REsp 1424166 - DECISAO
O recurso extraordinário foi negado seguimento porque o acórdão recorrido da Primeira Turma do STJ está em consonância com o precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal (Tema 810/RE 870.947), que declarou inconstitucional a utilização da remuneração da caderneta de poupança para atualização monetária das...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO - IPESP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
- Outcome
- negado seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índice IPCA, Atualização Monetária Da Fazenda Pública, Repercussão Geral (tema 810/stf), Inconstitucionalidade Da Remuneração Da Caderneta De Poupança
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Parties
INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO - IPESP
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Cpc)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do IPCA para correção monetária de condenações impostas à Fazenda Pública
- 2 Compatibilidade da redação do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (alterado pela Lei 11.960/2009) com a Constituição
- 3 Vinculação do acórdão recorrido ao entendimento firmado no Tema 810 do STF
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário foi negado seguimento porque o acórdão recorrido da Primeira Turma do STJ está em consonância com o precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal (Tema 810/RE 870.947), que declarou inconstitucional a utilização da remuneração da caderneta de poupança para atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública e orientou a aplicação de índice apto a captar a variação de preços (aplicação do IPCA), tornando inviável a insurgência do recorrente; assim, aplicou-se o art. 1.030, I, a, do CPC para negar seguimento.
Court Disposition
negado seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto pelo INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO - IPESP contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça assim ementado (fl. 283): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. IPCA. ADI 4.357/DF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL, POR ARRASTAMENTO, DO ART. 5º DA LEI 11.960/2009, QUE ALTEROU O ART. 1º DA LEI 9.494/1997. 1. Nas condenações impostas à Fazenda Pública de natureza não tributária, a correção monetária deve ser calculada segundo a variação do IPCA, e m face da declaração de inconstitucionalidade parcial por arrastamento do art. 5º da Lei n. 11.960/2009 (ADIs n. 4.357-DF e 4.425-DF). Precedente mais recente: AgRg no AREsp 231.080/PE, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 03/06/2014. 2. Agravo regimental não provido. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, ao art. 2º da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta que a decisão proferida no Recurso Especial repetitivo n. 1.270.439-PR, utilizada como fundamento do acórdão recorrido, teria imposto, de forma inconstitucional, a correção monetária das dívidas da Fazenda Pública com base no IPCA, o que acarretaria significativo impacto sobre o passivo das pessoas jurídicas de direito público. Requer, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 298-311. Às fls. 315-316, em decisão monocrática da Ministra Laurita Vaz, então Vice-Presidente do STJ, foi determinado o sobrestamento do recurso até manifestação da Suprema Corte acerca da configuração de repercussão geral relativamente à constitucionalidade da Lei n. 11.960/2009. Posteriormente, por força de despacho do Ministro Humberto Martins, ao tempo Vice-Presidente, os autos foram devolvidos ao órgão julgador, na forma do art. 1.040, II, do Código de Processo Civil. A Primeira Turma rejeitou o juízo de retratação e concluiu que a aplicação do IPCA, a partir de 30/6/2009, está em conformidade com a inconstitucionalidade do art. 5º da Lei n. 11.960/2009, reconhecida pelo STF, em julgado com a seguinte ementa (fls. 380-381): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 5º DA LEI N. 11.960/2009, QUE ALTEROU O ARTIGO 1º-F DA LEI N. 9.494/1997. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO RELATOR PARA EXAME DO JUÍZO DE RETRATAÇÃO, NA FORMA DO ART. 1.040, II, DO CPC/2015, ANTE O DECIDIDO PELO STF NO RE 870.947/SE. 1. Autos devolvidos pela Vice-Presidência do STJ para análise de hipótese de retratação, conforme previsão do art. 1.040, II, do CPC/2015. 2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 870.947/SE, submetido ao rito da repercussão geral (Tema 810/STF), firmou a seguinte orientação: "I - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; II - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina". 3. No caso, a matéria impugnada no recurso diz respeito à inconstitucionalidade parcial do art. 5º da Lei n. 11.960/2009 quanto à correção monetária devida nas condenações da Fazenda Estadual ao pagamento de verbas remuneratórias a servidores públicos. Não há falar em juízo de retratação na espécie, pois o acórdão proferido por esta Corte concluiu pela aplicação do IPCA, a partir de 30/6/2009, como decorrência da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF. 4. Juízo de retratação rejeitado. 5. Agravo regimental não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 478-482). Remetidos os autos ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, foi determinada a devolução do feito para esta Corte Superior (fl. 490), porquanto pendente de processamento o recurso extraordinário de fls. 287-292. É o relatório. No julgamento do RE n. 870.947/SE, realizado conforme a sistemática da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal fixou as seguintes teses (Tema n. 810 do STF): 1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; e 2) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. O acórdão do referido julgado recebeu a seguinte ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA FAZENDA PÚBLICA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VIOLAÇÃO AO DIREITO FUNDAMENTAL DE PROPRIEDADE (CRFB, ART. 5º, XXII). INADEQUAÇÃO MANIFESTA ENTRE MEIOS E FINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DEFINIDOR DOS JUROS MORATÓRIOS DE CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA, QUANDO ORIUNDAS DE RELAÇÕES JURÍDICO-TRIBUTÁRIAS. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA E VIOLAÇÃO À ISONOMIA ENTRE DEVEDOR PÚBLICO E DEVEDOR PRIVADO (CRFB, ART. 5º, CAPUT). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial, revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, os quais devem observar os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito; nas hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal supramencionado. 2. O direito fundamental de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, porquanto a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A correção monetária tem como escopo preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária, enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A inflação, por representar o aumento persistente e generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a correspondência entre valores real e nominal (cf. MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC 2010, p. 94; DORNBUSH, R.; FISCHER, S. e STARTZ, R. Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2009, p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 2006, p. 29). 4. A correção monetária e a inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem, por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar a segunda, razão pela qual os índices de correção monetária devem consubstanciar autênticos índices de preços. 5 . Recurso extraordinário parcialmente provido. (RE n. 870.947, relator Ministro Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 20/9/2017, DJe de 20/11/2017.) No caso dos autos, o recurso extraordinário foi interposto contra acórdão da Primeira Turma do STJ que deu parcial provimento ao recurso especial da parte ora recorrente por entender que, tratando-se de condenação imposta à Fazenda Pública em ação proposta por servidor público, a correção monetária deverá ser calculada segundo a variação do IPCA na vigência da Lei n. 11.960/2009. O julgado recorrido, portanto, encontra-se em consonância com o precedente vinculante firmado na apreciação do Tema n. 810 do STF de repercussão geral, ficando inviabilizada a insurgência. Ante o exposto, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 870.947/SE. TEMA N. 810 DO STF. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO DA SUPREMA CORTE EM REPERCUSSÃO GERAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.