REsp 2000429 - DECISAO
Inadmite-se a alegação de omissão por ter sido apresentada como inovação em embargos de declaração (incide Súmula 211/STJ); o art. 29-B da Lei 8.213/1991 não tem comando normativo suficiente para infirmar o acórdão (incide Súmula 284/STF); assim, à luz do entendimento consolidado no Tema 905/STJ e na repercussão...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Recorrido: autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento/decisão No STJ
- Outcome
- recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, INPC, IPCA E, Súmulas E Temas Repetitivos (tema 905/stj; Tema 810/stf), Preclusão/omissão Em Embargos De Declaração, Falta De Interesse Processual
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
autor
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento/decisão No STJ
Legal Issues
- 1 alegação de omissão (art. 535 CPC/1973)
- 2 falta de interesse processual superveniente (pretensa transação homologada em ACP)
- 3 índices aplicáveis à atualização monetária de condenações previdenciárias
Ratio Decidendi
Inadmite-se a alegação de omissão por ter sido apresentada como inovação em embargos de declaração (incide Súmula 211/STJ); o art. 29-B da Lei 8.213/1991 não tem comando normativo suficiente para infirmar o acórdão (incide Súmula 284/STF); assim, à luz do entendimento consolidado no Tema 905/STJ e na repercussão geral do STF (Tema 810), determinou-se a aplicação do INPC para fins de correção monetária das condenações previdenciárias no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, reconhecendo-se, na espécie, provimento parcial ao recurso do INSS para esse fim.
Court Disposition
recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e dou-lhe parcial provimento para determinar a aplicação do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006 (incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/1991).
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (fl. 155): ACIDENTÁRIA - Ajudante geral - Acidente "in itinere" - Lesões no joelho direito - Nexo concausal reconhecido - Redução parcial e permanente da capacidade laborativa - Auxílio-acidente devido a partir do dia seguinte ao da alta médica, ficando suspenso, porém, durante a posterior vigência de auxílio-doença pelo mesmo motivo - Ilegalidade no cálculo do salário-de-benefício do auxílio- doença - Aplicação do art. 32, § 2º, do Decreto nº 3.048/99 - Princípio da hierarquia das normas - Prevalência do art. 29, inciso II, da Lei nº 8.213191 - Diferenças devidas - Valores em atraso que devem ser atualizados na forma do art. 41 da Lei nº 8.213/91, afastada a adoção do INPC - Incidência do IPCA-E a partir da elaboração da conta de liquidação - Juros de mora devidos desde a citação, de forma englobada sobre o montante até aí apurado e, depois, mês a mês, de forma decrescente, à base de 1% ao mês, nos termos do art. 406 do novo Código Civil c.c. o art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional -Aplicação do art. 5º da Lei nº 11.960/09 a partir de sua vigência, porém apenas no que concerne aos juros ante o resultado do julgamento da ADI nº 4.357 pelo STF - Questão relativa ao termo final dos juros relegada para a fase de execução - Honorários advocatícios fixados segundo a orientação da Súmula nº 111 do STJ - Recursos do autor e oficial parcialmente providos. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, o INSS alega, inicialmente, ofensa ao art. 535 do CPC/1973, assinalando que o Tribunal a quo incorreu em omissão, pois "não analisou a questão da falta de interesse processual superveniente da parte autora" (fl. 198). Aduz, ainda, ofensa aos arts. 103 e 104 da Lei n. 8.078/1990, c.c. art. 543-C do CPC/1973; 21 da Lei n. 7.347/85; arts. 81, inciso III, e 82 da n Lei n. 8.078/90; 3º e 267, inciso VI, do CPC/1973, asseverando falta de interesse processual, sob a alegação, em síntese, de que "o pedido de revisão do benefício, nos termos do artigo 29, II da Lei 8213/91 já foi atendido pela transação judicial homologada nos autos da Ação Civil Pública nº 00023205920124036183" (fl. 202). Sustenta, também, violação dos arts. 31 da Lei n. 10.741/2003; 41-A da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.430/2006; 5º da Lei n. 11.960/2009 e 1º-F da Lei n. 9.494/1997, inconformado com os índices de correção adotados pelo Tribunal de origem para o pagamento dos valores em atraso. Requer a aplicação do "INPC a partir de 2004, data da entrada em vigor da Lei nº 10.741/03, até a edição da Lei nº 11.960/09" (fl. 221), bem como aponta ofensa ao art. 29-B da Lei n. 8.213/1991, afirmando ser indevida a aplicação de índice de deflação para a correção dos salários-de-contribuição de benefício de auxílio-doença. Foram apresentadas as contrarrazões (fls. 228-235). Em juízo de retratação, o Tribunal a quo manteve parcialmente o acórdão, nos termos da seguinte ementa (fl. 245): AÇÃO ACIDENTÁRIA - Autos encaminhados ao relator para reapreciação da matéria, nos termos do art. 1.040, inciso II, do novo CPC, diante de entendimento adotado pelo STJ no julgamento do REsp 1.492.221/PR (Tema nº 905) e pelo STF no julgamento do RE 870.947/SE (Tema nº 810) - Adequação do acórdão para admitir a aplicação do INPC em relação a débito posterior à vigência da Lei nº 11.430/06 (Tema 905 - STJ), porém até junho/2009, passando então a ser aplicado o decidido pelo STF no julgamento do RE 870.947/SE (repercussão geral -Tema nº 810) - Acórdão parcialmente alterado. É o relatório. Decido. De início, não prospera a alegação de ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil. Com efeito, ao rejeitar o recurso integrativo manejado pelo ora recorrente, o Tribunal de origem asseverou que o pleito de extinção do processo por falta de interesse superveniente constitui inovação em sede de embargos de declaração. É o que se depreende do seguinte trecho do acórdão integrativo (fls. 187-188; sem grifos no original): Trata-se de embargos de declaração opostos pelo INSS, sob o fundamento de que o acórdão padece de omissão e obscuridade. Sustenta que o pedido de revisão foi atendido pela transação judicial homologada nos autos da Ação Civil Pública nº 0002320-59.2012.4.03.6183, requerendo a extinção do processo sem resolução do mérito, por superveniente falta de interesse. Tece considerações a respeito da matéria, mencionando jurisprudência acerca do alcance das ações coletivas. .. É oportuno ressaltar que a sentença de homologação do acordo celebrado na Ação Civil Pública foi proferida em 05/09/2012, de modo que, se o INSS pretendia o reconhecimento de carência superveniente da ação ou a suspensão do processo, havia de ter levantado a questão pela via recursal própria ou mesmo até o julgamento do recurso, não lhe sendo dado fazer tal questionamento em sede de embargos declaratórios, trazendo tardiamente dados anteriores ao acórdão. Portanto, não há falar em omissão em razão de o Tribunal de origem não ter se manifestado sobre a tese de ausência de interesse processual. A propósito: "Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 .. quando a matéria somente é ventilada nos embargos de declaração, pois, nessa hipótese, ocorre manifesta inovação recursal" (AgInt no AREsp n. 1.975.109/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 9/11/2022, DJe de 30/11/2022). É certo, ainda, que, caracterizada a hipótese de inovação em sede de embargos de declaração, resta inviabilizada a análise da insurgência concernente à suposta falta de interesse processual, diante da ausência de prequestionamento, incidindo na hipótese a Súmula n. 211 do STJ. Sobre a questão: "Incide a Súmula 211/STJ, pois ausente o prequestionamento, sobre a tese que foi objeto somente dos embargos de declaração opostos na origem, em indevida inovação recursal" (AgInt no AREsp n. 2.108.869/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INOVAÇÃO RECURSAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. 1. A suposta omissão do Tribunal de origem foi suscitada apenas em sede de embargos de declaração, o seu não enfrentamento não configura omissão, posto que não arguída no momento oportuno pela parte, não sendo possível inovação nas razões dos embargos de declaração. 2. A pretensão de ver analisados argumentos trazidos somente com a oposição de embargos de declaração configura ausência de prequestionamento, incidindo o óbice da Súmula 211/STJ (Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo). .. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 1.293.900/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 15/3/2016, DJe de 17/3/2016.) No que diz respeito à controvérsia concernente à aplicação de índices de deflação na correção dos salários-de-contribuição de benefícios, verifica-se que o art. 29-B da Lei n. 8.213/1991 não contém comando normativo suficiente para infirmar a fundamentação do acórdão recorrido, o que faz incidir na espécie a Súmula n. 284 do STF. Nesse sentido: "Quando o conteúdo do dispositivo legal invocado no especial não possui comando normativo suficiente à impugnação dos fundamentos do aresto recorrido, há deficiência de fundamentação, incidindo in casu a Súmula 284 do STF" (AgInt no REsp n. 2.012.478/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). Quanto ao mais, registro que a questão relativa à aplicabilidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009, em relação às condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, foi objeto de análise pela Primeira Seção do STJ, sob o rito dos recursos repetitivos, nos Recursos Especiais n. 1.492.221/PR, 1.495.144/RS e 1.495.146/MG (Tema n. 905/STJ), todos da relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, na sessão do dia 22/02/2018. Na ocasião, observada a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE (Tema n. 810/STF), esta Corte firmou a seguinte tese (grifos diversos do original): 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. Ressalte-se que, no julgamento dos aludidos recursos representativos da controvérsia, esta Corte deixou assente que o entendimento quanto à aplicação do INPC, para fins de correção monetária de benefício previdenciário, não afronta o que restou decidido pelo STF no julgamento do RE n. 870.947/SE, em que foi determinada a aplicação do IPCA-E para a correção monetária de benefício de natureza assistencial. Confira-se: .. no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, a correção monetária de condenações judiciais impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária deve ser calculada segundo a variação do INPC. Cumpre registrar que a adoção do INPC não configura afronta ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral (RE 870.947/SE). Isso porque, naquela ocasião, determinou-se a aplicação do IPCA-E para fins de correção monetária de benefício de prestação continuada (BPC), o qual se trata de benefício de natureza assistencial, previsto na Lei 8.742/93. Assim, é imperioso concluir que o INPC, previsto no art. 41-A da Lei 8.213/91, abrange apenas a correção monetária dos benefícios de natureza previdenciária. Assim, as condenações judiciais de natureza previdenciária, impostas à Fazenda Pública, sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/1991. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIOS EM ESPÉCIE. AUXÍLIO-ACIDENTE. ART. 86 DA LEI N. 8.213/1991. LEI N. 11.960/2009. ART. 1º - F DA LEI N. 9.494/1997. INPC. LEI N. 11.340/2006. ART.41 DA LEI N. 8.213/1991. LEI. N. 8.742/1993. TEMA N. 810/STF. TEMA N. 905/STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de benefício auxílio-acidente contra o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS objetivando recebimento do benefício auxílio-doença acidentário. Na sentença o pedido foi julgado procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente modificada, redefinindo a aplicação percentual dos juros de mora seguindo a Lei n. 11.960/09. II - A questão dos juros e correção monetária dos créditos contra a Fazenda foi objeto de grande controvérsia a partir da alteração ocorrida no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, tendo a questão sido sobrestada tanto no Supremo Tribunal Federal quanto no Superior Tribunal de Justiça (Temas n. 810 e 905, respectivamente). III - No caso dos autos, os juros de mora e correção monetária de benefício previdenciário devem obedecer ao descrito no item 3.2, qual seja, as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/1991. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). IV - Registre-se que foi definido somente o INPC a partir da Lei n. 11.430/2006, pois, conforme observado no próprio voto do supramencionado acórdão, a adoção do INPC não configura afronta ao que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral (RE n. 870.947/SE). Isso porque, naquela ocasião, determinou-se a aplicação do IPCA-E para fins de correção monetária de benefício de prestação continuada (BPC), o qual se trata de benefício de natureza assistencial, previsto na Lei n. 8.742/1993. Assim, é imperioso concluir que o INPC, previsto no art. 41-A da Lei 8.213/1991, abrange apenas a correção monetária dos benefícios de natureza previdenciária. V - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.002.470/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 9/11/2022, DJe de 11/11/2022.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. OCORRÊNCIA. AÇÃO ACIDENTÁRIA. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INPC E REMUNERAÇÃO OFICIAL DA CADERNETA DE POUPANÇA. APLICAÇÃO. .. 3. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Tema 905/STJ, firmou a compreensão de que, em se tratando de causas previdenciárias, as condenações impostas à Fazenda Pública, para efeito de correção monetária, sujeitam-se à incidência do INPC a partir da vigência do art. 41-A da Lei n. 8.213/1991, com a redação incluída pela Lei n. 11.430/2006. 4. O INPC aplica-se na atualização monetária nas condenações de natureza previdenciária sem a limitação temporal dada pelo Tribunal de origem, ou seja, deve incidir inclusive no período posterior à entrada em vigor da Lei n. 11.960/2009, sendo certo que, para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei n. 11.430/2006, incidem os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. .. 6. In casu, a autarquia interpôs recurso especial em que postulou que a correção monetária observasse o INPC, a contar da Lei n. 10.741/2003, e a Taxa Referencial - TR, após a Lei n. 11.960/2009, circunstância que enseja o seu parcial acolhimento. 7. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.896.946/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 16/8/2021, DJe de 20/8/2021.) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, inciso III, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar a aplicação do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/1991. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. INOVAÇÃO EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGOS DE LEI FEDERAL TIDOS POR VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO E DE COMANDO NORMATIVO SUFICIENTE PARA REFORMAR O ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS N. 211 DO STJ E N. 284 DO STF. CONDENAÇÃO IMPOSTA À FAZENDA PÚBLICA. DEMANDA DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA. ADEQUAÇÃO AOS RECURSOS ESPECIAIS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA N. 1.492.221/PR, 1.495.144/RS E 1.495.146/MG. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO.