REsp 1923137 - DECISAO
Conheceu‑se parcialmente do recurso especial e deu‑lhe provimento para determinar o cômputo da correção monetária e dos juros moratórios segundo a natureza da condenação: até julho/2001 juros de mora de 1% ao mês e índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal (com IPCA-E a partir de jan/2001); agosto/2001 a...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PARANÁ; Recorrido: FASPM
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Provimento
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e dou-lhe provimento
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Repetição De Indébito Tributário, Taxa Judiciária, Fundos Públicos (funjus), Coisa Julgada, Constitucionalidade Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997
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Parties
ESTADO DO PARANÁ
Recorrente
FASPM
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento Parcial E Provimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 às condenações da Fazenda Pública
- 2 Índices de correção monetária e juros moratórios conforme natureza da condenação
- 3 Competência do Estado para instituir contribuição médico-hospitalar/odontológica
Ratio Decidendi
Conheceu‑se parcialmente do recurso especial e deu‑lhe provimento para determinar o cômputo da correção monetária e dos juros moratórios segundo a natureza da condenação: até julho/2001 juros de mora de 1% ao mês e índices do Manual de Cálculos da Justiça Federal (com IPCA-E a partir de jan/2001); agosto/2001 a junho/2009 juros de mora de 0,5% ao mês e correção pelo IPCA-E; a partir de julho/2009 juros conforme remuneração da caderneta de poupança e correção pelo IPCA-E; além disso, manteve o entendimento de que verba recolhida ao FUNJUS não se confunde com o Poder Executivo estadual, sendo obstada revisão pela Súmula 280 do STF, e considerou a jurisprudência do STF e do STJ sobre a...
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e dou-lhe provimento
Orders
- Determinar o cômputo da correção monetária e dos juros moratórios da seguinte forma: até julho/2001: juros de mora de 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária pelos índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001.
- Determinar o cômputo da correção e juros para o período agosto/2001 a junho/2009: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO PARANÁ, com respaldo naalínea"a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça daquela unidade da Federaçãoassim ementado (e-STJ fl. 106): MILITAR LEIS ESTADUAIS, Nº 6.417/1973 E Nº 14.605/2005 ART. 1º DO DECRETO Nº 20.910/1932 LEI ESPECIAL QUE DERROGA LEI GERAL INCOMPETÊNCIA DO ESTADO PARA INSTITUIR CONTRIBUIÇÃO A ESSE TITULO ARTIGO 149, §1º, DA CF/88 POSSIBILIDADE DE INSTITUIÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE PELO ESTADO DE POEMA COMPLEMENTAR RESTITUIÇÃO DEVIDA CUSTAS PROCESSUAIS (FUNJUS) DEVIDAS PELO ESTADO INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGISLATIVA SOBRE A ISENÇÃO DO PAGAMENTO DO FUNJUS ISENÇÃO ADSTRITA AO FUNREJUS INOCORRÊNCIA DE CONFUSÃO ENTRE O SUJEITO ATIVO E PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA FUNDO DA JUSTIÇA CRIADO COM AUTONOMIA FINANCEIRA E ADMINISTRATIVA QUE NÃO SE CONFUNDE COM O PODER EXECUTIVO ESTADUAL SENTENÇA REFORMADA, DE OFÍCIO, NO TOCANTE Á TAXA DE JUROS E AO INDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA REEXAME NECESSÁRIO RESSALVA AO PERÍODO DE GRAÇA CONSTITUCIONAL APELOS 01 E 02 DESPROVIDOS. Rejeitados os aclaratórios (e-STJ fls. 159/168 e 181/183). Nas suas razões, a parte recorrente apontaviolação dos arts. 475, 512,515 do CPC/173, 1º-Fda Lei n. 9.494/1997 e 381 do Código Civil. Sustentaocorrência dereformatio in pejus eimpossibilidade de alteração dos índices de juros e correção monetária de ofício. Defendeque " .. a correção monetária seja calculada no período entre 30.06.2009 até 25.03.2015, na forma do art. 1º-F, Lei 9.494/97 (c/ redação da 11.960/09), isto é, mediante a aplicação do índice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança (TR), e após pelo IPCA-E. Já quanto aos juros, estes devem ser aplicados segundo os índices oficiais aplicados à poupança"(e-STJ fl. 1.194). Aduz, ao fim, existência de confusão no tocante à taxa judiciária devida. Juízo de retratação por acórdão assim sintetizado(e-STJ fl. 267): REEXAME DE ACÓRDÃO - APELAÇÃO CÍVEL SERVIDOR PÚBLICO AÇÃO DE COBRANÇA DESCONTO COMPULSÓRIO A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO MÉDICO-HOSPITALAR E ODONTOLÓGICA FASPM REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO FIXAÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA E DOS JUROS MORATÓRIOS,NOS TERMOS DECIDIDOS NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 870.947/SE(TEMA 810/STF) E NO RECURSO ESPECIAL Nº 1.495.146/MG (TEMA 905/STJ) JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO ACÓRDÃO MODIFICADO. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 306/307. Passo a decidir. No tocante ao tributo estadual questionado,o aresto hostilizado entendeu que "a taxa judiciária é recolhida em favor do FUNJUS (Fundo da Justiça), órgão dotado de personalidade jurídica e com escrituração contábil própria, não estando vinculado ao Poder Executivo Estadual, conforme artigo 10 da Lei 15.942/08" (e-STJ fl. 133). Assim, a revisão das razões de decidir do acórdão recorrido, nesse aspecto, encontra óbice na Súmula 280 do STF. Quanto ao mais,a Corte Especial do STJ, ao julgar o REsp 1.205.946/SP, na sistemática do art. 543-C do CPC/1973, em 19/10/2011, reiterou a "natureza eminentemente processual das normas que regem os acessórios da condenação, para permitir que a Lei n. 11.960/2009 incida de imediato aos processos em andamento, sem, contudo, retroagir a período anterior à sua vigência", consoante se infere do precedente abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. LEI 11.960/2009, QUE ALTEROU O ARTIGO 1º-F DA LEI 9.494/97. NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO QUANDO DA SUA VIGÊNCIA. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. 1. A Corte Especial do STJ, ao julgar o REsp 1.205.946/SP, na sistemática do art. 543-C do CPC, em 19.10.2011, reiterou a "natureza eminentemente processual das normas que regem os acessórios da condenação, para permitir que a Lei 11.960/2009 incida de imediato aos processos em andamento, sem, contudo, retroagir a período anterior à sua vigência". 2. A aplicação da Lei 11.960/09 não implica violação da coisa julgada, pois esta "deve ser aplicada de imediato aos processos em curso, em relação ao período posterior à sua vigência, até o efetivo cumprimento da obrigação, em observância ao princípio do tempus regit actum." (EDcl no REsp 1.205.946/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe 26/10/2012). 3. Recurso Especial provido. (REsp 1.643.290/RS, rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 19/4/2017). Tal entendimento há de ser aplicado em consonância com a interpretação dada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral (RE 870.947/SE), ao fixar a seguinte tese: O art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CFRB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. Esse posicionamento foi mantido pela Suprema Corte, sem modulação, quando do julgamento dos embargos de declaração, em 3 de outubro de 2019. De outro lado, a Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.495.146/MG - realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos (Tema 905) -, pacificou o entendimento sobre a aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 (com redação dada pela Lei n. 11.960/2009) às condenações impostas à Fazenda Pública. A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. " TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1. Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. " SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 02/03/2018). (Grifos acrescidos). Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I e III, do RISTJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, DOU-LHE PROVIMENTO para determinar o cômputo da correção monetária e dos juros moratórios da seguinte forma:(a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. Publique-se. Intimem-se.