AREsp 1900681 - DECISAO
O agravo não foi provido porque, conforme orientação consolidada do STJ e do STF, deve ser respeitada a coisa julgada e a preclusão das questões decididas no título executivo; assim, não é cabível, na fase de cumprimento de sentença, alterar os índices de correção monetária fixados em decisão transitada em julgado...
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- Parties
- Agravante: Sabino Francisco da Silva
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Juízo De Retratação (art. 1.021, § 2º, Cpc) E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Correção Monetária, Coisa Julgada, Preclusão, Cumprimento De Sentença, Índices De Correção Monetária, Súmula 284/stf
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Parties
Sabino Francisco da Silva
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Juízo De Retratação (art. 1.021, § 2º, Cpc) E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inaplicabilidade da Súmula 284/STF ao recurso especial
- 2 preclusão da discussão sobre índice de correção monetária e prevalência da coisa julgada
- 3 possibilidade de revisão dos índices de correção monetária na fase de cumprimento de sentença à luz de decisões do STF
Ratio Decidendi
O agravo não foi provido porque, conforme orientação consolidada do STJ e do STF, deve ser respeitada a coisa julgada e a preclusão das questões decididas no título executivo; assim, não é cabível, na fase de cumprimento de sentença, alterar os índices de correção monetária fixados em decisão transitada em julgado sem a prévia desconstituição dessa coisa julgada.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto porSabino Francisco da Silva, contra decisão da Presidência desta Corte Superior que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, ante a incidência da Súmula 284/STF(fls. 139/141). Inconformada, a parte agravante defende a inaplicabilidade do referido óbice, sob o argumento de que "foram impugnados todos os fundamentos que mantêm o acórdão atacado, conforme planilha a seguir destacada, que elucida os pontos levantados pelo em. relator na r. decisão ora agravada"(fl. 147). No mais, defende que "a jurisprudência desse Col. Superior Tribunal de Justiça, caminha em consonância com os argumentos apresentados pelo recorrente, de forma a ressalvar a aplicação imediata em todos os processos da lei nova que altera o regime da correção monetária, abarcando inclusive aqueles em que já houve o trânsito em julgado." (fl. 150). Requer o processamento do apelo nobre. As razões do recursoforam impugnadas (fls. 171/174). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação facultado pelo art. 1.021, § 2º, 2ª parte, do CPC e 259 do RISTJ, reconsidero a decisão agravada (fls. 139/141), tornando-a sem efeito. Passo a novo exame do agravo em recurso especial. Trata-se de agravo manejado porSabino Francisco da Silva contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, assim ementado (fl. 34): AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CÁLCULOS HOMOLOGADOS.IMPOSSIBILIDADE DE SE DISCUTIR NOVAMENTE O ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA APLICADO. PRECLUSÃO. 1 A despeito do STF ter pacificado o entendimento a respeito dos critérios de correção monetária e dos juros moratórios sobre as condenações impostas à Fazenda Pública quando do julgamento do tema 810, tem-se que, na presente hipótese, os cálculos apresentados pelo próprio credor/agravante foram homologados pelo juízo a quo antes da conclusão do julgamento pela Suprema Corte. Dessa forma, resta impossibilitada a reabertura de nova discussão sobre a atualização monetária porque preclusa a matéria. 2. Nos termos do artigo 507 do CPC, é vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. 3. Recurso conhecido e não provido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 60/65). Nas razões do recurso especial, a parte agravante apontaviolação aoart. 507 do CPC. Sustenta que "é equivocado o entendimento exarado no decisum ora recorrido, segundo o qual a discussão sobre o índice de correção monetária está preclusa e que a utilização do IPCA-E implicaria em violação à coisa julgada, sendo incabível a determinação do retorno dos autos à Contadoria Judicial para aplicação do referido índice.Trata-se de compreensão que esbarra na pacífica jurisprudência que sempre considerou que os juros e a correção monetária traduzem questões de ordem pública e que os erros de cálculo decorrentes da sua aplicação equivocada podem ser corrigidos até o trânsito em julgado da sentença que extingue a execução pelo pagamento, sendo vedada a presunção de renúncia tácita" (fl. 71). Ressalta que "a correção monetária é questão de ordem pública e pode ser revista de ofício pelo Poder Judiciário a qualquer tempo, ainda que não seja requerida, tratando- se de pedido implícito" (fl. 71). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O inconformismo não pode ser acolhido. Com efeito, "consoante o entendimento desta Corte, em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos, deve ser observada eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto, não obstante os parâmetros estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora."(AgInt no REsp 1925470/RJ, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2021, DJe 29/06/2021). Nessa mesma linha, confiram-se: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA.DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. RE 870.947. COISA JULGADA. PREVALÊNCIA. 1. Cinge-se a controvérsia a definir se é possível, em fase de cumprimentode sentença, alterar os critérios de atualização dos cálculos estabelecidos na decisão transitada em julgado, a fim de adequá-los ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal em repercussão geral. 2. O Tribunal de origem fez prevalecer os parâmetros estabelecidos pela Suprema Corte no julgamento do RE 870.947, em detrimento do comando estabelecido no título judicial. 3. Conforme entendimento firmado pelo Pretório Excelso, " .. a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente; para que tal ocorra, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495)" (RE 730.462, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 28/5/2015, acórdão eletrônico repercussão geral - mérito DJe-177 divulg 8/9/2015 public 9/9/2015). 4. Sem que a decisão acobertada pela coisa julgada tenha sido desconstituída, não é cabível ao juízo da fase de cumprimento de sentença alterar os parâmetros estabelecidos no título judicial, ainda que no intuito de adequá-los à decisão vinculante do STF. 5. Recurso especial a que se dá provimento. (REsp 1861550/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2020, DJe 04/08/2020) PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. COISA JULGADA.PREVALÊNCIA. 1. Não se configura a alegada ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. O Tribunal de origem consignou: "(..) O r. despacho agravado valeu-se quanto aos juros legais aos termos da Lei n. 9.494/97, observado o art. 1º-F, atento aos termos dos julgados do STF, reportando-se à modulação. Quanto a correção monetária escorou razões na clásula 10.5 do contrato, que indica o índice do IGP-M. Quanto a este último tópico, não resulta deliberação viciosa, mas sim denota estar adequadamente escorada na referida cláusula contratual onde há expressa menção de aplicação de atualização ao ser constatado retardo no pagamento de parcelas devidas, situação esta que é confirmada pela cláusula 10.1, que é expressa a respeito de reajustamento contratual (IGP-M)". 3. A reforma do aresto impugnado implica reexame do suporte fático-probatório dos autos, o que é inadmissível na estreita via do Recurso Especial, ante o óbice das Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. O STJ, em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos, quanto à matéria referente à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97 (com redação dada pela Lei n. 11.960/2009), estabeleceu que, não obstante os índices fixados para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, deve ser ressalvada a coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1747028/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/06/2021, DJe 01/07/2021) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO. HONRÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. 1. Nas causas em que a Fazenda Pública for parte e as sentenças forem ilíquidas, a condenação em honorários deverá observar os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º, nos percentuais indicados no § 3º, do art. 85 do Código de Processo Civil. 2. "As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). .. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto" (Tema n. 905 do ST J). 3. Embargos de declaração parcialmente acolhidos. (EDcl na AR 4.041/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2021, DJe 03/05/2021) Por estar em conformidade com esse entendimento, não merece reparos o acórdão recorrido. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se.