REsp 1893841 - DECISAO
Em conformidade com a jurisprudência desta Corte e com o art. 31 da Lei 10.741/2003 combinado com o art. 41-A da Lei 8.213/1991 (incluído pela Lei 11.430/2006), a correção monetária das parcelas previdenciárias pagas em atraso deve ser efetuada pelo INPC a partir da entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
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- Parties
- Recorrente: INSS; Recorrido: autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 March 2021
- Procedural Posture
- Previdenciário / Julgamento Do Recurso Especial No STJ
- Outcome
- Recurso especial da autarquia federal provido em parte
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índice INPC, Lei 11.430/2006, Art. 41 a Da Lei 8.213/1991, Art. 31 Da Lei 10.741/2003, Juros De Mora, ADI 4.357/df
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Parties
INSS
Recorrente
autor
Recorrido
Procedural Posture
Previdenciário / Julgamento Do Recurso Especial No STJ
Legal Issues
- 1 Qual o índice aplicável para correção monetária de parcelas previdenciárias pagas em atraso após a vigência da Lei 11.430/2006
- 2 Aplicação do INPC para atualização de débitos previdenciários
- 3 Regime aplicável aos juros de mora em face da Lei 11.960/2009 e da ADI 4.357/DF
Ratio Decidendi
Em conformidade com a jurisprudência desta Corte e com o art. 31 da Lei 10.741/2003 combinado com o art. 41-A da Lei 8.213/1991 (incluído pela Lei 11.430/2006), a correção monetária das parcelas previdenciárias pagas em atraso deve ser efetuada pelo INPC a partir da entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
Court Disposition
Recurso especial da autarquia federal provido em parte
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para determinar que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC a partir da entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
- Publique-se. Intimações necessárias.
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2 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO.PARCELAS PAGAS EM ATRASO. APLICAÇÃO DO INPC A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.430/2006. RECURSO ESPECIAL DA AUTARQUIAFEDERAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Trata-se derecurso especial interposto pelo INSS, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a,da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: Acidentária. Auxílio-acidente iniciado em 01/06/1991, cessado administrativamente a partir da concessão da aposentadoria por idade em 28/11/2009- Inadmissibilidade da cessação - Possibilidade de cumulação - Inteligência do art. 9º, parágrafo único, da lei nº 6.367/76, vigente à época da concessão do auxilio, prevendo a vitaliciedade do benefício - Princípio tempus regit actum - Direito adquirido - Restabelecimento do auxílio a partir do dia da sua indevida cessação - Prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio que antecede à propositura da ação que deve ser respeitada - Valores em atraso que devem ser atualizados na formado art. 41 da Lei nº 8.213/91 - Incidência do IPCA-E a partir da elaboração da conta de liquidação - Juros de mora devidos desde a citação, de forma englobada sobre o montante até aí apurado e, depois, mês a mês, de forma decrescente - Aplicação do art. 5º da Lei nº 11.960/09, porém apenas no que concerne aos juros, ante o resultado do julgamento da ADI4.357 pelo STF - Relegada para a fase de execução a questão relativa ao termo final dos juros - Honorários advocatícios fixados em 15% dos valores em atraso e seguindo a orientação da Súmula111 do STJ - Sentença de improcedência reformada - Recurso do autor provido para se julgar procedente o pedido de restabelecimento do auxílio(fls. 76/82). 2. Os embargos de declaração opostos pela autarquia federal foram rejeitados (fls. 102/104). 3. Em seu recurso especial, sustenta a parterecorrente afronta ao aoart. 31 da Lei10.741/2003 e aoart. 41-A da Lei8.213/1991, com a redação dada pela Lei11.430/2006,aoseguintefundamento:necessidade da aplicação, para fins de correção monetária do débito, do índice INPC. 4. Comcontrarrazões (fls. 129/139). O recurso especial foi admitido em juízo de admissibilidade prévio pelo tribunal de origem (fls. 140/141). 5. É o relatório. 6. Quanto aos índices de correção monetária, a jurisprudência desta Corte já manifestou o entendimento de que a partir da entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que acrescentou o art. 41-A à Lei 8.213/1991 e fixou o INPC como índice de reajuste dos benefícios, deve esse índice ser também aplicado para a correção monetária das parcelas pagas em atraso, nos termos do art. 31 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso). A propósito, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMA 905. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM O TEMA REPETITIVO. I - Na origem, trata-se de ação ordinária de concessão de aposentadoria. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No acórdão a sentença foi mantida. II - No STJ, deu-se provimento ao recurso especial para considerar como índice aplicável para a correção monetária o IPCA. Sobrestou-se o julgamento do agravo interno para aguardar-se o julgamento de recurso especial repetitivo. A decisão recorrida diverge da orientação firmada no julgamento do tema 905 nesta Corte. III - Relativamente à correção monetária decidiu-se no julgamento do tema 905 desta Corte que "o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza". IV - Quanto aos juros de mora decidiu-se que "o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. V - Considerou-se que os índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. VI - Assim, deve ser provido o agravo interno para fixar que as condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). VII - Agravo interno provido (AgRg no REsp. 1.458.626/RS, Rel.Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 26.9.2018).
PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. CONSECTÁRIOS LEGAIS. ADEQUAÇÃO AO ENTENDIMENTO FIRMADO SOB A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. RESP N. 1.492.221/PR. 1. Os recursos interpostos com fulcro no CPC/1973 sujeitam-se aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. No julgamento do REsp 1.492.221/PR, da Relatoria do Min.Mauro Campbell Marques, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos, a Primeira Seção do STJ firmou a seguinte tese: "As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei n. 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei n. 8.213/91. Quanto aos juros de mora, no período posterior à vigência da Lei n. 11.960/2009, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança." 3. Agravo regimental provido (AgRg no REsp. 1.412.191/MG, Rel.Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 9.8.2018). 7. Assim, a correção monetária incide sobre as prestações em atraso, desde as respectivas competências, na forma da legislação de regência, observando-se que a partir de 11.8.2006 o IGP-DI deixa de ser utilizado como índice de atualização dos débitos previdenciários, devendo ser adotado, da retro aludida data (11.8.2006) em diante, o INPC em vez do IGP-DI, nos termos do art. 31 da Lei 10.741/2003 c/c o art. 41-A da Lei 8.213/1991. 8. Ademais, esta Corte Superior firmou o entendimento de que a declaração parcial de inconstitucionalidade proferida pelo STF na ADI4.357/DF diz respeito ao critério de correção monetária previsto no art. 5o. da Lei 11.960/2009, estabelecendo que, na atualização das dívidas fazendárias, devem ser utilizados critérios que expressem a real desvalorização da moeda, afastada a aplicação dos índices de remuneração básica da caderneta de poupança. Estabelece-se que, para as ações relacionadas a benefícios previdenciários, adota-se o INPC na atualização monetária do débito, a partir da edição da Lei 11.960/2009 (aplicação conjunta do art. 31 da Lei 10.741/2003 c/c o art. 1o. da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991.A propósito, o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. " TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. " SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art.1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ (REsp. 1.492.221/PR, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 20.3.2018). 9. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da autarquia federal, para estabelecerque a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006. 10. Publique-se. Intimações necessárias.