu o emprego do IPCA-E no seu lugar. Não obstante, tal Acórdão da Corte Suprema ainda não transitou em julgado, porquanto há pendência de embargos de declaração recebidos excepcionalmente com efeito suspensivo, desorte que o IPCA-E, definido como indexador, ainda carece de confirmação. No caso dos autos,. conquanto o Acórdão de minha lavra lançado nas fls. 183/192 tenha definido o IGP-D1 como fator de correção também deixou expressamente assentado que, à época daapuração dos valores em atraso, o cálculo de liquidação deverá se adequar, evidentemente no que tange ao critério de correção, àmodulação que advier do Supremo Tribunal Federal em torno doassunto (ver fls. 191/192). Assim, ultimada a resolução da controvérsia em repercussão geral, denotando a primazia do viés constitucional do tema em debate, caso não é de enfrentá-lo na seara do Recurso Especial ou do Agravo dele decorrente (AREsp). ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial. Publique-se.