REsp 1968543 - DECISAO
O Tribunal conheceu parcialmente do Recurso Especial e deu-lhe parcial provimento, por entender que o acórdão recorrido destoou da jurisprudência do STJ: determinou-se que, nas condenações judiciais de natureza previdenciária, incida o INPC para correção monetária no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006;...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "a" E "c", Da Cf) / Julgado (conhecido Parcialmente E Parcialmente Provido)
- Outcome
- Recurso Especial conhecido parcialmente e parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índice INPC, Taxa Referencial (tr), IGP DI, IPCA E, Juros De Mora, Recurso Especial, Tema 905, Tema 810
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "a" E "c", Da Cf) / Julgado (conhecido Parcialmente E Parcialmente Provido)
Legal Issues
- 1 Qual o indexador aplicável para correção monetária em ação acidentária
- 2 Aplicabilidade do INPC para condenações previdenciárias após a Lei 11.430/2006
- 3 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 com redação da Lei 11.960/2009
Ratio Decidendi
O Tribunal conheceu parcialmente do Recurso Especial e deu-lhe parcial provimento, por entender que o acórdão recorrido destoou da jurisprudência do STJ: determinou-se que, nas condenações judiciais de natureza previdenciária, incida o INPC para correção monetária no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006; para o período anterior devem ser aplicados os índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal; e os juros de mora incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 com redação dada pela Lei 11.960/2009.
Court Disposition
Recurso Especial conhecido parcialmente e parcialmente provido
Orders
- Conheço parcialmente do Recurso Especial.
- Dou parcial provimento ao Recurso Especial para determinar que a correção monetária dos valores devidos seja calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se deRecurso Especial (art. 105, III, "a" e "c", da CF) interposto contra acórdão cuja ementa é a seguinte: AÇÃO ACIDENTÁRIA - BENEFÍCIO DEFERIDO - CORREÇÃO DOS VALORES EM ATRASO - INDEXADOR A SE APLICAR - ADEQUAÇÃO À N ORIENTAÇÃO DEFINITIVA QUE ADVIER DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM SEDE DO TEMA 810. Acórdão mantido. A parte recorrentesustenta que a legislação federal foi ofendida. Defende: Dessa forma, temos por infringidos os seguintes dispositivos legais: art.31, da Lei nº 10.741/2003; art. 41-A, da Lei nº 8.213/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.430/2006; art. 5 0, da Lei nº 11.960/2009 e art. 1 1-F da Lei nº 9494/1997. (..) Na hipótese de ser afastada violação ao supracitado artigo 535, do CPC, então é de ser ter por suficientemente prequestionada a matéria controvertida, hipótese em que deve então ser analisada a matéria de fundo objeto do inconformismo, demonstrada ofensa à legislação federal, sendo certo que o v. aresto recorrido também está em confronto com a jurisprudência dessa E. Corte Superior sobre a matéria, o INSS requer e aguarda que o presente Recurso Especial seja conhecido e provido, com a reforma do v.aresto recorrido para determinar a aplicação, para fins de correção monetária do débito, o índice INPC a partir do advento da Lei 10.741/03, bem como a TR como índice de atualização das parcelas em atraso a partir da Lei nº 11.960/2009, excluindo-se a aplicação do IGP-DI e do IPCA-E nos moldes determinados pelo v. acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Preliminarmente, a parte insurgente sustenta que o art. 535, do CPC/1973foi violado, mas deixa de apontar, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Assevera apenas ter oposto Embargos de Declaração no Tribunal a quo, sem indicar as matérias sobre as quais deveria pronunciar-se a instância ordinária, nem demonstrar a relevância delas para o julgamento do feito. Assim, é inviável o conhecimento do Recurso Especial nesse ponto, ante o óbice da Súmula 284/STF. Cito precedente: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. (..) 1. Para o acolhimento da negativa de prestação jurisdicional não é suficiente a mera rejeição dos declaratórios opostos, de forma que é imprescindível a demonstração individualizada do vício, bem como sua relevância ao resultado do julgado. Súmula n. 284/STF. (..) (AgInt no REsp 1817079/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 12/12/2019) Ao decidir a controvérsia, o Tribunalde origem anotou: Vê-se que a controvérsia cinge-se exclusivamente à definição do indexador a se empregar na correção dos valores, pleiteando o INSS a adoção do INPC até o advento da Lei 11.960/09, aplicando-se a partir dai a Taxa Referencial (TR) em tal Diploma legal 110 prevista. 1) Quanto ao emprego do INPC. Considerada a posição externada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede do Tema 905 e levando-se em conta o lapso temporal de incidência almejado pelo INSS (emprego do INPC até o advento da Lei 11.960109), tem-se por inconsistente a pretensão deduzida porque, como se vê da análise dos julgados já prolatados no feito, o benefício acidentário concedido o foi a partir de 16.02.2011 , ou seja, o termo inicial definido é posterior à edição da aludida Lei 11 .960109. (..) No caso dos autos, conquanto o Acórdão de minha lavra lançado nas fls. 109/115 tenha definido o IGP-DI como fator de correção. também deixou expressamente assentado que, à época da apuraçãodos valores em atraso . o cálculo de liquidação deverá se adequar, evidentemente no que tange ao critério de correção, à modulação que advier do Supremo Tribunal Federal em torno do assunto (ver fls. 114/115). Se assim foi, é de se reconhecer que o critério de correção aqui a se aplicar está condicionado à solução definitiva do Tema 810 já previsto nos autos, não se cogitando de retratação. Ante o exposto, pelo meu voto, mantenho o Acórdão prolatado. A irresignação prospera, porque o acórdão recorrido destoa da jurisprudência do STJ de que, nas condenações judiciais de natureza previdenciária, incide o INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Na mesma linha: PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. AUSÊNCIA DE COMBATE A FUNDAMENTO AUTÔNOMO DO ACÓRDÃO. SÚMULAS N. 283 E N. 284/STF. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. DATA DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO OU, CASO INEXISTENTE, NA DATA DA CITAÇÃO. CONDENAÇÃO IMPOSTA À FAZENDA PÚBLICA DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. ÍNDICES DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA CONFORME ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. TEMA N. 905/STJ. AÇÃO ACIDENTÁRIA. CUSTAS. INSS. SÚMULA N. 178/STJ. I - Na origem, cuida-se de ação ajuizada em desfavor do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, objetivando a concessão de auxílio-doença. II - O reexame do acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, confirma o entendimento exarado na decisão agravada, segundo o qual, o fundamento de que "apesar de o primeiro acidente sofrido pelo autor remontar a quinze anos, a incapacidade dele advém da progressão das seqüelas e de novo acidente sofrido (sete anos após), como registrado no laudo pericial", utilizado de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo, não foi rebatido no apelo nobre, o que atrai o óbice das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF. III - De acordo com a jurisprudência pacífica do STJ, o termo inicial para a concessão de benefício previdenciário é a data do requerimento administrativo e, na sua ausência deste, a partir da citação. Precedentes: REsp n. 1.475.373/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 19/4/2018, DJe 8/5/2018; REsp n. 1.714.218/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/2/2018, DJe 2/8/2018; AgInt no REsp n. 1.601.268/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 23/6/2016, DJe 30/6/2016; e AgInt no AREsp n. 819.542/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 7/6/2016, DJe 16/6/2016. IV - A Primeira Seção do STJ, no julgamento dos Recursos Especiais n. 1.495.144/RS, n. 1.495.146/MG e n. 1.492.221/PR - Tema n. 905 -, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, firmou entendimento no sentido de que as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/91; enquanto que aos juros de mora incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). V - De acordo com o Enunciado n. 178 da Súmula do STJ, de que "o INSS não goza de isenção do pagamento de custas e emolumentos, nas ações acidentárias e de benefícios, propostas na Justiça Estadual". VI - Recurso especial parcialmente provido para determinar que a correção monetária dos valores devidos seja calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e os juros de mora pela remuneração oficial da caderneta de poupança. (REsp 1686798/SE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2020, DJe 20/11/2020) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO ACIDENTÁRIO. JUROS DE MORA E ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 1º-F DA LEI 9.494/1997 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. CONDENAÇÃO DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. OBSERVÂNCIA DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS 1.495.146/MG, 1.495.144/RS E 1.492.221/PR. 1. A questão a ser revisitada diz respeito à incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, sobre a condenação imposta à Fazenda Pública previdenciária. 2. A Primeira Seção do STJ concluiu o julgamento dos Recursos Especiais submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos, que tratam da questão relativa à aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009, em relação às condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora REsp 1.495.146/MG, REsp 1.495.144/RS e REsp 1.492.221/PR, todos da Relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques. 3. Para o presente caso, isto é, condenações judiciais de natureza previdenciária, incide o INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. 4. No tocante aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, consoante art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009. 5. Recurso Especial do INSS provido. (REsp 1864707/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 25/06/2020) Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte,dou-lhe parcial provimento, nos termos da fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se.