REsp 1910812 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão anterior e deu-se parcial provimento ao recurso especial do INSS, nos termos da tese firmada no Tema 905/STJ, determinando a incidência do INPC para correção monetária das condenações de natureza previdenciária no período posterior à Lei 11.430/2006 (art. 41-A da Lei 8.213/91) e a aplicação...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão (reconsideração)
- Outcome
- Reconsiderada a decisão anterior e dado parcial provimento ao recurso especial do INSS
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Repetitivos (tema 905/stj), Incidência Do INPC, Súmulas (126, 279, 284, 579), Precatórios
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão (reconsideração)
Legal Issues
- 1 aplicação do Tema 905/STJ ao caso concreto
- 2 incidência do INPC como índice de correção monetária para condenações previdenciárias no período posterior à Lei 11.430/2006 (art. 41-A da Lei 8.213/91)
- 3 incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (redação dada pela Lei 11.960/2009) quanto aos juros de mora nas condenações da Fazenda Pública
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão anterior e deu-se parcial provimento ao recurso especial do INSS, nos termos da tese firmada no Tema 905/STJ, determinando a incidência do INPC para correção monetária das condenações de natureza previdenciária no período posterior à Lei 11.430/2006 (art. 41-A da Lei 8.213/91) e a aplicação da remuneração da caderneta de poupança para os juros de mora (art. 1º-F da Lei 9.494/97, redação da Lei 11.960/2009).
Court Disposition
Reconsiderada a decisão anterior e dado parcial provimento ao recurso especial do INSS
Orders
- Reconsiderar a decisão de fls. 183/186 e dar parcial provimento ao recurso especial do INSS
- Determinar a incidência do INPC para fins de correção monetária no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006 (art. 41-A da Lei 8.213/91) e a aplicação da remuneração oficial da caderneta de poupança para os juros de mora (art. 1º-F da Lei 9.494/97, redação dada pela Lei 11.960/2009)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-sede agravo interno manejadopelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSSdesafiando decisão que não conheceu do recurso especial, sob os seguintes fundamentos:(I) incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo; (II) incidência, por analogia da Súmula 579/STJ, em face da ausência da retificação do apelo nobre anteriormente interposto, na medida em que houve a alteração do acórdão recorrido quanto ao indexador para fins de correção monetária; (III) aplicação da Súmula 126/STJ à espécie; e (IV) ultimada a resolução da controvérsia em repercussão geral, denotando a primazia do viés constitucional do tema em debate, caso não é de enfrentá-lo na seara do Recurso Especial ou do Agravo dele decorrente. A parte agravante, em suas razões, sustentaque "ao revés do consignado na r. decisão agravada, o Tribunal de origem, conquanto também tenha mencionado decisão do e. Supremo Tribunal Federal, assentou o seu principal fundamento de decisão na interpretação de dispositivos legais de natureza infraconstitucional, em especial na Lei 11.960/2009" (fl. 190). Aduz que "Se o óbice contido na Súmula 126/STJ fosse realmente aplicável à hipótese, o julgamento dos Recursos Especiais 1495146/MG, 1492221/PRe 1495144/RS (que compõem o Tema 905/STJ) não poderia ter ocorrido ou ao menos deveria ocorrer, amoldando-se ao julgamento do STF, o que não ocorreu, por ser totalmente desnecessário" (fl. 192). Sem contrarrazões ao agravo interno, conforme certidão de fl. 199. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Assiste parcialrazão à autarquia agravante. Este Superior Tribunal de Justiça, no deslinde do TEMA 905sob o rito dosrecursos repetitivos, definiu o INPC como critério de correção monetária de valores relativos ao pagamento debenefício previdenciário, no período posterior à vigência da Lei nº 11.430/06, a teor do 41-A na Lei 8.213/91. Confira-se a ementa do julgado da Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART.1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 20/03/2018) ANTE O EXPOSTO,reconsideroadecisão de fls. 183/186, para dar parcial provimento ao recurso especial do INSS e, nos termos da tese firmada no Tema 905/STJ, determinar a "incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009)".. Publique-se.