REsp 1896025 - ACORDAO
As alterações introduzidas no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 pela MP n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009 têm caráter processual e, portanto, aplicação imediata aos processos em curso; por conseguinte, as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos devem ter os encargos (juros de mora e...
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- Parties
- Recorrente: Fazenda do Estado de São Paulo; Recorrida: Servidora pública (autora)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial Pela Segunda Turma
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Servidor Público, Aplicação Imediata Da Lei Nova, Índices De Correção Monetária
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Parties
Fazenda do Estado de São Paulo
Recorrente
Servidora pública (autora)
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial Pela Segunda Turma
Legal Issues
- 1 Aplicação imediata das alterações do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 introduzidas pela MP n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009 aos processos em curso
- 2 Índices e critérios de juros de mora e correção monetária aplicáveis às condenações contra servidores e empregados públicos
- 3 Incidência do entendimento do STF no RE 870.947/SE sobre distinção entre débitos tributários e não-tributários
Ratio Decidendi
As alterações introduzidas no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 pela MP n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009 têm caráter processual e, portanto, aplicação imediata aos processos em curso; por conseguinte, as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos devem ter os encargos (juros de mora e correção monetária) aplicados conforme os períodos e índices fixados no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.495.146/MG, razão pela qual o recurso especial da Fazenda do Estado de São Paulo foi provido determinando a aplicação desses índices.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Determinar a aplicação dos índices de correção monetária e juros de mora na forma estabelecida no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.495.146/MG
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a). Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães, Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. CONDENAÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA.CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. LEI NOVA. APLICAÇÃO IMEDIATA. ÍNDICES:RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1.É assente nesta Corte Superior o entendimento de que as alterações do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009, têm aplicação imediata aos processos em curso, por se tratar de uma norma de natureza processual. 2. A Primeira Seção desta Corte Superior, reexaminando a questão relativa à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação dada pela Lei n. 11.960/2009, após a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, estabeleceu que as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos se sujeitam aos seguintes encargos: "(a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E." 3. Recurso especial a que se dá provimento.
RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda do Estado de São Paulo, com amparo na alínea ado permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça local assim ementado: SEXTA-PARTE. Servidora submetida ao regime da Lei 500174. Pretensão de reconhecimento do direito à sexta-parte. Extinção do feito por ausência de interesse de agir. Adequação da via processual eleita. Julgamento do mérito, nos termos do art. 515, § 3º, do CPC.Vantagem devida por força do artigo 129 da Constituição do Estado, que não faz qualquer distinção quanto ao regime jurídico dos servidores. Procedência da demanda. Recurso da autora provido. Os embargos de declaração opostos foram acolhidos, tendo o Colegiado afirmado a inaplicação, ao caso, do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 com a redação dada pela Lei n. 11.960/2009. A recorrente aponta violação dos arts. 126, 462 e 515 do CPC; e 1º-F da Lei n. 9.494/1997. Defende que,"a partir de 30 de junho de 2009 (data da publicação e vigência da Lei Federal n. 11.960/2009), a Fazenda do Estado de São Paulo apenas poderá ser condenada judicialmente a aplicar uma única vez, para fins de correção monetária, remuneração do capital e compensação da mora, os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, previstos na Lei Federal n. 8.177/91" (e-STJ, fl. 148). Contrarrazões às e-STJ, fls. 153-156. É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. CONDENAÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA.CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. LEI NOVA. APLICAÇÃO IMEDIATA. ÍNDICES:RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1.É assente nesta Corte Superior o entendimento de que as alterações do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009, têm aplicação imediata aos processos em curso, por se tratar de uma norma de natureza processual. 2. A Primeira Seção desta Corte Superior, reexaminando a questão relativa à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação dada pela Lei n. 11.960/2009, após a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, estabeleceu que as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos se sujeitam aos seguintes encargos: "(a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E." 3. Recurso especial a que se dá provimento. VOTO Tem-se, na origem, ação ordinária ajuizada por servidora pública pretendendo o recebimento de vantagem remuneratória. O Tribunala quo, reformando a sentença que extinguiu o processo sem julgamento do mérito, reconheceu o direito à verba, fixando o seguinte (e-STJ, fl. 116): Assim, julga-se procedente a demanda pela concessão da sexta-parte à autora, desde que completou vinte anos de efetivo exercício, incidindo sobre todas as parcelas que compõem os seus vencimentos, salvo as eventuais, pagando-se as correspondentes diferenças, com correção monetária e juros de mora, estes de seis por cento ao ano a partir da citação, respeitada a prescrição quinquenal, sendo os honorários advocatícios fixados, por equidade, em dez por cento do valor da condenação. No exame dos embargos de declaração opostos pelo ente público, o Colegiado regional fez ainda o seguinte acréscimo (e-STJ, fls. 127-129): Após discussões e debates nesta Câmara, uma nova posição se passa a adotar sobre este tema, coincidente com o entendimento estabelecido pelo STJ, sobre não aplicar aos processos ajuizados anteriormente a inovação trazida pela Medida Provisória nº 2180-35, de 24 de agosto de 2005, justamente sob a forma do mesmo artigo 1º-F da Lei 9494/97, que a nova lei cuidou de alterar. .. E deve ser assim, além de outras possíveis razões, porque não pode a nova lei ser aplicada aos processos já definitivamente julgados, segundo conhecido cânone constitucional, não cabendo, por isso e por atentar contra a própria lógica e caráter instrumental do processo, que dois processos ajuizados na mesma data, com igual objeto, apenas por contingências do funcionamento da máquina judiciária, um alcance coisa julgada antes da nova lei, e por isso imune aos seus efeitos, e o outro depois, por isso se submetendo ao novo comando legal e somente pela contingência do tempo de duração do processo, que não deve, de forma alguma, interferir com o dimensionamento econômico do direito da parte, nem mesmo apenas em termos de correção monetária e juros de mora. A conclusão, portanto, é que o novo comando legal não tem aplicação a este processo. É assente nesta Corte o entendimento de que as alterações do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória n. 2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009, têm aplicação imediata aos processos em curso, por se tratar de uma norma de natureza processual. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO ÍNDICE DE JUROS DE MORA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1997. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não há violação dos arts. 458, II, e 535, II, do CPC/1973, porquanto o acórdão combatido fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada, resolvendo as questões suscitadas pelos recorrentes. 2. É assente nesta Corte o entendimento de que as alterações do art.1º-F da Lei n. 9.494/1997, introduzidas pela Medida Provisória n.2.180-35/2001 e pela Lei n. 11.960/2009, têm aplicação imediata aos processos em curso, por se tratar de uma norma de natureza processual. 3. A posição firmada pela Corte de origem acerca da inexistência de preclusão está em consonância com a jurisprudência desta Corte, de acordo com a qual os índices de correção monetária e juros de mora, por se cuidarem de matéria de ordem pública, podem ser modificados de ofício pelo magistrado. 4. Portanto, o simples fato de o agravado não ter se insurgido quanto aos cálculos na primeira oportunidade não afasta a possibilidade de correção, de ofício, dos juros de mora aplicados pela parte exequente. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.874.050/RS, de minha relatoria, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/11/2020, DJe 1º/12/2020.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.EXECUÇÃO DE SENTENÇA. REAJUSTE DE 28,86%. JUROS MORATÓRIOS.ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO DE CÁLCULO. MP 2.180-35/2001. VIOLAÇÃO DO INSTITUTO DA PRECLUSÃO E COISA JULGADA. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os juros de mora são encargos acessórios da obrigação principal, possuindo caráter eminentemente processual, motivo pelo qual as alterações do art. 1º-F da Lei 9.494/97, introduzidas pela Medida Provisória 2.180-35/2001, têm aplicação imediata a todas as demandas judiciais em trâmite, com base no princípio tempus regit actum, não se sujeitando aos institutos da preclusão e da coisa julgada. Precedentes. 2. "A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.112.746/DF, afirmou que os juros de mora e a correção monetária são obrigações de trato sucessivo, que se renovam mês a mês, devendo, portanto, ser aplicada no mês de regência a legislação vigente. Por essa razão, fixou-se o entendimento de que a lei nova superveniente que altera o regime dos juros moratórios deve ser aplicada imediatamente a todos os processos, abarcando inclusive aqueles em que já houve o trânsito em julgado e estejam em fase de execução. Não há, pois, nesses casos, que falar em violação da coisa julgada." (EDcl no AgRg no REsp 1.210.516/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 25/9/2015). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.341.116/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2020, DJe 1º/10/2020.) No Superior Tribunal de Justiça, consolidou-se o entendimento de que as condenações judiciais referentes a servidores e a empregados públicos se sujeitam aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; e (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. A propósito: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. APOSENTADORIA. PROVENTOS. REAJUSTE. ÍNDICE APLICADO AOS BENEFÍCIOS DO RGPS. JUROS DE MORA. TEMA 905/STJ. TEMA 810/STF. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B, § 3º, DO CPC/1973 (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). I - Na origem, o Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social - SINDPREVS/PR - ajuizou ação civil pública com valor da causa atribuído em R$ 24.901,00 (vinte e quatro mil e novecentos e um reais), em 25/09/2008, objetivando ver declarado o direito dos aposentados e pensionistas, inativos sob a égide da EC nº 41/2003, de terem reajuste periódico de seus proventos pelos mesmos índices aplicados aos aposentados e pensionistas do RGPS, na forma do disposto no art. 40, § 8º, da CF/88 e no art. 15 da Lei nº 10.887/04. II - O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o mérito do RE n.º 870.947/SE, relatado pelo Ministro Luiz Fux, firmou a tese de que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09 (Tema nº 810 da repercussão geral). III - Na esteira desse entendimento, ficou consolidada nesta Corte Superior, no julgamento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 02/03/2018 (Tema 905/STJ), o entendimento no sentido de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. IV - Destaca-se, ainda, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, Rel. Min. LUIZ FUX, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. V - Desse modo, em juízo de retratação, é de rigor a reforma do julgado recorrido, apenas quanto aos juros de mora, para que estes sejam fixados nos moldes do decidido no Recurso Especial Repetitivo nº 1.495.146/MG e do RE nº 870.947/SE. VI - Agravo Regimental provido, em juízo de retratação, para prover parcialmente o Recurso Especial, para que os juros de mora sejam calculados nos termos expostos na fundamentação. Art. 543-b do CPC/1973. (art. 1.040, II, do CPC/2015). (AgRg no REsp 1.239.167/PR, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/11/2020, DJe 20/11/2020.) ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUROS MORATÓRIOS. ART. 1o.-F DA LEI 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. PARADIGMA: QO NO RESP. 1.495.144/RS, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, JULGADO EM 12.8.2015. TEMA 810/STF. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. INOCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp. 1.205.946/SP, representativo de controvérsia, relatado pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES, na sessão de 19.10.11, pacificou o entendimento de que o art. 1o.-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, por se tratar de norma de caráter eminentemente processual, deve ser aplicado de imediato a todas as demandas judiciais em trâmite. 2. A questão em apreço restou consolidada nesta Corte, no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Dje 2.3.2018, onde se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3. Esclarece-se, por oportuno, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, Rel. Min. LUIZ FUX, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. 4. Agravo Regimental do INSS a que se dá parcial provimento. (AgRg no REsp 1.492.381/RS, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 9/6/2020, DJe 23/6/2020.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial,determinando a aplicação dos índices de correção monetária e juros de mora na forma estabelecida no julgamento doRecurso Especial Repetitivo n. 1.495.146/MG. É como voto.