REsp 1908287 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido aplicou entendimento consolidado pelo STF no RE 870.947/SE (Tema 810) e pela Primeira Seção do STJ, que declarou inadequado o índice da caderneta de poupança para correção monetária de condenações da Fazenda Pública e determinou a utilização do...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 February 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial Negado Provimento
- Outcome
- Recurso especial não provido (nego provimento)
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Repetitivos, Precatório, Índices De Atualização (ipca E, INPC, IGP DI, Caderneta De Poupança)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Instituto Nacional do Seguro Social
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial Negado Provimento
Legal Issues
- 1 incidência do índice de correção monetária aplicável às condenações judiciais de natureza previdenciária
- 2 constitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 com redação dada pela Lei 11.960/2009
- 3 aplicação de precedentes do STF (RE 870.947/SE - Tema 810) e do STJ (Tema 905)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido aplicou entendimento consolidado pelo STF no RE 870.947/SE (Tema 810) e pela Primeira Seção do STJ, que declarou inadequado o índice da caderneta de poupança para correção monetária de condenações da Fazenda Pública e determinou a utilização do IPCA-E, razão pela qual a pretensão do INSS de aplicar a Lei 11.960/2009 para atualizar a condenação foi rejeitada.
Court Disposition
Recurso especial não provido (nego provimento)
Orders
- Acórdão recorrido mantido
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, assim ementado (fl. 78): ACIDENTÁRIA Operador de torno revolver Acidente típico Amputação parcial do 2º dedo da mão esquerda Nexo causal reconhecido Redução parcial e permanente da capacidade laborativa configurada Auxílio-acidente devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença Valores em atraso que deverão ser atualizados mês a mês, afastada a adoção do INPC Incidência do IPCA-E a partir da elaboração da conta de liquidação Juros de mora devidos desde a citação, de forma englobada sobre o montante até aí apurado e, depois, mês a mês, de forma decrescente Aplicação do art. 5º da Lei nº 11.960/09, porém apenas no que concerne aos juros, ante o resultado do julgamento da ADI nº 4.357 pelo STF Questão relativa ao termo final dos juros relegada para a fase de execução Apelo autárquico desprovido, parcialmente provido o recurso oficial. Sem embargos de declaração. O recorrente sustenta ofensa aos arts.5º da Lei n. 11.960/2009, que deu nova redação ao art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997; 31 da Lei n. 10.741/2003; e 41-A da Lei n. 8.213/91 com redação dada pela Lei n. 11.430/06, sob os seguintes argumentos: (a)"não há fundamento legal para o v. acórdão recorrido determinar que, a partir de 30.06.2009, a correção das parcelas em atraso na presente ação será apurada pela aplicação do IGP-Dl, até a data da elaboração da conta, e, após pelo IPCA-E, tendo em vista que deve incidir o disposto na Lei nº 11.960/2009 para a atualização da condenação, sendo inconstitucional o índice ali colocado apenas para a atualização do precatório e, ainda, assim, a partir de 25/03/2015" (fl. 95). Com contrarrazões. Devolvidos os autos para eventual juízo de retratação, a 16ª Câmara de Direito Público do TJ/SP, modificou em parte o acórdão, alterando o índice de correção monetária do IGP-DI para o INPC e mantendo o IPCA-E após 29/6/2009, nos termos da seguinte ementa (fl. 110): AÇÃO ACIDENTÁRIA Autos encaminhados ao relator para reapreciação da matéria, diante de entendimento adotado pelo STJ no sentido de que as condenações judiciais de natureza previdenciária sujeitam-se ã incidência do INPC, para fins de correção monetária (art. 1.040, inciso II, do novo CPC) Adequação do acórdão para admitir a aplicação do INPC em relação a débito posterior ã vigência da Lei nº 11.430/06 (Tema nº 905 STJ), porém até junho/2009, passando então a ser aplicado o decidido pelo STF no julgamento do RE 870.947/SE (repercussão geral Tema nº 810) Acórdão parcialmente alterado. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 116-117. É o relatório. Passo a decidir. De início, conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC" (Enunciado Administrativo 3). Feita essa consideração, no tocante à alegada violação dos artigos 31 da Lei 10.741/2003 e 41-A, da Lei 8.213/1991, com a redação dada pela Lei 11.430/2006, a insurgência não merece prosperar, haja vista que não há se falar, no caso, em aplicação dos índices oficiais da caderneta de poupança para a correção monetária. Isso porque o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE n. 870.947/SE, submetido ao rito da repercussão geral (Tema 810/STF), quando, por maioria, rejeitou todos os embargos de declaração e não modulou os efeitos da decisão anteriormente proferida no referido leading case, conferindo eficácia prospectiva à declaração de inconstitucionalidade do índice previsto no artigo 1º-F da Lei n. 9.494/1997, consoante acórdão publicado no DJe de 18/10/2019. Dessa forma, prevaleceu o seguinte entendimento: "I - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; II - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina". Assim, com relação à correção monetária, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do índice da caderneta de poupança, para qualquer período, inclusive anterior à expedição do Precatório, consignando ser correta a utilização do índice de preços ao consumidor amplo especial (IPCA-E), eis que mais adequado à conservação do valor de compra da moeda. Portanto, deve ser mantido o acórdão recorrido, pois prolatado com observância no entendimento firmado pelo STF e no da Primeira Seção desta Corte, proferido sob o rito dos recursos repetitivos, devendo prevalecer o IPCA-E para fins de correção monetária haja vista que julgou a demanda com base em precedentes desta Corte Superior. Ante o exposto, nego provimentoao recurso especial nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/1997 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. ENTENDIMENTO FIRMADO NO JULGAMENTO DO RECURSO REPETITIVO 1.495.144/RS. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO NÃO PROVIDO.