REsp 1916833 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento com fundamento em precedentes do STF (RE 870.947/Tema 810) e do STJ (REsp 1.495.144/RS/Tema 905), no sentido de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica para fins de atualização monetária de condenações impostas à Fazenda Pública previdenciária e...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Do Recurso Especial
- Outcome
- recurso conhecido e parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Ação Acidentária, Recursos Repetitivos, Juros Moratórios
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Parties
INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 índice de correção monetária aplicável a condenações previdenciárias
- 2 constitucionalidade e aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997
- 3 eficácia prospectiva da declaração de inconstitucionalidade e modulação de efeitos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e deu-se-lhe parcial provimento com fundamento em precedentes do STF (RE 870.947/Tema 810) e do STJ (REsp 1.495.144/RS/Tema 905), no sentido de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 não se aplica para fins de atualização monetária de condenações impostas à Fazenda Pública previdenciária e que o índice aplicável a partir de 29/06/2009 é o INPC.
Court Disposition
recurso conhecido e parcialmente provido
Orders
- Acórdão parcialmente reformado
- Mantêm-se os ônus sucumbenciais fixados na origem em razão da sucumbência mínima da parte recorrida
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto peloINSS,com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição da República,contra acórdão do Tribunal de Justiça Estadual,assim ementado (e-STJ fl. 143): ACIDENTÁRIA - APELAÇÃO INTERPOSTA PELO INSS - AUTOS DIGITAIS - APLICAÇÃO DO PROVIMENTO 2090/2013 DO CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA - ALTERAÇÃO NO TERMO INICIAL DO BENEFICIO - REDUÇÃO DA VERBA HONORÁRIA - ADOÇÃO DO INPC PARA CORREÇÃO DOS ATRASADOS - INADMISSIBILIDADE. ACIDENTÁRIA - CONDIÇÕES AGRESSIVAS - LER/DORT EM MEMBROS SUPERIORES - LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO - INCAPACIDADE PARCIAL E PERMANENTE E NEXO CAUSAL RECONHECIDOS - SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA - BENEFÍCIO DEVIDO A PARTIR DO DIA SEGUINTE À ALTA MÉDICA FUTURA - REEXAME NECESSÁRIO - TERMO INICIAL FIXADO A PARTIR DO DIA SEGUINTE À CESSAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA - ADEQUAÇÃO COM RELAÇÃO À FIXAÇÃO DOS JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA - SENTENÇA MANTIDA COM OBSERVAÇÃO. Recurso do INSS desprovido e, sentença mantida com observação, em sede de reexame necessário. Os embargos de declaração foram rejeitados(e-STJ fl. 168). Devolvidos os autos ao Órgão julgador para que pudesse exercer o juízo de retratação, este procedeu à sua adequação em parte,nestes termos (e-STJ fl. 202): AÇÃO ACIDENTÁRIA REEXAME EM RECURSO REPETITIVO, NOS TERMOS DO ART. 1.040, "CAPUT", INC. II, DO CPC CORREÇÃO MONETÁRIA INCIDÊNCIA DO "INPC" ATÉ 29.06.2009 E, A PARTIR DE ENTÃO, DO "IPCA-E", CONSOANTE ENTENDIMENTO DO STJ, FIXADO NO JULGAMENTO DO TEMA 905, BEM COMO DO STF, FIXADO NO JULGAMENTO DO TEMA 810. Acórdão parcialmente reformado. Nas razões do recurso especial orecorrente apontaviolação dos arts. 27 da Lei 9.868/1999;31 da Lei 10.741/2003; 41-A da Lei 8.213/1991,com redação dada pela Lei11.430/06;e1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, sob os seguintesargumentos: a) é pacifico o entendimento de que após o ano de 2006 o índice de correção monetária para pagamento dos débitos previdenciários em atraso a ser utilizado é o INPC a partir do advento da Lei 10.741/03, bem como a TR a partir da Lei 11.960/2009, não havendo suporte legal para a utilização do IGP-DI para a atualização do débito após dezembro/2006; e b) de rigor a incidência imediata da Lei 11.960/2009 no tocante também à correção monetária das parcelas em atraso, não havendo qualquer razão para a não utilização da referida norma. Contrarrazões apresentadas (e-STJ fls. 187-191). Juízo positivo de admissibilidade às e-STJ fls. 211-212. É o relatório. Passo a decidir. O recurso merece prosperar em parte. No que pertine ao índice de correção monetária, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 870.947/SE, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe de 20/11/2017), em sede de Repercussão Geral, decidiu que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (redação dada pela Lei11.960/2009) é constitucional quanto aos juros moratórios incidentes sobre condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, devendo ser observados os critérios fixados pela legislação infraconstitucional, notadamente os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. O julgado esta assim ementado: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA FAZENDA PÚBLICA.ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VIOLAÇÃO AO DIREITO FUNDAMENTAL DE PROPRIEDADE (CRFB, ART. 5º, XXII). INADEQUAÇÃO MANIFESTA ENTRE MEIOS E FINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DO RENDIMENTO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO ÍNDICE DEFINIDOR DOS JUROS MORATÓRIOS DE CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA, QUANDO ORIUNDAS DE RELAÇÕES JURÍDICO-TRIBUTÁRIAS. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA E VIOLAÇÃO À ISONOMIA ENTRE DEVEDOR PÚBLICO E DEVEDOR PRIVADO (CRFB, ART. 5º, CAPUT). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial, revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, os quais devem observar os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito; nas hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal supramencionado. 2. O direito fundamental de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no art. 1ºF da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, porquanto a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A correção monetária tem como escopo preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária, enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A inflação, por representar o aumento persistente e generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a correspondência entre valores real e nominal (cf. MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC 2010, p. 94; DORNBUSH, R.;FISCHER, S. e STARTZ, R. Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2009, p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 2006, p. 29). 4. A correção monetária e a inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem, por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar a segunda, razão pela qual os índices de correção monetária devem consubstanciar autênticos índices de preços. 5. Recurso extraordinário parcialmente provido. (RE 870.947, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe 17/11/2017). Cabe anotar, por fim, que o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 870.947/SE, submetido ao rito da Repercussão Geral (Tema 810/STF), onde, por maioria, rejeitou todos os embargos de declaração e não modulou os efeitos da decisão anteriormente proferida no referido leading case, conferindo eficácia prospectiva à declaração de inconstitucionalidade do índice previsto no artigo 1º-F da Lei 9.494/1997, consoante acórdão publicado no DJe de 18/10/2019. Dessa forma, prevaleceu o seguinte entendimento: "I - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; II - O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina" Nesse ínterim, a Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.495.144/RS, representativo da controvérsia,assentou as seguintes diretrizes quanto à aplicabilidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009, em relação às condenações impostas à Fazenda Pública: .. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. Como já mencionado, o art. 1º-F da Lei 9.494/97, para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, o que impede, evidentemente, a sua utilização para fins de atualização monetária de condenações de natureza previdenciária, impondo-se a adoção dos seguintes critérios. Assim, resume-se os índices aplicáveis: - Até a vigência da Lei 11.430/2006: correção monetária pelos Índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. (De maio/96 a agosto/2006 IGP-DI MP n. 1415, de 29.04.96 e Lei n. 10.192, de 14.2.2001) - Período posterior à vigência da Lei 11.430/2006 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: correção INPC. -Período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: correção monetária pelo INPC. Assim, o índice de correção monetária a ser aplicado a partir de 29 de junho de 2009 é o INPC conforme orientação firmada no REsp 1.495.144/RS, julgado sob o rito dos recursos especiais repetitivos. Ante o exposto, conheçodo recurso especial edou-lhe parcial provimento. Em virtude da permanência da sucumbência mínima da parte recorrida, mantém-se os ônus sucumbenciais fixados na origem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL.AÇÃO ACIDENTÁRIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ADEQUAÇÃO AO RESP 1.495.146/MG (TEMA 905), JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS.RECURSO CONHECIDOEPARCIALMENTE PROVIDO.