REsp 1901673 - DECISAO
O Tribunal de origem, ao exercer juízo de retratação nos termos do art. 1.030, II, do CPC/2015, adequou o acórdão ao entendimento consolidado pelo STJ no Tema 905, decidindo pela aplicação do INPC para correção monetária nas condenações previdenciárias após a Lei 11.430/2006 e pela incidência das regras sobre juros...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Juízo De Retratação / Decisão Sobre Agravo Interno
- Outcome
- Reconsidero a decisão de fls. 206/209 e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Recurso Especial, Juízo De Retratação
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Juízo De Retratação / Decisão Sobre Agravo Interno
Legal Issues
- 1 incidência das Súmulas 579/STJ e 126/STJ sobre conhecimento do recurso especial
- 2 valoração do juízo de retratação (art. 1.030, II, CPC/2015) e adequação do acórdão ao Tema 905/STJ
- 3 aplicação do INPC e demais índices (IPCA-E, poupança, Selic) às condenações judiciais de natureza previdenciária
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem, ao exercer juízo de retratação nos termos do art. 1.030, II, do CPC/2015, adequou o acórdão ao entendimento consolidado pelo STJ no Tema 905, decidindo pela aplicação do INPC para correção monetária nas condenações previdenciárias após a Lei 11.430/2006 e pela incidência das regras sobre juros previstas no art. 1º-F da Lei 9.494/97 (redação dada pela Lei 11.960/2009), de modo que não havia fundamento para o provimento do recurso especial; assim, a decisão monocrática foi reconsiderada e o recurso especial foi negado provimento.
Court Disposition
Reconsidero a decisão de fls. 206/209 e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Reconsidero a decisão de fls. 206/209
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra decisão monocrática de minha lavra, às fls. 206/209, que não conheceu de seu recurso especial, diante dos seguintes fundamentos: (I) incidência da Súmula 579/STJ, tendo em vista que houve reapreciação do acórdão, nos termos do art. 543-C, § 7º, inc. II, do CPC/1973, com sua modificação e adoção de nova fundamentação, e ausente a necessária ratificação do apelo, bem como (II) a aplicação do óbice previsto na Súmula 126/STJ, pois o acórdão foi amparado em fundamento constitucional e infraconstitucional, todos aptos a manter o resultado do julgado, sendo inexistente a interposição de recurso extraordinário. Em suas razões, sustenta a parte agravante que "ao revés do consignado na r. decisão agravada, o Tribunal de origem, conquanto também tenha mencionado decisão do e. Supremo Tribunal Federal, assentou o seu principal fundamento de decisão na interpretação de dispositivos legais de natureza infraconstitucional, em especial na Lei 11.960/2009" (fls.213/214). Também defende que não há falar em incidência da Súmula 126/STJ, pois ".. constata-se que a análise do recurso especial interposto, bem como a inversão do julgado regional, independem do exame de matéria constitucional, visto que a referida análise repousa na interpretação dos preceitos legais acima mencionados e dos demais dispositivos legais elencados nas razões do REsp, pelo que não há falar em usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal." (fl. 214). Aduz que "Se o óbice contido na Súmula 126/STJ fosse realmente aplicável à hipótese, o julgamentos dos Recursos Especiais 1495146/MG, 1492221/PR e 1495144/RS (que compõem o Tema 905/STJ) não poderia ter ocorrido ou ao menos deveria ocorrer, amoldando-se ao julgamento do STF, o que não ocorreu, por ser totalmente desnecessário" (fl. 215). Devidamente intimada, a parte agravada não apresentou impugnação, conforme certidão de fl. 229. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Assiste parcial razão à autarquia agravante Com efeito, conforme se verifica dos autos, o Tribunal a quo, em juízo de retratação previsto no art. 1.030, II, do CPC/15, proferiu novo julgamento para adequação do acórdão recorrido ao quanto decidido por este STJ no deslinde do TEMA 905. Eis os termos adotados na realização do juízo de adequação (fl. 191): APELAÇÃO - AUTOS DEVOLVIDOS À TURMA JULGADORA PARA EVENTUAL ADEQUAÇÃO DA FUNDAMENTA ÇÃO E/OU MANUTEN ÇÃO DA DECISÃO - OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES NOS TEMAS 810 (STF) E 905 (STJ), ATINENTES AOS ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA, NOS TERMOS DO ARTIGO 1.040, II DO NOVO CPC - NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃ O DO JULGADO. Verifica-se que o Tribunal de origem, ao fixar o INPC como critério de correção monetária no período posterior à vigência da Lei nº 11.430/06, decidiu em consonância com o entendimento firmado por este Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo. Confira-se a ementa do julgado da Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação e m relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 20/03/2018). ANTE O EXPOSTO, reconsidero a decisão de fls. 206/209e nego provimento ao recurso especial. Publique-se.