REsp 1896267 - DECISAO
Reexaminei o agravo interno e concluí que, no caso de condenações referentes a servidores e empregados públicos, aplicam‑se as regras delineadas pelo item 3.1.1 do entendimento da Primeira Seção do STJ: correção monetária pelo IPCA-E; juros de mora de 1% ao mês até julho/2001; juros de mora de 0,5% ao mês de...
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- Parties
- Agravante: Fazenda do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Reexame Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial (decisão)
- Outcome
- Reconsiderada a decisão de fls. 228-233 e provido o Recurso Especial.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Art. 1º F Da Lei N. 9.494/97, Lei 11.960/2009, IPCA E, INPC, Direito Intertemporal (tempus Regit Actum), Coisa Julgada, Repetição De Indébito Tributário
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Parties
Fazenda do Estado de São Paulo
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Reexame Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial (decisão)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (alterado pela Lei 11.960/2009) às condenações da Fazenda Pública
- 2 Índices adequados para correção monetária (IPCA-E, INPC versus remuneração da caderneta de poupança)
- 3 Regime de juros moratórios conforme a natureza da condenação (servidores, previdenciária, tributária)
Ratio Decidendi
Reexaminei o agravo interno e concluí que, no caso de condenações referentes a servidores e empregados públicos, aplicam‑se as regras delineadas pelo item 3.1.1 do entendimento da Primeira Seção do STJ: correção monetária pelo IPCA-E; juros de mora de 1% ao mês até julho/2001; juros de mora de 0,5% ao mês de agosto/2001 a junho/2009; e, a partir de julho/2009, juros segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança. Em razão disso, dei provimento ao Recurso Especial para que os índices de correção monetária sejam calculados conforme essa fundamentação.
Court Disposition
Reconsiderada a decisão de fls. 228-233 e provido o Recurso Especial.
Orders
- Reconsidero a decisão de fls. 228-233 e, na sequência, dou provimento ao Recurso Especial.
- Determina‑se que os índices de correção monetária sejam calculados na forma da fundamentação (item 3.1.1): para servidores, correção monetária pelo IPCA-E; juros de mora de 1% ao mês até julho/2001; 0,5% ao mês de agosto/2001 a junho/2009; e, a partir de julho/2009, juros segundo a remuneração da caderneta de poupança.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo Interno interposto pela Fazenda do Estado de São Paulo contra decisão (fls. 228-233, e-STJ) que negou provimento ao Recurso Especial. A agravante sustenta: Para fins de atualização monetária, o C. STF, no julgamento do Tema 810 de Repercussão geral, de fato, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com a redação conferida pelo art. 5º da Lei 11.960/2009. Contudo, reconheceu a legitimidade dos índices que sejam aptos a captar o fenômeno inflacionário - IPCA-E. Sendo assim, deve ser afastada a Tabela Prática do TJSP para fins de correção monetária nas condenações contra a Fazenda Pública, independentemente da natureza da condenação, para que incida o IPCA-E. Diante de todo o exposto, requer o ESTADO DE SÃO PAULO a reconsideração da decisão monocrática e acolhido o apelo para que seja afastado o Para fins de atualização monetária, o C. STF, no julgamento do Tema 810 de Repercussão geral, de fato, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com a redação conferida pelo art. 5º da Lei 11.960/2009. Contudo, reconheceu a legitimidade dos índices que sejam aptos a captar o fenômeno inflacionário - IPCA-E. Sendo assim, deve ser afastada a Tabela Prática do TJSP para fins de correção monetária nas condenações contra a Fazenda Pública, independentemente da natureza da condenação, para que incida o IPCA-E. Diante de todo o exposto, requer o ESTADO DE SÃO PAULO a reconsideração da decisão monocrática e acolhido o apelo para que seja afastado o índice de correção monetária aplicado pelo acórdão estadual, com o conhecimento e provimento do Recurso Especial (fls. 238-239, e-STJ). Não houve impugnação. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 10 de dezembro de 2020. Diante das argumentações trazidas pela parte agravante, reconsidero a decisão de fls. 228-233, e-STJ, e passo ao reexame do Agravo em Recurso Especial. Cuida-se de Agravo de decisão que inadmitiu Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de SãoPaulo cuja ementa é a seguinte: APELAÇÃO CÍVEL Ação de abono permanência Policial Militar - Admissibilidade Preliminar afastada - Emendas Constitucionais nºs 41/2003 e 47/2005 e Lei Complementar nº 943/2003 Servidor que já tem os requisitos para a concessão da aposentadoria voluntária Possibilidade de permanecer na ativa sem ter descontado de seus vencimentos a contribuição previdenciária de 11% - Argui também pela aplicação da Lei n. 11.960/09 Correção conforme Tabela Pratica do TJSP - Juros moratórios devidos no percentual de 1% ao mês, a partir da citação Sentença de procedência que será mantida, com observação para que o termo inicial dos juros moratórios sejam aplicados a partir do trânsito em julgado da decisão, por se tratar de repetição de indébito tributário e matéria de ordem pública Súmula 188 do STJ. Os Embargos de Declaração opostos foram rejeitados. A recorrente sustenta, em síntese, que o acórdão recorrido vulnerou os arts. 535 do CPC/1973 e 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009. Pleiteia, "o conhecimento e provimento do presente recurso, para que sejam aplicados à espécie os juros moratórios e correção monetária estipulados no art. 1º- F, da Lei Federal 9.494/97, na redação dada pelo art. 5º da Lei Federal 11.960/2009" (fls. 180-181, e-STJ). Quanto ao tema em discussão, cumpre esclarecer que o Supremo Tribunal Federal examinou as questões advindas da aplicação de juros e correção monetária sobre os débitos da Fazenda Pública em decorrência da vigência do art. 1º-F da Lei 9.494/1997, introduzido pela MP 2.180-35/2001, e da posterior alteração pela Lei 11.960/2009, representadas pelos Temas 435 e 810/STF. Com relação ao Tema 435/STF, assim ficou definida a controvérsia: RECURSO. Agravo de instrumento convertido em Extraordinário. Art. 1º-F da Lei 9.494/97. Aplicação. Ações ajuizadas antes de sua vigência. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso provido. É compatível com a Constituição a aplicabilidade imediata do art. 1º-F da Lei 9.494/97, com alteração pela Medida Provisória nº2.180-35/2001, ainda que em relação às ações ajuizadas antes de sua entrada em vigor.(AI 842063 RG, Relator(a): Min. Cezar Peluso, julgado em 16/06/2011,REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-169 DIVULG 01-09-2011 PUBLIC 02-09-2011EMENT VOL-02579-02 PP-00217). Posteriormente, o STJ realinhou seu entendimento relativamente à aplicação do direito intertemporal do art. 1º-F da Lei 9.494/1997: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO.VERBAS REMUNERATÓRIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA DEVIDOS PELAFAZENDA PÚBLICA. LEI 11.960/09, QUE ALTEROU O ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/97.NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO QUANDO DASUA VIGÊNCIA. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Cinge-se a controvérsia acerca da possibilidade de aplicação imediata às ações em curso da Lei 11.960/09, que veio alterar a redação do artigo1º-F da Lei 9.494/97, para disciplinar os critérios de correção monetária e de juros de mora a serem observados nas "condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza", quais sejam, "os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança". 2. A Corte Especial, em sessão de 18.06.2011, por ocasião do julgamento dos EREsp n. 1.207.197/RS, entendeu por bem alterar entendimento até então adotado, firmando posição no sentido de que a Lei 11.960/2009, a qual traz novo regramento concernente à atualização monetária e aos juros de mora devidos pela Fazenda Pública, deve ser aplicada, de imediato, aos processos em andamento, sem, contudo, retroagir a período anterior à sua vigência. 3. Nesse mesmo sentido já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, ao decidir que a Lei 9.494/97, alterada pela Medida Provisória n.2.180-35/2001, que também tratava de consectário da condenação (juros demora), devia ser aplicada imediatamente aos feitos em curso. 4. Assim, os valores resultantes de condenações proferidas contra a Fazenda Pública após a entrada em vigor da Lei 11.960/09 devem observar os critérios de atualização (correção monetária e juros) nela disciplinados, enquanto vigorarem. Por outro lado, no período anterior, tais acessórios deverão seguir os parâmetros definidos pela legislação então vigente. 5. No caso concreto, merece prosperar a insurgência da recorrente no que se refere à incidência do art. 5º da Lei n. 11.960/09 no período subsequente a 29/06/2009, data da edição da referida lei, ante o princípio do tempus regit actum. 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Cessam os efeitos previstos no artigo 543-C do CPC em relação ao Recurso Especial Repetitivo n. 1.086.944/SP, que se referia tão somente àsmodificações legislativas impostas pela MP 2.180-35/01, que acrescentou o art. 1º-F à Lei 9.494/97, alterada pela Lei 11.960/09, aqui tratada. 8.Recurso especial parcialmente provido para determinar, ao presente feito, a imediata aplicação do art. 5º da Lei 11.960/09, a partir de sua vigência, sem efeitos retroativos.(REsp 1205946/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/10/2011, DJe 02/02/2012). Já o Tema 810/STF decidiu a constitucionalidade da redação dada pela Lei11.960/2009 ao art. 1º-F da Lei 9.494/1997 no seguinte sentido: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA FAZENDA PÚBLICA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VIOLAÇÃO AO DIREITO FUNDAMENTAL DE PROPRIEDADE (CRFB, ART. 5º, XXII). INADEQUAÇÃO MANIFESTA ENTRE MEIOS E FINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DO RENDIMENTO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO ÍNDICE DEFINIDOR DOS JUROS MORATÓRIOS DE CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA, QUANDO ORIUNDAS DE RELAÇÕES JURÍDICO-TRIBUTÁRIAS. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA E VIOLAÇÃO À ISONOMIA ENTRE DEVEDOR PÚBLICO E DEVEDOR PRIVADO (CRFB, ART. 5º, CAPUT). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial, revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, os quais devem observar os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito; nas hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, afixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal supramencionado. 2. O direito fundamental de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº11.960/09, porquanto a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A correção monetária tem como escopo preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária, enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A inflação, por representar o aumento persistente e generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a correspondência entre valores real e nominal (cf. MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC 2010, p. 94; DORNBUSH, R.;FISCHER, S. e STARTZ, R. Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil,2009, p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 2006,p. 29). 4. A correção monetária e a inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem, por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar a segunda, razão pela qual os índices de correção monetária devem consubstanciar autênticos índices de preços. 5. Recurso extraordinário parcialmente provido. (RE 870.947, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 20/09/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-262 DIVULG 17-11-2017 UBLIC20-11-2017). Com efeito, na sessão do dia 3/10/2019, o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 870.947/SE, submetido ao rito da Repercussão geral (Tema 810/STF), em que, por maioria, rejeitou todos os Embargos de Declaração interpostos sem modular os efeitos da decisão anteriormente proferida no leading case. Observando a decisão do STF, a Primeira Seção do STJ, nos termos do Tema 905/STJ (Recursos Especiais 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques), determinou que as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. Quanto aos juros de mora, eles incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-FDA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1. Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPCe o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1%ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros demora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009:juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art.1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN).Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta àFazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. "SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 02/03/2018). No caso dos autos, os juros de mora e a correção monetária da condenação imposta à Fazenda Pública devem obedecer ao descrito no item 3.1.1, qual seja: As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. (grifei) Dessa forma, diante das alegações trazidas no Agravo Interno, reconsidero a decisão de fls. 228-233, e-STJ, e, na sequência, dou provimento ao Recurso Especial,a fim de que os índices de correção monetária sejam calculados na forma da fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se.