AREsp 2830774 - DECISAO
Havendo precedente repetitivo sobre a matéria (Tema 1.003/STJ), o juízo de admissibilidade do recurso especial realizado de ofício pela Vice-Presidência do Tribunal sem prévio juízo de conformidade pelo Tribunal de origem tornou impróprio o exame do agravo; assim, determino a devolução dos autos ao Tribunal de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: União (Fazenda Nacional); Agravada: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Denegatória De Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Interlocutória Determinando Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade (art. 1.030, I, B, E Ii, Do Cpc)
- Outcome
- Juízo prejudicado; determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade ou manutenção do acórdão local face ao entendimento do STJ sobre o tema repetitivo.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Termo Inicial, Mora Administrativa, Ressarcimento De Créditos Escriturais, Recursos Repetitivos, Admissibilidade De Recurso Especial, Juízo De Conformidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
União (Fazenda Nacional)
Agravante
parte autora
Agravada
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Denegatória De Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Interlocutória Determinando Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade (art. 1.030, I, B, E Ii, Do Cpc)
Legal Issues
- 1 Definição do termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos tributários escriturais
- 2 Aplicação do art. 24 da Lei 11.457/2007 e incidência de mora administrativa
- 3 Procedimento de juízo de conformidade em casos de recursos repetitivos antes do exame de admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Havendo precedente repetitivo sobre a matéria (Tema 1.003/STJ), o juízo de admissibilidade do recurso especial realizado de ofício pela Vice-Presidência do Tribunal sem prévio juízo de conformidade pelo Tribunal de origem tornou impróprio o exame do agravo; assim, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformidade nos termos legais, antes de novo exame de admissibilidade.
Court Disposition
Juízo prejudicado; determinação de devolução dos autos ao Tribunal de origem para realização do juízo de conformidade ou manutenção do acórdão local face ao entendimento do STJ sobre o tema repetitivo.
Orders
- Determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, para que seja realizado o juízo de conformidade ou a manutenção do acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pela União (Fazenda Nacional) contra decisão denegatória de admissibildade a recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 11.906/11.907): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRELIMINARES REJEITADAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. MORA ADMINISTRATIVA. TEMA 1.003/STJ. 361º DIA A PARTIR DO PROTOCOLO ADMINISTRATIVO. CRÉDITOS RECONHECIDOS EXTEMPORANEAMENTE PELO FISCO. TEMA 164/STJ. MOMENTO EM QUE PODERIAM TER SIDO APROVEITADOS. REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO DA UNIÃO FEDERAL DESPROVIDAS. APELAÇÃO DA PARTE AUTORA PARCIALMENTE PROVIDA. 1. Cumpre observar que não se trata de sentença extra petita, tal como aventado pela União Federal em seu apelo, na medida em que o julgado analisou de forma correta o pedido deduzido na inicial. Apenas houve a fixação de termo inicial para a incidência de correção monetária posterior àquele pretendido pela parte autora, de forma favorável à União Federal. Não houve, portanto, análise de pedido inexistente na inicial. 2. Rejeita-se a preliminar de nulidade, por ausência de fundamentação idônea, eis que o MM. Juiz a quo examinou todas as questões suscitadas, expondo as razões de seu convencimento, restando atendidos, portanto, os requisitos legais atinentes aos elementos essenciais da sentença (art. 489, CPC). 3. Ante o julgamento do Tema nº 1.003/STJ, com a fixação da tese "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)", resta prejudicado o pedido de sobrestamento do feito. 4. A 1ª Seção do c. Superior Tribunal de Justiça, em 24.06.2009, no julgamento do Tema Repetitivo n.º 164 (REsp n.º 1.035.847/RS), firmou tese no sentido de que " é devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI". admitidos extemporaneamente pelo Fisco 5. Em 25.11.2009, foi editado o enunciado de Súmula n.º 411: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". 6. Posteriormente, em 12.02.2020, a 1ª Seção do c. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema Repetitivo n.º 1.003 (REsp n.ºs 1.767.945/PR, 1.768.060/RS e 1.768.415/SC), firmou tese no sentido de que "o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)". 7. Registra-se que o Pleno do e. Supremo Tribunal Federal, em 23.10.2020, não reconheceu a existência de repercussão geral ao Tema n.º 1.006 ("Definição do termo inicial da incidência de correção monetária referente ao ressarcimento de créditos tributários escriturais excedentes de tributo sujeito ao regime não-cumulativo, quando excedido o prazo a que alude o artigo 24 da Lei 11.457/2007" - RE n.º 1.283.640). 8. Observa-se, portanto, que as teses firmadas pela Corte Superior se complementam, haja vista que àquela firmada no Tema Repetitivo n.º 164 diz respeito à incidência da correção monetária em relação aos créditos cuja natureza escritural restou descaracterizada por oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade; já a tese firmada no Tema Repetitivo n.º 1.003 trata do termo inicial da correção monetária no caso de aproveitamento regular dos créditos escriturais apurados na tributação sujeito a regime não-cumulativo, isto é, não objeto de oposição de natureza normativa, cujos procedimentos administrativos se encontram em tramitação, ainda que existente mora na apreciação. 9. Assim, em relação aos processos nº 06502.38572.091013.1.5.09-6687 e 29286.19373.040413.1.5.09-8141, verifica-se que não se excedeu o prazo de 360 dias para a prolação do despacho decisório, já no que concerne ao processo nº 17703.38643.050413.1.5.09-1138, não há informação nos autos acerca da data do despacho decisório, por sua vez, quanto aos processos nº 13852.000180/2009-97, 13852.000036/2010-94, 03762.99585.220512.1.1.09-6602 e 29234.16898.180413.1.5.09-8090, há recurso pendente de julgamento, o que, neste momento, impede a apreciação da incidência de correção monetária, pois não há reconhecimento do crédito. Resta, portanto, quanto a esses feitos, mantida a r. sentença de 1º grau de jurisdição. 10. No que concerne aos processos nº 13855.721197/2015-08, 13855.721433/2013-16, 13855.721435/2013-13 e 13855.721436/2013-50, necessária é a reforma da r. sentença recorrida, pois, de fato, o lapso entre o protocolo administrativo e o despacho decisório é maior do que 360 dias, restando caracterizada a mora administrativa. 11. Quanto à parte dos créditos reconhecidos tardiamente, em razão de entendimento administrativo indevido (SRF nº 15, de 22/12/2005), relativo ao advento da Lei nº 10.925/2004, nos processos nº 13852.000107/2007-53, 13852.000789/2007-02, 13852.000790/2007-29, 13852.000791/2007-73, 13852.000106/2007-17, 13852.000786/2007-61, 13852.000787/2007-13 e 13852.000788/2007-50, incidirá atualização monetária, desde o momento em que poderiam ter sido aproveitados, pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic (composta de taxa de juros moratórios e correção monetária), vedada sua cumulação com quaisquer outros índices, na forma artigo 39, § 4º, da Lei n.º 9.250/95 e das teses fixadas nos Temas n.º 810/TSF e 905/STJ. 12. Em relação aos demais feitos e à parte dos créditos reconhecidos nos processos nº 13852.000107/2007-53, 13852.000789/2007-02, 13852.000790/2007-29, 13852.000791/2007-73, 13852.000106/2007-17, 13852.000786/2007-61, 13852.000787/2007-13 e 13852.000788/2007-50, verifica-se a ocorrência de mora administrativa. 13. O termo inicial de incidência da taxa Selic é o 361º dia contado a partir do protocolo administrativo, em conformidade com a tese fixada no Tema 1.003/STJ. 14. Em atenção ao disposto no artigo 85, § 11, do CPC, ficam os honorários advocatícios devidos pela União Federal majorados em 1% (um por cento), respeitando-se os limites previstos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. 15. Remessa necessária e apelação da União Federal desprovidas. Apelação da parte autora parcialmente provida. Opostos aclaratórios por ambas as partes, foram rejeitados os da União e parcialmente providos os da ora agravada (fls. 12.199/12.209) A parte recorrente aponta violação ao art. 24 da Lei 11.457/2007. Sustenta, em síntese, que, "ao contrário do que entendeu o E. Tribunal a quo, mesmo nos casos de procedimento especial de ressarcimento, reputa-se mora da administração a não apreciação do pedido total de ressarcimento no prazo de 360 dias, em atenção ao art. 24 da Lei n. 11.457/2007" (fl. 12.239). Contrarrazões às fls. 12.245/12.255. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Em relação à questão sobre o termo inicial da incidência de correção monetária no ressarcimento de créditos tributários, verifica-se que, ao tempo da prolação do juízo de admissibilidade do recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça já havia julgado, pelo rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC, o REsp 1.767.945/PR, o REsp 1.768.060/RS, e o REsp 1.768.415/SC (Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 12/2/2020, DJe de 6/5/2020), ocasião em que foi firmada a seguinte tese: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)". A propósito, segue ementa do aludido recurso representativo da conrtrovérsia: TRIBUTÁRIO. REPETITIVO. TEMA 1.003/STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO ALEGADAMENTE OBSTACULIZADO PELO FISCO. SÚMULA 411/STJ. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DIA SEGUINTE AO EXAURIMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS A QUE ALUDE O ART. 24 DA LEI N. 11.457/07. RECURSO JULGADO PELO RITO DOS ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, a respeito de créditos escriturais, derivados do princípio da não cumulatividade, firmou as seguintes diretrizes: (a) "A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/08/2009 - Tema 164/STJ); (b) "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ); e (c) "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)" (REsp 1.138.206/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 01/09/2010 - Temas 269 e 270/STJ). 2. Consoante decisão de afetação ao rito dos repetitivos, a presente controvérsia cinge-se à "Definição do termo inicial da incidência de correção monetária no ressarcimento de créditos tributários escriturais: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007". 3. A atualização monetária, nos pedidos de ressarcimento, não poderá ter por termo inicial data anterior ao término do prazo de 360 dias, lapso legalmente concedido ao Fisco para a apreciação e análise da postulação administrativa do contribuinte. Efetivamente, não se configuraria adequado admitir que a Fazenda, já no dia seguinte à apresentação do pleito, ou seja, sem o mais mínimo traço de mora, devesse arcar com a incidência da correção monetária, sob o argumento de estar opondo "resistência ilegítima" (a que alude a Súmula 411/STJ). Ora, nenhuma oposição ilegítima se poderá identificar na conduta do Fisco em servir-se, na integralidade, do interregno de 360 dias para apreciar a pretensão ressarcitória do contribuinte. 4. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente tem lugar somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. 5. Precedentes: EREsp 1.461.607/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. p/ Acórdão Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, DJe 1º/10/2018; AgInt no REsp 1.239.682/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 13/12/2018; AgInt no REsp 1.737.910/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 28/11/2018; AgRg no REsp 1.282.563/PR, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 16/11/2018; AgInt no REsp 1.724.876/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 07/11/2018; AgInt nos EDcl nos EREsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 06/11/2018; AgInt no REsp 1.665.950/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 25/10/2018; AgInt no AREsp 1.249.510/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 19/09/2018; REsp 1.722.500/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/11/2018; AgInt no REsp 1.697.395/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 27/08/2018; e AgInt no REsp 1.229.108/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/ Acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 24/04/2018. 6. TESE FIRMADA: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)". 7. Resolução do caso concreto: recurso especial da Fazenda Nacional provido. (REsp 1.767.945/PR, Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 12/2/2020, DJe de 6/5/2020.) Mesmo na vigência do CPC/73, a aplicação da sistemática dos recursos especiais repetitivos deveria anteceder a análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo raro, incumbindo ao Presidente do Tribunal de origem assim proceder em relação aos recursos especiais que versassem sobre os temas já julgados sob o rito do art. 543-C do CPC/73: "Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça" (art. 543-C, § 7º, I e II, do CPC/73). Esse mesmo procedimento restou ratificado pelo novel diploma processual civil (cf. art. 1.030, I, b, e II, do CPC). Assim, haverá o juízo de admissibilidade do recurso especial somente nos casos em que, ultrapassada a fase relativa ao juízo de conformidade, o Tribunal a quo, em decisão colegiada, mantiver a decisão divergente daquela firmada no leading case (art. 543-C, § 8º, do CPC/73: "Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial"; cf ainda art. 1.030, V, c, do CPC). Compete, pois, ao Tribunal a quo efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. De fato, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe à Corte de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Nessa linha de intelecção, foi editada a Resolução STJ n.º 17, de 4 de setembro de 2013, cujo art. 2º, II, expressamente dispõe: Art. 2º Verificada a subida de recursos fundados em controvérsia idêntica a controvérsia já submetida ao rito previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, o presidente poderá: I - determinar a devolução ao tribunal de origem, para nele permanecerem sobrestados os casos em que não tiver havido julgamento do mérito do recurso recebido como representativo de controvérsia; II - determinar a devolução dos novos recursos ao tribunal de origem, para os efeitos dos incisos I e II do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil, ressalvada a hipótese do § 8º do referido artigo, se já proferido julgamento do mérito do recurso representativo da controvérsia. No caso, a Vice-Presidência do Tribunal de origem inadmitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015, isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgado repetitivo; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos. Publique-se. EMENTA