AREsp 2952622 - DECISAO
O Tribunal, alinhando‑se à jurisprudência consolidada do STJ, concluiu que o art. 406 do Código Civil remete à Taxa SELIC como índice aplicável aos juros moratórios e à atualização dos débitos judiciais, de forma exclusiva e sem cumulação com correção monetária distinta, de modo que o acórdão do Tribunal de origem...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MAURICIO DAL AGNOL; Parte Adversa/autor Na Origem: Carlos Frederico Lemmertz
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade E Mérito Referente Ao Índice De Atualização Monetária)
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para determinar a adoção exclusiva da Taxa SELIC como índice de correção monetária.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Taxa SELIC, IGP M, Cumulação De Índices, Preclusão, Coisa Julgada
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Parties
MAURICIO DAL AGNOL
Agravante/recorrente
Carlos Frederico Lemmertz
Parte Adversa/autor Na Origem
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade E Mérito Referente Ao Índice De Atualização Monetária)
Legal Issues
- 1 Índice aplicável para atualização de débitos judiciais: SELIC ou IGP-M
- 2 Natureza dos juros moratórios segundo o art. 406 do Código Civil
- 3 Possibilidade de conhecimento de ofício de juros e correção monetária
Ratio Decidendi
O Tribunal, alinhando‑se à jurisprudência consolidada do STJ, concluiu que o art. 406 do Código Civil remete à Taxa SELIC como índice aplicável aos juros moratórios e à atualização dos débitos judiciais, de forma exclusiva e sem cumulação com correção monetária distinta, de modo que o acórdão do Tribunal de origem que adotou o IGP‑M para correção monetária contrariou essa orientação, impondo a adoção exclusiva da Taxa SELIC.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para determinar a adoção exclusiva da Taxa SELIC como índice de correção monetária.
Orders
- Conhecer do agravo (art. 1.042 do CPC)
- Dar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por MAURICIO DAL AGNOL, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (fl. 478, e-STJ), assim ementado: AGRAVO INTERNO. RECHAÇADO O ARGUMENTO DE APLICABILIDADE DA TAXA SELIC, POIS O SALDO DEVEDOR APURADO DEVE SER CORRIGIDO PELO IGP-M, VISTO QUE NÃO SE TRATA DE ACRÉSCIMO AO VALOR DA CONDENAÇÃO, MAS MERA RECOMPOSIÇÃO INFLACIONÁRIA DA MOEDA. PRECEDENTES DESTE E. TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME. Nas razões de recurso especial (fls. 487-541, e-STJ), a parte recorrente aponta violação aos arts. 406 do Código Civil; 322, § 1º, do Código de Processo Civil; 13 da Lei 9.065/95; 84, I e § 8º da Lei 8.981/95; 39, § 4º, da Lei 9.250/95; 61, § 3º, da Lei 9.430/96; 30 da Lei 10.522/02. Sustenta, em síntese: a) a aplicação da Taxa Selic para os juros de mora e a correção monetária, sem a cumulação com qualquer outro índice, sob pena de enriquecimento ilícito da parte adversa; b) a impossibilidade de preclusão e ofensa à coisa julgada, considerando que os juros de mora e a correção monetária são obrigações de trato sucessivo, que se renovam mês a mês, devendo ser aplicada a legislação vigente no mês de regência. Sem contrarrazões (fl. 779, e-STJ). Em juízo de admissibilidade (fls. 782-784, e-STJ), negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 791-860, e-STJ). Não foi oferecida resposta (fl. 1000, e-STJ). É o relatório. Decido. A insurgência merece prosperar. 1. Aponta o recorrente violação ao art. 406 do Código Civil, afirmando que a atualização dos débitos judiciais deve ser efetuada pela Taxa Selic. Na singularidade, o Tribunal de origem manteve decisão que o fixou a incidência dos consectários legais com base no IGP-M, nos seguintes termos (fl. 480, e-STJ): Conforme referido pela decisão monocrática ora impugnada, a discussão do agravo é singela e recai sobre a necessidade de aplicação da Taxa Selic como índice de correção monetária. Da análise dos autos, verifica-se que a decisão exequenda foi prolatada nos seguintes termos: "Isso posto, com fundamento no art. 487, I, do Novo Código de Processo Civil, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos formulados por Carlos Frederico Lemmertz em face de Maurício Dal Agnol." Em grau recursal, assim foi o dispositivo do acórdão: "Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Pois bem, ao que se percebe das decisões objetos de cumprimento de sentença, no que diz respeito à condenação, os juros moratórios devem ser cobrados à taxa de 1% ao mês, nos termos do artigo 406 do Código Civil. Portanto, no que se diz respeito à correção monetária, o índice a ser aplicado é o IGP-M, que representa a inflação transcorrida e não traz prejuízo a qualquer das partes. Assim, despropositada a irresignação do agravante. Verifica-se que o acórdão recorrido destoa da jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de que "a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC" (AgInt no REsp 1717052/AL, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, DJe 08/03/2019). Confira-se, ainda: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLRAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. REGRA DE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. CABÍVEL. SALVO PREVISÃO CONTRATUAL. DOS LANÇAMENTOS INDEVIDOS. REVISÃO DO JULGADO. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS N.º 5 E 7/STJ. REPETIÇÃO EM DOBRO. PREQUESTIONAMENTO. AUSENTE. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. 1. Não há falar em omissão, falta de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o Tribunal de Justiça dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando a controvérsia posta nos autos. 2. Na hipótese dos autos, acolher a tese pleiteada pelo recorrente quanto aos lançamento indevidos, exigiria exceder os fundamentos do acórdão impugnado e adentrar no exame das provas e cláusulas contratuais, procedimentos vedados em recurso especial, a teor dos Enunciados n.º 5 e 7/STJ. 3. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça flui no sentido de que, a partir da vigência do Novo Código Civil, os juros moratórios deverão observar a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional conforme previsto no art. 406, do Código Civil. 5. A taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. 6. Não apresentação de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 7. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. (AgInt nos EDcl no REsp 1816197/PR, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/03/2022, DJe 18/03/2022) grifou-se AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO AO CÁLCULO DA CONTADORIA/PERÍCIA. TAXA SELIC. PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte Superior, "A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC" (AgInt no REsp 1717052/AL, Rel. Ministro Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 08/03/2019). 2. Segundo entendimento deste Tribunal Superior, a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício, não caracterizando preclusão consumativa. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.727.518/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 5/6/2023, DJe de 9/6/2023.) grifou-se AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECLAMO DA PARTE ADVERSA. INSURGÊNCIA DA PARTE AGRAVADA. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte Superior, "A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC" (AgInt no REsp 1717052/AL, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, DJe 08/03/2019). 1.1. Segundo entendimento deste Tribunal Superior, a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício, não caracterizando preclusão consumativa. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1792993/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 25/10/2021, DJe 28/10/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL. IRRESIGNAÇÃO SUBMETIDA AO NCPC. DANOS MORAIS. NÃO CONFIGURADOS. JUROS DE MORA. TAXA LEGAL. SELIC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. As disposições do NCPC, no que se refere aos requisitos de admissibilidade dos recursos, são aplicáveis ao caso concreto ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016. 2. A jurisprudência do STJ orienta que o simples atraso na entrega do imóvel não é suficiente para causar danos extrapatrimoniais. 3. A Corte Especial no julgamento de recurso especial repetitivo entendeu que por força do art. 406 do CC/02, a atualização dos débitos judiciais deve ser efetuada pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a qual deve ser utilizada sem a cumulação com correção monetária por já contemplar essa rubrica em sua formação. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.794.823/RN, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 25/5/2020, DJe de 28/5/2020.) grifou-se Cabe ressaltar, ademais, que, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a correção monetária e os juros de mora são consectários legais da condenação principal, sendo considerados pedidos implícitos, possuem natureza de ordem pública e podem ser analisados até mesmo de ofício" (AgInt no AREsp n. 1.555.087/SP, relator o Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). Desse modo, o entendimento do Tribunal local contraria a jurisprudência desta Corte Superior sobre a matéria, merecendo prosperar a irresignação do recorrente, para determinar que o índice aplicável para correção monetária e juros de mora seja a Taxa Selic, nos termos do art. 406 do CC. 2. Do exposto, com amparo no art. 932 do CPC c/c a Súmula 568 do STJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial, a fim de determinar que seja adotada exclusivamente a Taxa Selic como índice de correção monetária. Publique-se. Intimem-se. EMENTA