REsp 2189488 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido fundou-se predominantemente em questões constitucionais (interpretação da EC 113/2021 e da regulamentação do CNJ sobre incidência da SELIC), matéria de competência do Supremo Tribunal Federal; ademais, o Tribunal a quo aplicou a Resolução do CNJ que...
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- Parties
- Recorrente: DISTRITO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Correção Monetária, SELIC, Anatocismo, Bis in Idem, Precatório, Emenda Constitucional 113/2021, Resolução CNJ 303/2019, Resolução CNJ 448/2022
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Parties
DISTRITO FEDERAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Incidência da taxa SELIC sobre o valor consolidado do crédito e possibilidade de anatocismo
- 2 Alegada violação de normas infraconstitucionais apontada pelo recorrente
- 3 Impossibilidade de exame de matéria eminentemente constitucional pelo STJ por usurpação da competência do STF
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido fundou-se predominantemente em questões constitucionais (interpretação da EC 113/2021 e da regulamentação do CNJ sobre incidência da SELIC), matéria de competência do Supremo Tribunal Federal; ademais, o Tribunal a quo aplicou a Resolução do CNJ que prevê a incidência da SELIC sobre o valor consolidado, afastando a existência de bis in idem.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial
- Sem condenação em honorários advocatícios recursais
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo DISTRITO FEDERAL contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓR IOS assim ementado: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR ANTERIOR CONSOLIDADO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. A Resolução 448/2022 do Conselho Nacional de Justiça, que alterou a Resolução 303/2019, em seu art. 22, ao tratar da atualização do precatório não tributário devido pela Fazenda Pública, regulamenta que, a contar de dezembro de 2021, a taxa SELIC incidirá sobre o valor consolidado, correspondente ao crédito principal atualizado monetariamente até novembro de 2021 e aos juros de mora. Precedentes do TJDFT. 2. Considerando que na decisão agravada foi salvaguardada a metodologia de cálculo do valor exequendo devido pela Fazenda Pública conforme as disposições contidas no art. 3º da Emenda Constitucional 113/2021 e no § 1º do art. 22 da Resolução CNJ 303/2019, não há, portanto, que se falar em bis in idem. 3. Recurso conhecido e desprovido (fl. 60). Nas razões recursais, o Distrito Federal sustenta, em síntese, ter o acórdão violado os arts. 402 do CC; 5º da Lei n. 11.960/09; 4º do Decreto 22.626/33; e 1º-F da Lei n. 9.494/97. Nesse sentido, argumenta que "a manutenção dos cálculos nos moldes delineado pelo juízo de primeiro grau implica em capitalização da correção monetária, ensejando verdadeiro enriquecimento sem causa da parte exequente" (fl. 91). Aponta, ainda, contrariedade à jurisprudência do STJ firmada nos temas 99 e 491. Afirma que "o STJ, sob o regime do art. 1.036, do CPC (art. 927, III, do CPC, Tema 99), decidiu que a taxa Selic engloba correção monetária e juros de mora, sendo indevido a aplicação cumulativa de outros índices, sob pena de bis in idem" (fl. 93). Por fim, destaca que, "ao considerar o montante consolidado para fins de incidência da SELIC, acaba existindo verdadeiro anatocismo, ou seja, o fenômeno da incidência de juros sobre juros, o que eleva o montante a ser pago pelo devedor" (fl. 93). Contrarrazões apresentadas (fls. 118-127). É o relatório. Passo a decidir. O recurso especial foi interposto com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição. O acórdão recorrido assim fundamentou a negativa de provimento do recurso interposto pelo Distrito Federal, para manter os índices de atualização monetária do valor executado: Ao se debruçar sobre a matéria, o Juízo fundamentou, a quo nos termos da decisão agravada, que, deveras, há vedação ao anatocismo (juros sobre juros) para a aplicação da taxa SELIC, o qual decorre de previsão infraconstitucional. Entretanto, aplica-se os ditames expressos da Resolução 448/2022 do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, ao alterar a Resolução 303/2019, em seu art. 22 , regulamenta a matéria, no sentido de que, a contar 1 de dezembro de 2021, a taxa SELIC incidirá sobre o valor consolidado, correspondente ao crédito principal atualizado monetariamente até novembro de 2021 e aos juros de mora. Logo, não há excesso a decotar, na medida em que os cálculos foram devidamente homologados conforme os parâmetros legais aplicáveis. Confere-se que d. Juízo de origem não determinou à incidência da taxa SELIC concomitantemente com os juros de mora e correção monetária, como quer levar a crer o ente público. Mas tão somente a aplicação da referida taxa, que incidiria sobre o valor consolidado, correspondente ao crédito principal, atualizado monetariamente até novembro de 2021, e aos juros de mora, a teor do que determina a Resolução 303/2019 - CNJ. (..). Assim, considerando que na decisão agravada foi salvaguardada a metodologia de cálculo do valor exequendo devido pela Fazenda Pública, conforme as disposições contidas no art. 3º da Emenda Constitucional 113/2021 e no § 1º do art. 22 da Resolução CNJ 303/2019, não há, portanto, que se falar em bis in idem (fls. 75-77). Observa-se que, embora o recorrente aponte a existência de violação a normas infraconstitucionais, o acórdão recorrido apreciou a questão sob o enfoque predominantemente constitucional, requerendo análise de dispositivos constitucionais e até da constitucionalidade da EC 113/2021, como visto do excerto colacionado. Desta forma, portanto, não compete o exame da pretensão recursal na via do apelo especial por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de usurpação dos poderes conferidos à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDORES DO EXTINTO TERRITÓRIO DE RONDÔNIA. TRANSPOSIÇÃO FUNCIONAL PARA QUADRO EM EXTINÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. ART. 89 DO ADCT. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE RECONHECE A POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO RETROATIVO DE DIFERENÇAS REMUNERATÓRIAS DIANTE DAS DISPOSIÇÕES DAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS N. 60/2009 E 79/2014. ALEGADA OFENSA AO ART. 2º DA LEI 12.800/13. TESE RECURSAL EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO REFLEXA DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. "O recurso especial possui fundamentação vinculada, não se constituindo em instrumento processual destinado a revisar acórdão com base em fundamentos eminentemente constitucionais, tendo em vista a necessidade de interpretação de matéria de competência exclusiva da Suprema Corte". (AgInt no REsp n. 2.126.362/RS, rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 5/9/2024) 2. "Eventual alteração do julgado importaria em evidente interpretação do entendimento proferido pelo Pretório Excelso, o que leva impreterivelmente ao exame de matéria constitucional, cuja competência é do STF (art. 102 da CF), sendo eventual ofensa à legislação federal meramente reflexa ou indireta, não legitimando a interposição de recurso especial". (AgInt no AREsp n. 1.880.784/MS, rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 9/12/2021) 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AREsp n. 2.596.253/RO, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL DOTADO DE RELEVÂNCIA HISTÓRICA E CULTURAL. DANO AMBIENTAL. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL COLETIVO. CABIMENTO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, MAS DE EXECUÇÃO SUBSIDIÁRIA. SÚMULA 652/STJ. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. .. 3. Verifica-se que a controvérsia relativa ao bem inventariado como patrimônio histórico foi dirimida com base em fundamentação eminentemente constitucional, matéria insuscetível de análise na via do recurso especial, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo interno não provido (AgInt no REsp n. 1.992.847/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). A propósito, ainda, em casos similares: REsp 2185200, Ministro TEODORO SILVA SANTOS, DJe 18/03/2025; REsp 2176384, Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 11/12/2024; REsp 2179447, Ministro SÉRGIO KUKINA, DJe 25/11/2024; REsp 2170990, Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 03/10/2024; REsp 2155877, Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 14/08/2024. Isso posto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Sem condenação em honorários advocatícios recursais, tendo em vista que o recurso especial origina-se de acórdão proferido em julgamento de agravo de instrumento, no qual não houve a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais. Intimem-se. EMENTA