REsp 2144835 - DECISAO
Verificada divergência entre o acórdão recorrido, que aplicou o IPCA-E até o advento da EC 113/2021, e a orientação consolidada no Tema 905 do STJ, concluiu-se que, por se tratar de condenação de natureza previdenciária, a correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à...
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- Parties
- Recorrente: GILBERTO MOREIRA DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento E Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial provido para determinar que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índices De Atualização (inpc, IPCA E), Juros De Mora, Dissídio Jurisprudencial, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, Tema 905/stj, Emenda Constitucional Nº 113/2021
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Parties
GILBERTO MOREIRA DE SOUZA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento E Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Índice aplicável para correção monetária de condenações judiciais de natureza previdenciária no período posterior à Lei 11.430/2006
- 2 Divergência entre acórdão do Tribunal de origem (aplicação do IPCA-E até a EC 113/2021) e entendimento consolidado no STJ (Tema 905)
- 3 Incidência ou não do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 nas condenações impostas à Fazenda Pública
Ratio Decidendi
Verificada divergência entre o acórdão recorrido, que aplicou o IPCA-E até o advento da EC 113/2021, e a orientação consolidada no Tema 905 do STJ, concluiu-se que, por se tratar de condenação de natureza previdenciária, a correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à Lei 11.430/2006; por isso deu-se provimento ao recurso especial para determinar a aplicação do INPC.
Court Disposition
Recurso especial provido para determinar que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
Orders
- Dou provimento ao recurso especial.
- Determino que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por GILBERTO MOREIRA DE SOUZA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea c, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 171): ACIDENTÁRIA - EVENTO TÍPICO E CONDIÇÕES AGRESSIVAS - LESÕES NO PUNHO ESQUERDO E NO JOELHO DIREITO - LIAME OCUPACIONAL E PREJUÍZO FUNCIONAL RECONHECIDOS - INDENIZABILIDADE. "Reconhecidos nos autos o caráter ocupacional das lesões que acometem o punho esquerdo e o joelho direito do autor e o prejuízo funcional de cunho parcial e permanente decorrente, de rigor a concessão do auxílio-acidente com início a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, ressalvadas a a prescrição quinquenal e a suspensão do pagamento correspondente no período concomitante em que esteve o autor no gozo de benefício temporário em razão das mesmas lesões aqui consideradas. Os valores em atraso serão corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de mora. A renda mensal a ser implantada será reajustada pelos índices de manutenção". Apelação do autor desprovida; sentença mantida em sede do reexame necessário com observações. Nas razões do seu recurso, a parte recorrente aponta a existência de dissídio jurisprudencial entre o entendimento adotado pelo Tribunal de origem, no sentido de que os valores em atraso devem ser corrigidos monetariamente pelo IPCA-E até o advento da Emenda Constitucional 113/2021, e por esta Corte, no julgamento do REsp 1.495.146/MG (Tema 905/STJ), em que foi reconhecido que as condenações impostas à Fazenda Pública, de natureza previdenciária, sujeitam-se à incidência do INPC, no período posterior à Lei 11.430/2006. A parte adversa não apresentou contrarrazões (fl. 216). Os autos foram enviados ao órgão julgador para eventual juízo de retratação considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixado quando do julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905 (de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques). O acórdão foi mantido nos termos da ementa ora transcrita (fl. 222): ACIDENTÁRIA - BENEFÍCIO DEFERIDO - CORREÇÃO DOS VALORES EM ATRASO - INDEXADOR A SE APLICAR - IPCA-E CONFORME ORIENTAÇÃO DEFINITIVA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FIRMADA EM SEDE DO TEMA 810 - INCIDÊNCIA NO CASO ATÉ O ADVENTO DA EME NDA CONSTITUCIONAL 113/2021. Acórdão mantido. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 229/231). É o relatório. De início, observo que esta Corte Superior já se manifestou no sentido de que, em se tratando de hipótese de dissídio jurisprudencial notório, mitigam-se os requisitos de admissibilidade de natureza formal, previstos no art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), para o conhecimento do recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional, em respeito ao princípio da primazia de mérito consubstanciado no art. 4º do CPC. A propósito: ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE EM RODOVIA FEDERAL COM FALECIMENTO DO CONDUTOR. ANIMAL NA PISTA DE ROLAMENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STJ. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO QUE RECONSIDEROU ANTERIOR APRECIAÇÃO, PARA RECONHECER A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E DAR PROVIMENTO AO APELO RARO DA PARTE CONTRÁRIA. ALEGAÇÃO DE IRREGULARIDADE FORMAL NO APELO RARO, NO TOCANTE À DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. HIPÓTESE DE DISSÍDIO NOTÓRIO. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO E PROVIMENTO. PRECEDENTES DO STJ: AGRG NO ARESP 537.217/CE, REL. MIN. SÉRGIO KUKINA, DJE 27.8.2014 E AGRG NO RESP 1.410.741/RS, REL. MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 21.2.2014, DENTRE OUTROS. AGRAVO INTERNO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Esta Corte Superior possui firmado o entendimento de que, em casos como o presente, onde há a caracterização do chamado dissídio notório é possível conhecer e provar a alegação de divergência jurisprudencial, realizada a contento, ainda que não estejam preenchidos todos os requisitos formais. 2. Agravo Interno da UNIÃO a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no REsp n. 1.561.781/PB, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 2/6/2020, DJe 1º/7/2020, sem destaque no original.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE CRÉDITO CONSIGNADO EM FOLHA DE PAGAMENTO. FALECIMENTO DO CONSIGNANTE. EXTINÇÃO DA DÍVIDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL DEMONSTRADA. DISSÍDIO NOTÓRIO. DECISÃO MANTIDA. 1. A parte agravada, no recurso especial, indicou os dispositivos legais aos quais foram atribuídas interpretações dissonantes e demonstrou a divergência mediante o cotejo analítico dos acórdãos recorrido e paradigmas, de modo a se verificarem as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. 2. "Cuidando-se de hipótese de dissídio jurisprudencial notório, mitigam-se os requisitos de admissibilidade para o conhecimento do recurso especial fundado na alínea "c" do permissivo constitucional" (AgRg no REsp n. 1.258.645/SC, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 18/5/2017, DJe 23/5/2017). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.757.717/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 4/5/2020, DJe 7/5/2020, sem destaque no original.) Por certo, quanto aos consectários legais da condenação, no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, submetidos ao regime de recursos repetitivos (Tema 905), a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, observando a tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável às condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo que se falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou o pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp n. 1.492.221/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 20/3/2018.) No caso dos autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema (fl. 175): Os valores em atraso serão corrigidos monetariamente pelo IPCA-E e acrescidos de juros de mora contados a partir da citação, de uma só vez sobre o montante até aí devido e, após, mês a mês de modo decrescente, à base mensal conforme parâmetro da caderneta de poupança, até o advento da Emenda Constitucional nº 113/2021, aplicando-se a partir da sua vigência a Selic conforme disciplina do artigo 3º. Constato que o acórdão recorrido diverge do atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve se dar pelo INPC no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006. Publique-se. Intimem-se. EMENTA