REsp 2081001 - DECISAO
Não houve negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 CPC). Aplicando-se a jurisprudência consolidada (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica à correção monetária das condenações impostas à Fazenda Pública; nas condenações de natureza previdenciária a atualização deve observar...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrido: obreiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Auxílio Acidente, Aplicação Da Lei 11.960/2009, Índices De Atualização Monetária
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
obreiro
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 às condenações impostas à Fazenda Pública
- 2 Índices de correção monetária aplicáveis às condenações de natureza previdenciária
- 3 Incidência dos juros de mora nas condenações da Fazenda Pública
Ratio Decidendi
Não houve negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 CPC). Aplicando-se a jurisprudência consolidada (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica à correção monetária das condenações impostas à Fazenda Pública; nas condenações de natureza previdenciária a atualização deve observar o INPC para o período posterior à Lei 11.430/2006 (e, no período anterior, os índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal); após a vigência da Lei 11.960/2009 deve-se aplicar o IPCA-E em substituição à TR, e os juros de mora incidem segundo a remuneração da caderneta de poupança conforme a orientação jurisprudencial.
Court Disposition
recurso especial parcialmente provido
Orders
- Modificar parcialmente o acórdão recorrido
- Atualizar as parcelas em atraso observando os critérios da Lei nº 8.213/91: aplicar INPC para o período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006 e os índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal no período anterior; aplicar o IPCA-E em substituição à TR após a vigência da Lei 11.960/2009
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 510): Apelação do INSS, do obreiro e Reexame Necessário - Auxílio-acidente - LER e Coluna - Membros superiores - Necessidade de maior esforço para o labor - Concessão - Presentes nexo e redução da capacidade laborativa, o trabalhador faz jus ao auxílio-acidente de 50% do salário-de-benefício - Abono anual - Termo inicial do benefício a partir da juntada do laudo pericial - Recursos voluntários do obreiro e do INSS desprovidos. Reexame necessário parcialmente acolhido, com observação Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 541/551). Nas razões do seu recurso especial (fls. 555/561), a parte recorrente sustenta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil (CPC), do art. 5º da Lei 11.960/2009 e do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, do art. 31 da Lei 10.741/2003 e do art. 41-A da Lei 8.213/1991. Argumenta, para tanto, que: (a) houve negativa de prestação jurisdicional; (b) deve ser utilizado, para a atualização do débito, o INPC a partir do advento da Lei 10.741/2003 até a edição da Lei 11.960/2009; e, (c) a contar da vigência da Lei 11.960/2009, o débito deve ser corrigido pela Taxa Referencial e não pelo IGP-DI e pelo IPCA-E, como foi determinado pelo Tribunal de origem. As contrarrazões foram apresentadas (fls. 574/576). Os autos foram devolvidos à Turma julgadora para eventual juízo de retratação considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905/STJ. O acórdão foi parcialmente modificado nos termos da ementa ora transcrita (fl. 587): REPERCUSSÃO GERAL - RECURSO ESPECIAL RRPRTITIVO nº 1.492221/PR (Tema 905) RE nº 870.947/SE (Tema 810) Atualização monetária e Juros de mora Questão reexaminada, ut Artigo 1.040, II, do CPC - Decisão parcialmente modificada Novamente, os autos foram devolvidos à Turma julgadora para eventual juízo de retratação considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 862. O acórdão foi mantido nos seguintes termos (fl. 597): RECURSO ESPECIAL REPETITIVO nº 1.729.555, Tema nº 862 do STJ - Termo inicial do auxílio-acidente - Questão reexaminada, ut Artigo 1.030, II, do CPC - Decisão mantida. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 605/606). É o relatório. Inexiste a alegada violação do art. 1.022 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de nenhum erro, omissão, contradição ou obscuridade. Destaco que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. Quanto aos consectários legais da condenação, no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, submetidos ao regime de recursos repetitivos (Tema 905/STJ), a Primeira Seção do STJ, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável às condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo que se falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou o pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp n. 1.492.221/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 20/3/2018.) No caso destes autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema (fls. 588/589): A questão relativa à incidência da Lei 11.960/2009 nas condenações impostas à Fazenda Pública deve ser examinada por esta Turma Julgadora. Neste contexto, a atualização monetária das parcelas em atraso observará os critérios da Lei nº 8.213/91 e suas alterações posteriores. Após a vigência da Lei 11 960/2009, aplica-se o IPCA-E no lugar da TR, diante do posicionamento do E. STF no julgamento da Repercussão Geral nº 810 (RE nº 870.947/SE). Destarte, adotando esta Turma Julgadora o entendimento firmado pelo E. Supremo Tribunal Federal, o V Acórdão de fls. não comporta adequação ao que ficou decidido no Tema 905. Em suma: - o que ficou decidido pelo E. STF no Tema 810 prevalece sobre o Tema 905 do C. STJ. Entendimento esse que tem merecido a chancela do próprio Supremo Tribunal Federal (RE 1160617, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 06/12/2019). Quanto aos juros de mora, a partir de 30.06.2009, é de ser aplicada a Lei 11.960/2009, nos termos em que foi julgado o RE nº 870.947/SE, Tema nº 810, com incidência de juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança, observando-se, ainda, os termos da MP 567/2012, convertida na Lei 12.703/2012. Neste sentido é o entendimento desta Colenda Câmara Especializada: Agravo de Instrumento nº 2111173 - 97.2020.8.26.0000, Rei. Des. Carlos Monnerat, DJ 14.07.20 e Agravo de Instrumento nº 2012155-40.2019.8.26.0000, Rei. Dr. Marco Pelegrini, DJ 18.02.20. Daí porque, ante o exposto, modifico parcialmente a r. decisão proferida no V. Acórdão de fls. 458/462 (e adendo declaratório de fls. 482/486). Verifico, portanto, que o acórdão recorrido diverge do atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve-se dar pelo INPC no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigência da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação exposta. Publique-se. Intimem-se. EMENTA