REsp 2242515 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido fundamentou corretamente que, no caso de valores referentes à arrematação depositados judicialmente a título de pagamento, a correção monetária e os juros devem incidir até a data do depósito judicial, cabendo à...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 November 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Arrematação, Depósito Judicial, Sub Rogação, Súmula 179, Tema 677 Do STJ, Prequestionamento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Incidência de correção monetária e juros sobre créditos de IPTU até a data do levantamento dos valores depositados ou apenas até o depósito judicial
- 2 Aplicabilidade da Súmula nº 179 do STJ e do entendimento firmado no REsp 1.348.640/RS
- 3 Aplicabilidade da nova redação do Tema 677 do STJ a depósitos efetuados para pagamento de arrematação
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento, por entender que o acórdão recorrido fundamentou corretamente que, no caso de valores referentes à arrematação depositados judicialmente a título de pagamento, a correção monetária e os juros devem incidir até a data do depósito judicial, cabendo à instituição financeira depositária a atualização a partir desse momento; concluiu-se também que não houve omissão do Tribunal de origem quanto às questões suscitadas e que faltou prequestionamento dos dispositivos do CTN e da LEF apontados pelo recorrente.
Court Disposition
CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão assim ementado: Agravo de instrumento. Execução de título extrajudicial. Despesas condominiais. Arrematação de imóvel. Inconformismo do Município de São Paulo. Crédito tributário. Pretensão de incidência de correção monetária e juros até o efetivo levantamento. Não acolhimento. Correção monetária e juros que devem incidir até a data do depósito judicial, passando, a partir de então, a ser encargo da instituição financeira responsável. Exegese da Súmula nº 179 do STJ e da tese fixada no Recurso Especial Repetitivo nº 1.348.640/RS. Decisão mantida. Agravo de instrumento desprovido. Os embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões recursais, o ente público aponta violação dos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC, 111, I, 151, II, e 130, parágrafo único, do CTN e dos arts. 5º e 9º, § 4º, da LEF. Sustenta, em preliminar, que o acórdão recorrido padece de omissão, por não ter se manifestado acerca da revisão do entendimento adotado no julgamento do REsp 1348640/RS, bem como da nova tese firmada no âmbito do Tema 677 do STJ. No mérito, defende que os créditos de IPTU incidentes sobre o imóvel arrematado devem ser atualizados conforme os índices de correção monetária e juros moratórios previstos na legislação local para o pagamento do tributo em atraso, até o momento do levantamento da quantia depositada. Não foram apresentadas contrarrazões. O Tribunal de origem admitiu o recurso especial, determinando a remessa dos autos à instância superior. Na origem, os autos versam sobre agravo de instrumento interposto pelo município recorrente contra decisão do juízo de primeiro grau que indeferiu o pedido de atualização dos créditos de IPTU até o levantamento dos valores depositados, efetuados em razão da arrematação do imóvel nos autos da execução de despesas condominiais. O TJSP negou provimento ao recurso, com a seguinte fundamentação: Consoante se extrai da análise dos autos, a pretensão do Município de São Paulo, ora agravante, diz respeito exclusivamente à incidência de juros de mora de 1% e correção monetária pelos índices do IPCA sobre o crédito tributário até a data do levantamento, nos termos da Lei Municipal nº 13.275, de 04/01/2002, e não até a data da arrematação ou do depósito judicial do valor pago pelo arrematante. Ocorre que há entendimento jurisprudencial já pacificado no sentido de que a instituição depositária é responsável, a partir do depósito judicial, pelo pagamento da correção monetária e dos juros e, no caso concreto, isso vale para o produto da arrematação do imóvel gerador das despesas condominiais. Essa é a orientação contida na Súmula nº 179 do Colendo Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual "O estabelecimento de crédito que recebe dinheiro, em depósito judicial, responde pelo pagamento da correção monetária relativa aos valores recolhidos". No Recurso Especial nº 1.348.640/RS, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsias, também restou definido, in verbis: .. E, como se pode notar, a mencionada interpretação não faz diferença entre a natureza do crédito depositado judicialmente, se tributário ou não, considerando, inclusive, tratar-se de dívida proveniente de sub-rogação no preço da arrematação. Nesse sentido tem decido este Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: .. Objetivamente inviável, por conseguinte, a reforma da respeitável decisão ora agravada. Por ocasião do julgamento dos embargos de declaração, a Corte estadual acrescentou: Em outras palavras, não obstante a natureza tributária do crédito perseguido pelo Município embargante, trata-se de dívida que será sub-rogada no preço da arrematação, cujo valor já se encontra depositado judicialmente nos autos. Isso quer dizer que o crédito tributário a ser sub-rogado deve ser mesmo atualizado somente até a data do depósito do valor da arrematação. A partir deste momento, a atualização é exclusiva do valor depositado e fica a cargo da instituição financeira. Não se ignora que a tese adotada no Recurso Especial nº 1.348.640/RS, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsias, foi revisada, e que o Tema nº 677 do Colendo Superior Tribunal de Justiça passou a ter a seguinte redação, in verbis: .. Não obstante, inaplicável a nova redação do Tema nº 677 ao caso dos autos, tendo em vista que o valor decorrente da arrematação do imóvel fora depositado judicialmente a título de pagamento, e não para fins de garantia do juízo ou resultante de penhora de ativos financeiros da executada. Pois bem. Inicialmente, não se verifica ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem se manifesta de forma fundamentada sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos. Cumpre destacar que o julgamento desfavorável ao interesse da parte não se confunde com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Nesse sentido, confiram -se: AgInt no REsp 1.949.848/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 13/12/2021, DJe 15/12/2021; AgInt no AREsp 1.901.723/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 07/12/2021, DJe 10/12/2021; AgInt no REsp 1.813.698/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 06/12/2021, DJe 09/12/2021; AgInt no AREsp 1.860.227/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22/11/2021, DJe 10/12/2021. Feita essa consideração, observa-se que, quanto à omissão apontada, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, uma vez que a fundamentação constante do acórdão recorrido é clara ao consignar que o entendimento firmado no julgamento do Tema 677 do STJ se refere a depósitos realizados em garantia ou decorrentes de penhora de ativos financeiros, não se aplicando, portanto, aos depósitos efetuados para fins de pagamento de arrematação. Ora, ainda que o recorrente considere insuficiente ou equivocada a fundamentação adotada pelo Tribunal, tal circunstância não configura ausência de manifestação capaz de comprometer a validade do acórdão recorrido. No que tange ao juízo de reforma, o recurso especial não supera o juízo de admissibilidade. Isso porque, em primeiro lugar, os dispositivos indicados arts. 111, I, 151, II, e 130, parágrafo único, do CTN, bem como os arts. 5º e 9º, § 4º, da LEF não foram objeto de análise no acórdão recorrido, tampouco suscitados nos embargos de declaração, razão pela qual o recurso especial carece do requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula 282 do STF. Além disso, o fundamento adotado pelo acórdão recorrido quanto à inaplicabilidade do Tema 677 do STJ ao caso concreto não foi especificamente impugnado nas razões recursais, atraindo, por conseguinte, o óbice ao conhecimento previsto na Súmula 283 do STF. Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO (art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ). Publique-se. Intimem-se. EMENTA