REsp 1926897 - DECISAO
O recurso foi negado provimento porque o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Tema 810 (RE 870.947/SE), declarou inconstitucional a utilização da remuneração da caderneta de poupança para correção monetária das condenações da Fazenda Pública, determinando a aplicação do IPCA-E para tal finalidade, e a...
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- Parties
- Recorrente: Fundo Único de Previdência Social do Estado Do Rio De Janeiro; Recorrida: autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 April 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decidido (pedido Negado)
- Outcome
- Recurso especial não provido (nego provimento ao recurso especial)
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros Moratórios, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Revisão De Pensão Previdenciária, Modulação De Efeitos, Precatórios
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Parties
Fundo Único de Previdência Social do Estado Do Rio De Janeiro
Recorrente
autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decidido (pedido Negado)
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação da Lei 11.960/2009, às condenações da Fazenda Pública
- 2 Determinação do índice de correção monetária aplicável (IPCA-E vs. remuneração da caderneta de poupança)
- 3 Incidência de juros de mora e períodos de aplicação de índices
Ratio Decidendi
O recurso foi negado provimento porque o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Tema 810 (RE 870.947/SE), declarou inconstitucional a utilização da remuneração da caderneta de poupança para correção monetária das condenações da Fazenda Pública, determinando a aplicação do IPCA-E para tal finalidade, e a jurisprudência do STJ (REsp 1.495.146/MG - Tema 905) consolidou a incidência do art. 1º-F apenas quanto aos juros de mora em determinadas condenações, não legitimando o pleito recursal pela aplicação distinta pretendida pelo recorrente.
Court Disposition
Recurso especial não provido (nego provimento ao recurso especial)
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado Do Rio De Janeiro, com base no art. 105, III,a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado (fls. 448/449): Direito processual civil. Constitucional e Administrativo. Cobrança de Benefício Previdenciário. Parcelas pretéritas à data da revisão administrativa da pensão previdenciária percebida pela autora. Benefício de pensão por morte que deve ser igual ao valor dos proventos do servidor falecido - Art. 40, parágrafo 5º, da CRFB. Requisitos para a concessão da pensão atendidos antes da publicação da EC 41/03, devendo ser observadas as regras constitucionais vigentes à época da sua concessão. Art. 40, parágrafo 7º da Constituição Federal, com redação determinada pela EC 20/98, na forma do art. 3º, caput e parágrafo 2º da EC 41/03. Verbete Sumular nº 68 do TJRJ. A própria administração reconheceu o direito à revisão do benefício, constando de fls. 102 o documento de atualização de pensão; e de fls. 105, o cálculo dos atrasados relativos ao ano de 2009, no valor de R$3672,00, que foi quitado em setembro de 2009 (fls. 291), mês a partir do qual foi regularizado o pensionamento, na forma requerida, razão pela qual não há que se falar em prescriçãoquinquenal. Juros e correção monetária devidamente aplicados. Desprovimento do recurso. Opostos embargos de declaração foram rejeitados (fls. 503/517). A parte recorrente aponta violação aos arts.1º-F da Lei nº 9.494/1997, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009 e 926 do CPC, pretendendo, em síntese, a aplicação dosíndices oficiais de remuneração básica aplicados à caderneta de poupança como correção monetária às dívidas da ação em curso, até a sua inscrição em precatório(fl. 541). A Vice-Presidência do Tribunal local determinou o sobrestamento do recurso especial, ante a afetação do Tema 905/STJ (fls. 609/610). Após o julgamento do Tema 905/STJ, o órgão colegiado proferiu nova decisão em juízo de retratação, cuja ementa dispõe(fls. 663/664): Juízo de Retratação. Recurso Extraordinário e Especial. Artigo 1.030, II do CPC. Repercussão Geral. Recursos Repetitivos. Direito processual civil. Constitucional e Administrativo. Cobrança de Benefício Previdenciário. Parcelas pretéritas à data da revisão administrativa da pensão previdenciária percebida pela autora. Condenação do Réu ao pagamento das prestações vencidas. Entendimento desta Câmara em divergência com as teses fixadas no julgamento dos Temas nº 810 do STF, 491, 492 e 905 do STJ. Exercício do Juízo de Retratação. Orientação do STF, ao apreciar o Tema nº 810 (RE nº 870.947/SE) sob a sistemática da repercussão geral, pela fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança, entendendo inconstitucional a utilização de tal parâmetro para a correção monetária. Entendimento do STJ (Temas nº 491 e 492, REsp nº 1.205.946/SP) no sentido de que a Lei nº 11.960/2009 tem aplicação imediata aos processos em curso quando de sua vigência, sem aplicação retroativa, regendo-se a correção monetária e os juros dos períodos pretéritos pela legislação então vigente. Restou fixada, ainda, a tese, pelo STJ, quanto ao Tema nº 905 (REsp nº 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS), de que o artigo 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração dacaderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. Determinação de incidência de juros de mora e correção monetária, sendo "(a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora:0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E". Acórdão pela aplicação do artigo 406 do Código Civil de 2002, com expressa remissão ao CTN quanto aos juros moratórios, fixando a taxa de 1% (um por cento) ao mês às condenações da Fazenda Pública. Adequação do julgado às matérias pacificada pelo STF e pelo STJ que se impõe, para que incidam juros de mora no percentual de 0,5% a partir de 30.06.2009 até julho/2009, quando passarão a incidir conforme a remuneração oficial da caderneta de poupança. Reforma parcial do acórdão em sede de juízo de retratação. Opostos embargos de declaração foram rejeitados (fls. 718/729). A Vice-Presidência do Tribunal local, então, admitiu o recurso especial (fls. 775/785). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. O inconformismo não comporta acolhida. Com efeito, oSupremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina"; estabeleceu, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. Acrescente-se, ainda, que o pedido de modulação dos efeitos do referido julgado restou rechaçado pela Suprema Corte no julgamento dos embargos declaratórios opostos contra o acórdão proferido no aludido recurso paradigmático. A propósito, confira-se a respectiva ementa: QUATRO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS DE FUNDAMENTAÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO. REQUERIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS INDEFERIDO. 1. O acórdão embargado contém fundamentação apta e suficiente a resolver todos os pontos do Recurso Extraordinário. 2. Ausentes omissão, contradição, obscuridade ou erro material no julgado, não há razão para qualquer reparo. 3. A respeito do requerimento de modulação de efeitos do acórdão, o art. 27 da Lei 9.868/1999 permite a estabilização de relações sociais surgidas sob a vigência da norma inconstitucional, com o propósito de prestigiar a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima depositada na validade de ato normativo emanado do próprio Estado. 4. Há um juízo de proporcionalidade em sentido estrito envolvido nessa excepcional técnica de julgamento. A preservação de efeitos inconstitucionais ocorre quando o seu desfazimento implica prejuízo ao interesse protegido pela Constituição em grau superior ao provocado pela própria norma questionada. Em regra, não se admite o prolongamento da vigência da norma sobre novos fatos ou relações jurídicas, já posteriores à pronúncia da inconstitucionalidade, embora as razões de segurança jurídica possam recomendar a modulação com esse alcance, como registra a jurisprudência da CORTE. 5. Em que pese o seu caráter excepcional, a experiência demonstra que é próprio do exercício da Jurisdição Constitucional promover o ajustamento de relações jurídicas constituídas sob a vigência da legislação invalidada, e essa CORTE tem se mostrado sensível ao impacto de suas decisões na realidade social subjacente ao objeto de seus julgados. 6. Há um ônus argumentativo de maior grau em se pretender a preservação de efeitos inconstitucionais, que não vislumbro superado no caso em debate. Prolongar a incidência da TR como critério de correção monetária para o período entre 2009 e 2015 é incongruente com o assentado pela CORTE no julgamento de mérito deste RE 870.947 e das ADIs 4357 e 4425, pois virtualmente esvazia o efeito prático desses pronunciamentos para um universo expressivo de destinatários da norma. 7. As razões de segurança jurídica e interesse social que se pretende prestigiar pela modulação de efeitos, na espécie, são inteiramente relacionadas ao interesse fiscal das Fazendas Públicas devedoras, o que não é suficiente para atribuir efeitos a uma norma inconstitucional. 8. Embargos de declaração todos rejeitados. Decisão anteriormente proferida não modulada. RE 870947ED-segundos / SE - SERGIPE SEGUNDOS EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. LUIZ FUX Relator(a) p/ Acórdão: Min. ALEXANDRE DE MORAES Julgamento: 03/10/2019 Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça restou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/2/2018, DJe 2/3/2018, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica prefixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1495146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 02/03/2018) ANTE O EXPOSTO, nego provimentoao recurso especial. Publique-se.