REsp 1968804 - DECISAO
Dado o entendimento consolidado no Tema 905/STJ e no REsp 1.495.146/MG, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, aplica-se o INPC para correção monetária no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006; para o período anterior, aplicam-se os índices previstos no Manual de Cálculos da...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSS; Recorrido: obreiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão (julgamento)
- Outcome
- recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Auxílio Acidente, Deserção, Reexame Necessário
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Parties
INSS
Recorrente
obreiro
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão (julgamento)
Legal Issues
- 1 índice de atualização aplicável às condenações previdenciárias (IGP-DI vs INPC vs IPCA-E)
- 2 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação da Lei 11.960/2009) às condenações da Fazenda Pública
- 3 possibilidade de configurar ofensa ao art. 535 do CPC/1973
Ratio Decidendi
Dado o entendimento consolidado no Tema 905/STJ e no REsp 1.495.146/MG, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, aplica-se o INPC para correção monetária no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006; para o período anterior, aplicam-se os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Ademais, não se configurou ofensa ao art. 535 do CPC/1973.
Court Disposition
recurso especial parcialmente provido
Orders
- Dar parcial provimento ao Recurso Especial
- Determinar a aplicação do INPC para fins de correção monetária das parcelas referentes ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão assim ementado: ACIDENTÁRIA - APELAÇÃO INTERPOSTA PELO INSS - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PORTE DE REMESSA E RETORNO - IMPOSIÇÃO DA LEI ESTADUAL 11.608/03 - DESERÇÃO. "A ausência de comprovação do recolhimento do porte de remessa e retorno previsto pela Lei 11.608103 obsta o processamento de apelação interposta pelo INSS nas lides acidentárias". ACIDENTÁRIA - PROBLEMA COLUNAR - LIAME OCUPACIONAL E PREJUÍZO FUNCIONAL DEMONSTRADOS - INDENIZABILIDADE. "Reconhecido tecnicamente que as lesões que acometem a coluna do obreiro guardam liame com o acidente típico noticiado e com a atividade profissional desempenhada , implicando redução parcial e permanente da sua capacidade de trabalho , de rigor a concessão do auxílio - acidente com início a partir do dia seguinte ao da alta médica. Os valores em atraso serão apurados na forma da Lei 8.213/91 com atualização pelo IGP - DI e acrescidos de juros de mora ( estes à<base mensal conforme Lei 11 . 960/09 ). A renda mensal a ser ,implantada será reajustada pelos índices de manutenção". Apelação do INSS julgada deserta; sentença de procedência mantida em sede do reexame necessário. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fl. 410, e-STJ). O recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu violação dos arts. 535 do CPC/1973; 27 da Lei 9.868/1999; 31 da Lei 10.741/2003; 41-A da Lei 8.213/1991; 5º da Lei 11.960/2009; e 1º-F da Lei 9.494/1997. Sustenta, em suma, que o acórdão recorrido indevidamente entendeu pela adoção do IGP-DI como índice de atualização das parcelas em atraso até a conta de liquidação, quandoentão incidirá o IPCA-E. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 18.11.2021. Merece parcial acolhida a irresignação. Inicialmente, constata-se que não se configura a ofensa ao art. 535 do CPC/1973, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. A Primeira Seção do STJ, nos termos do Tema 905/STJ (Recursos Especiais 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques), determinou que as condenações, de natureza previdenciária, impostas à Fazenda Pública sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior ao início da vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1. Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCAE a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). (..) 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 2/3/2018, grifei) No enfrentamento da matéria, o Tribunal de origem decidiu (fls. 390-391, e-STJ): Por fim, cumpre-me observar, para melhor direcionar a futura execução, que o auxílio-acidente terá como base de cálculo o mesmo salário-de-benefício que norteou o pagamento do correspondente ao auxílio-doença no âmbito administrativo (R$3.400,34 - fls. 27/32) e que os valores em atraso serão corrigidos monetariamente pelo IGNDI (não se cogita de aplicação da Taxa Referencial ( TR) na hipótese por força do julgado do Supremo Tribunal Federal que, em sede da ADI 4.357, expressamente declarou inconstitucional a adoção do indice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança como fator - de correção dos débitos a serem adimplidos pela . Fazenda Pública) e acrescidos de juros de mora contados a .partir da citação (28.05.2012 - verso de fls. 44) de uma só vez sobre o quantum até aí devido e, após, mês a mês de modo decrescente, à base mensal conforme, neste aspecto (porque não alterado em sede da aludida ADI), a disciplina da Lei 11 . 960/09. Dessume-se que o acórdão recorrido não está em sintonia com o atual entendimento do STJ, razão pela qual merece prosperar a irresignação. Na hipótese, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, incide o INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o artigo 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Diante do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Especial, nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se.