REsp 1913156 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido porque contém matéria essencialmente constitucional que não pode ser examinada pelo STJ e porque o recorrente não indicou com precisão os dispositivos de lei federal supostamente violados, caracterizando deficiência na fundamentação na forma prevista pela Súmula 284 do STF; com...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Modulação De Efeitos, Prequestionamento, Competência Do STF, Nulidade Por Omissão (art. 535 Cpc), Súmula 284 STF
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 prequestionamento e embargos declaratórios (art. 535 CPC)
- 2 índices de correção monetária aplicáveis (Lei 11.960/09, IGP-DI, IPCA-E, INPC)
- 3 possibilidade de exame de matéria constitucional no Recurso Especial
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido porque contém matéria essencialmente constitucional que não pode ser examinada pelo STJ e porque o recorrente não indicou com precisão os dispositivos de lei federal supostamente violados, caracterizando deficiência na fundamentação na forma prevista pela Súmula 284 do STF; com fundamento no art. 255, §4º, I, do RISTJ, o recurso foi não conhecido.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Com fundamento no art. 255, §4º, I, do RISTJ, não conheço do Recurso Especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial, fundamentado na alínea a do permissivo constitucional, interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, inconformado com os índices de correção adotados, sob a seguinte argumentação, in verbis: "O v. aresto recorrido determinou a concessão de beneficio acidentário, e no que diz respeito aos consectários legais, deixou consignado que as parcela a serem apuradas devem ser corrigidas pelo IGP-DI até a data da futura conta de liquidação, e após pelo IPCA-E, afastando expressamente a aplicação da Lei 11.960/09 sob o argumento de que a mesma foi declarada inconstitucional pela Corte Suprema nos autos da ADI 4753. Em face do v. Acórdão foram opostos embargos declaratórios, recurso no qual o INSS sustentou que apesar de ter declarado inconstitucional o índice de correção monetária previsto na citada Lei 11.960/09, a Corte Suprema ainda não modulou os efeitos de tal declaração de inconstitucionalidade, e por outro lado, o C. STF já decidiu que até que sejam modulados os efeitos do julgamento da ADI 4753 os Tribunais dos Estados e do Distrito Federal deveriam utilizar o mesmo critério que adotavam até o julgamento de citada ação, sendo que até o advento daquela decisão superior na E. Corte Estadual vigorava os critérios da supracitada Lei, pois inclusive era objeto da Tabela Prática de Cálculos da E. Corte. Sobreveio o v. aresto de folhas, negando provimento aos declaratórios e asseverando que o aresto anterior indicou os motivos pelos quais entendeu que no caso em tela é cabível a aplicação do índice de correção do IGP-DI, inclusive após fevereiro de 2004 e até cálculo de liquidação, com posterior aplicação do IPCA-E, que o entendimento apontado no acórdão embargado corresponde ao posicionamento da Câmara. Como pode ser conferido, o v. aresto proferido no julgamento dos declaratórios manteve expressamente a aplicação do IGP-DI até a data de futura conta de liquidação, e após o IPCA-E, asseverando que a modulação que o C. STF vier a dar ao julgamento das ADI"s 4357 e 4425 será aplicada apenas se for o caso e não de forma obrigatória. (..) De início cabe observar que o INSS ingressou com embargos declaratórios objetivando implementar o requisito do prequestionamento. Assim sendo, de duas uma: ou se admite que as matérias objeto do presente recurso estão prequestionadas e podem ser enfrentadas pela Corte Superior, ou se admite que houve violação à norma do artigo 535 do CPC, com necessidade de decretação de nulidade do acórdão proferido no julgamento dos declaratórios. Com efeito, afastar violação ao artigo 535 do CPC e ao mesmo tempo negar seguimento ao recurso especial por falta de prequestionamento nada mais é que violar a garantia da ampla defesa, pois a parte não tem como obrigar o julgador a enfrentar questão que ele nega apreciar. Logo, caso o entendimento da E. Turma da Corte Superior seja no sentido de que as questões objeto desse Recurso não estão suficientemente prequestionadas, em que pese os declaratórios interpostos com tal finalidade, o INSSentão requer que seja decretada a nulidade do v. acórdão proferido no julgamento daquele 107 recurso, por violação à norma do supracitado artigo 535 e cerceamento do direito de defesa. Superada a questão do prequestionamento, o INSS passa a apontar as razões pelas quais não pode conformar com o v. acórdão da E. Corte "a quo". (..) De rigor observar que nas decisões proferidas nas ADIs nºs 4.357 e 4.425, a Corte Suprema deixou assente que até que sejam modulados os efeitos daquelas decisões devem continuar ser aplicados os critérios vigentes na Lei 11.960/09. Logo, uma vez que a modulação a ser dada a matéria ainda não foi proferida pela Corte Suprema, é descabido que a E. Corte "a quo" desde já afaste a aplicação da citada Lei, sem determinar necessidade de se aguardar a modulação a ser dada pelo STF, e ainda aponta como índices a serem utilizados, o IGP-DI até a data de futura conta de liquidação, e após o IPCA-E. Cabe observar que não prospera argumento no sentido de que os critérios da citada Lei 11.960 devem ser desde já afastados porque os efeitos da ADI 4357 seriam ex tunc. Com efeito, nada impede que ao modular os efeitos daquele julgamento a Corte Suprema estabeleça efeitos ex nunc conforme permite a legislação de regência, art. 27, da Lei nº 9.868/99, que prescreve: (..) Assim, é possível que a modulação temporal do julgamento das referidas Ações Diretas não seja aplicada aos precatórios já inscritos, ou mesmo aos processos em curso. Conforme assinalado pelo Ministro Luiz Fux, Redator para Acórdão na ADI 4.357, devem os Tribunais dar imediato cumprimento aos pagamentos em curso segundo sistemática vigente à época, o que já indica possibilidade de haver a modulação temporal no julgamento. Há que se ter em conta que a decisão enunciada pelo Min. Fux possui nítido caráter acautelatório, conforme ressaltado no texto do julgado, sendo que a decisão proferida pelo STF em sede cautelar em controle concentrado de constitucionalidade, à semelhança da decisão definitiva de mérito - art. 102, §2º, da CF - possui eficácia erga omnes e efeito vinculante em relação à Administração e aos demais órgãos do Poder Judiciário, sendo que o desrespeito à autoridade do decisum é passível de ser corrigido por meio de Reclamação Constitucional, prevista no art. 102, I, "l". Se em momento algum a Corte Suprema estabeleceu os índices a serem adotados em substituição aquele declarado inconstitucional, descabe à Corte "aquo" fazê-lo, sob pena de usurpação da competência daquela Corte Superior. Nesse ponto o aresto recorrido extrapola os limites do que ficou decidido no julgamento das citadas ADI" s . Assim, no que diz respeito aos critérios de correção monetária, é de rigor que seja aplicada a modulação que o C. STF vier a dar a matéria, afastando-se, de qualquer modo, a aplicação do IGP-DI e o IPCA-E" (fls. 248/250e). Requer, por fim, "que sejam alterados os critérios de correção monetária, com determinação para que seja aplicado, a partir da Lei 11.960/09, os índices por ela definidos, até que o C. STF module os efeitos das Decisões proferidas nas ADI"s nº 4.357, 4.372, 4.440 e 4.425, quando, então, passam a ser aplicados os critérios estabelecidos pela Corte Suprema.Na hipótese do entendimento ser no sentido de que o requisito do prequestionamento não foi implementado, em que pese os embargos declaratórios interpostos com tal finalidade, o INSS requer que seja decretada a nulidade do v. acórdão proferido no julgamento daquele recurso, por violação ao artigo 535 do Estatuto Processual Civil.Por fim, na eventualidade do entendimento dessa Corte Superior seja no sentido de manter os critérios de correção monetária fixados pelo v.aresto recorrido, sem determinar necessidade de observância do que vier a ser modulado pelo C. STF, que sejam então enfrentadas as normas dos artigos 100, § 12, e 102, inc. I, alínea "I", e §2º, ambos da Constituição Federal" (fl. 250e). Devolvidos os autos para eventual juízo de retratação, decidiu-se poralterar o índice de correção monetária do IGP-DI para o INPC, nos termos do quanto ficou decidido no REsp nº 1.492.221/PR eque, a partir de 29 de junho de 2009, a correção monetária seguirá os índices pertinentes, conforme o que foi decidido pelo S.T.F. no Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (repercussão geral - Tema nº 810), inclusive quanto a eventual modulação dos efeitos da orientação estabelecida (fl. 285e). O Recurso Especial foi admitido, na origem. O inconformismo ora em análise não pode ser conhecido. Destaco, de plano, que não cabe analisar, no âmbito do Recurso Especial, nem mesmo por via reflexa, matéria constitucional, sob pena de usurpação de competência do STF. Quanto ao mais, verifica-se que a parte recorrente não indicou, com precisão e objetividade, como lhe competia, os dispositivos legais que porventura tenham sido malferidos pelo Tribunal de origem, o que caracteriza ausência de técnica própria indispensável à apreciação do Recurso Especial. A propósito, confiram-se as razões recursais: "O v. aresto recorrido determinou a concessão de beneficio acidentário, e no que diz respeito aos consectários legais, deixou consignado que as parcela a serem apuradas devem ser corrigidas pelo IGP-DI até a data da futura conta de liquidação, e após pelo IPCA-E, afastando expressamente a aplicação da Lei 11.960/09 sob o argumento de que a mesma foi declarada inconstitucional pela Corte Suprema nos autos da ADI 4753. Em face do v. Acórdão foram opostos embargos declaratórios, recurso no qual o INSS sustentou que apesar de ter declarado inconstitucional o índice de correção monetária previsto na citada Lei 11.960/09, a Corte Suprema ainda não modulou os efeitos de tal declaração de inconstitucionalidade, e por outro lado, o C. STF já decidiu que até que sejam modulados os efeitos do julgamento da ADI 4753 os Tribunais dos Estados e do Distrito Federal deveriam utilizar o mesmo critério que adotavam até o julgamento de citada ação, sendo que até o advento daquela decisão superior na E. Corte Estadual vigorava os critérios da supracitada Lei, pois inclusive era objeto da Tabela Prática de Cálculos da E. Corte. Sobreveio o v. aresto de folhas, negando provimento aos declaratórios e asseverando que o aresto anterior indicou os motivos pelos quais entendeu que no caso em tela é cabível a aplicação do índice de correção do IGP-DI, inclusive após fevereiro de 2004 e até cálculo de liquidação, com posterior aplicação do IPCA-E, que o entendimento apontado no acórdão embargado corresponde ao posicionamento da Câmara. Como pode ser conferido, o v. aresto proferido no julgamento dos declaratórios manteve expressamente a aplicação do IGP-DI até a data de futura conta de liquidação, e após o IPCA-E, asseverando que a modulação que o C. STF vier a dar ao julgamento das ADI"s 4357 e 4425 será aplicada apenas se for o caso e não de forma obrigatória. (..) De início cabe observar que o INSS ingressou com embargos declaratórios objetivando implementar o requisito do prequestionamento. Assim sendo, de duas uma: ou se admite que as matérias objeto do presente recurso estão prequestionadas e podem ser enfrentadas pela Corte Superior, ou se admite que houve violação à norma do artigo 535 do CPC, com necessidade de decretação de nulidade do acórdão proferido no julgamento dos declaratórios. Com efeito, afastar violação ao artigo 535 do CPC e ao mesmo tempo negar seguimento ao recurso especial por falta de prequestionamento nada mais é que violar a garantia da ampla defesa, pois a parte não tem como obrigar o julgador a enfrentar questão que ele nega apreciar. Logo, caso o entendimento da E. Turma da Corte Superior seja no sentido de que as questões objeto desse Recurso não estão suficientemente prequestionadas, em que pese os declaratórios interpostos com tal finalidade, o INSS então requer que seja decretada a nulidade do v. acórdão proferido no julgamento daquele 107 recurso, por violação à norma do supracitado artigo 535 e cerceamento do direito de defesa. Superada a questão do prequestionamento, o INSS passa a apontar as razões pelas quais não pode conformar com o v. acórdão da E. Corte "a quo". (..) De rigor observar que nas decisões proferidas nas ADIs nºs 4.357 e 4.425, a Corte Suprema deixou assente que até que sejam modulados os efeitos daquelas decisões devem continuar ser aplicados os critérios vigentes na Lei 11.960/09. Logo, uma vez que a modulação a ser dada a matéria ainda não foi proferida pela Corte Suprema, é descabido que a E. Corte "a quo" desde já afaste a aplicação da citada Lei, sem determinar necessidade de se aguardar a modulação a ser dada pelo STF, e ainda aponta como índices a serem utilizados, o IGP-DI até a data de futura conta de liquidação, e após o IPCA-E. Cabe observar que não prospera argumento no sentido de que os critérios da citada Lei 11.960 devem ser desde já afastados porque os efeitos da ADI 4357 seriam ex tunc. Com efeito, nada impede que ao modular os efeitos daquele julgamento a Corte Suprema estabeleça efeitos ex nunc conforme permite a legislação de regência, art. 27, da Lei nº 9.868/99, que prescreve: (..) Assim, é possível que a modulação temporal do julgamento das referidas Ações Diretas não seja aplicada aos precatórios já inscritos, ou mesmo aos processos em curso. Conforme assinalado pelo Ministro Luiz Fux, Redator para Acórdão na ADI 4.357, devem os Tribunais dar imediato cumprimento aos pagamentos em curso segundo sistemática vigente à época, o que já indica possibilidade de haver a modulação temporal no julgamento. Há que se ter em conta que a decisão enunciada pelo Min. Fux possui nítido caráter acautelatório, conforme ressaltado no texto do julgado, sendo que a decisão proferida pelo STF em sede cautelar em controle concentrado de constitucionalidade, à semelhança da decisão definitiva de mérito - art. 102, §2º, da CF - possui eficácia erga omnes e efeito vinculante em relação à Administração e aos demais órgãos do Poder Judiciário, sendo que o desrespeito à autoridade do decisum é passível de ser corrigido por meio de Reclamação Constitucional, prevista no art. 102, I, "l". Se em momento algum a Corte Suprema estabeleceu os índices a serem adotados em substituição aquele declarado inconstitucional, descabe à Corte "a quo" fazê-lo, sob pena de usurpação da competência daquela Corte Superior. Nesse ponto o aresto recorrido extrapola os limites do que ficou decidido no julgamento das citadas ADI" s . Assim, no que diz respeito aos critérios de correção monetária, é de rigor que seja aplicada a modulação que o C. STF vier a dar a matéria, afastando-se, de qualquer modo, a aplicação do IGP-DI e o IPCA-E" (fls. 248/250e). Diante desse quadro, na forma da jurisprudência, tem incidência, por analogia, a Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARTIGO DE LEI FEDERAL. INDICAÇÃO. AUSÊNCIA. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE LEI LOCAL. VIOLAÇÃO. EXAME. INADEQUAÇÃO. DECADÊNCIA. CONTAGEM. FRAUDE. VERIFICAÇÃO. REEXAME DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo 2, sessão de 09/03/2016). 2. O Superior Tribunal de Justiça entende que a falta de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal alegadamente violado implica deficiência na fundamentação do recurso especial (Súmula 284 do STF). 3. O recurso especial não se presta para o exame de eventual violação de dispositivos constitucionais ou de lei local. 4. A conformidade do entendimento adotado no acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual aplica-se o art. 173, I, do CTN à contagem de decadência para o lançamento de ofício, quando o contribuinte não declara oportunamente o tributo devido, atrai o óbice de conhecimento estampado na Súmula 83 do STJ. 5. A revisão do acórdão recorrido quanto à inexistência de prova acerca da fraude supostamente praticada pelo contribuinte pressupõe reexame de prova, o que é inviável no âmbito do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 6. Agravo interno desprovido" (STJ, AgInt no AREsp 1.082.206/GO, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 12/03/2020). Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do Recurso Especial. I.