REsp 1917380 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial em observância aos precedentes do Supremo Tribunal Federal (RE 870.947/SE-RG; ADIs 4.357 e 4.425) e da Primeira Seção do STJ (REsp 1.495.146/Tema 905), que disciplinam a inaplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 para correção monetária das condenações da Fazenda Pública e...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSS; Recorrido: Ajudante geral
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Recurso Especial Julgado E Negado Provimento
- Outcome
- Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Índices De Atualização, Incidência Do Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Coisa Julgada, Modulação De Efeitos
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Parties
INSS
Recorrente
Ajudante geral
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Recurso Especial Julgado E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicação de índices de correção monetária e juros de mora às condenações impostas à Fazenda Pública
- 2 Incidência ou não do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) às condenações previdenciárias
- 3 Índices aplicáveis conforme a natureza da condenação (previdenciária, administrativa, tributária)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial em observância aos precedentes do Supremo Tribunal Federal (RE 870.947/SE-RG; ADIs 4.357 e 4.425) e da Primeira Seção do STJ (REsp 1.495.146/Tema 905), que disciplinam a inaplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 para correção monetária das condenações da Fazenda Pública e estabelecem, para as condenações previdenciárias, a aplicação do INPC para correção monetária e a remuneração da caderneta de poupança para juros de mora; assim, não se acolheu a pretensão do INSS de aplicação do INPC desde a Lei 10.741/03 e da TR desde a Lei 11.960/2009 nos termos pretendidos.
Court Disposition
Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial.
Orders
- Embargos de Declaração rejeitados
- Recurso especial negado provimento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial interposto contra acórdão assim ementado: ACIDENTÁRIA - Ajudante geral - Acidente típico - Lesão no tornozelo direito - Nexo causal reconhecido - Comprometimento total e temporário da capacidade laborativa - Restabelecimento do auxílio-doença a partir do dia seguinte ao da alta médica - Valores em atraso que devem ser atualizados na forma do art. 41 da Lei nº 8.213/91 - Incidência do IPCA-E a partir da elaboração da conta de liquidação - Juros de mora devidos desde o termo inicial do benefício (posterior à citação), mês a mês, de forma decrescente - Aplicação do art. 5º da Lei nº 11.960/09, porém apenas no que concerne aos juros, ante o resultado do julgamento da ADI nº 4.357 pelo STF - Honorários advocatícios arbitrados em valor que não comporta redução - Apelo do INSS desprovido, parcialmente provido o recurso oficial. Os Embargos de Declaração foram rejeitados. O recorrente aponta ofensa ao art. 535 do CPC/1973 e, no mérito, requer (fl. 213, e-STJ): "a reforma do v. aresto recorrido para determinar a aplicação, para fins de correção monetária do débito, o índice INPC a partir do advento da Lei 10.741/03, bem como a TR como índice de atualização das parcelas em atraso a partir da Lei nº 11.960/2009, excluindo-se a aplicação do IGP-Dl e do IPCA-E nos moldes determinados pelo v. acórdão recorrido". Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 226, e-STJ). É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 4 de fevereiro de 2021. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 870.947/SE-RG, manteve o entendimento adotado no julgamento dasADIs 4.357 e 4.425, reconhecendo a inconstitucionalidade da atualização monetária das dívidas relativas ao benefício previdenciárioimpostas à Fazenda Pública na forma fixada no art. 5º da Lei 11.960/2009. Em 3.10.2019, o Supremo rejeitou Embargos de Declaração opostos contra o julgado,decidindo não modular os seus efeitos. De outro lado, a Primeira Seção do STJ, noRecurso Especial 1.495.146/MG (Tema 905), proferido sob o rito dos recursos repetitivos, assim decidiu: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.495.146/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 2.3.2018). Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se.