REsp 1902539 - DECISAO
Por se tratar de condenação de natureza previdenciária, deve ser aplicada a correção monetária pelo INPC a partir da vigência do art. 41-A da Lei 8.213/1991 (Lei 11.430/2006), sem a limitação temporal imposta pelo Tribunal de origem; os juros de mora incidem conforme a remuneração da caderneta de poupança nos termos...
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- Parties
- Autora/recorrente: KELY CRISTINA RIBEIRO DA SILVA; Réu/recorrido: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito (recurso Especial Parcialmente Provido)
- Outcome
- recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Correção Monetária, Índices De Atualização (inpc, IPCA E), Juros De Mora, Aplicação De Leis 11.430/2006 E 11.960/2009, Repetitivos (tema 905, Tema 810)
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Parties
KELY CRISTINA RIBEIRO DA SILVA
Autora/recorrente
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Réu/recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito (recurso Especial Parcialmente Provido)
Legal Issues
- 1 Índice aplicável à correção monetária de benefícios previdenciários (INPC vs IPCA-E)
- 2 Incidência do INPC a partir da vigência do art. 41-A da Lei 8.213/1991 (Lei 11.430/2006) sem limitação temporal
- 3 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) quanto aos juros de mora
Ratio Decidendi
Por se tratar de condenação de natureza previdenciária, deve ser aplicada a correção monetária pelo INPC a partir da vigência do art. 41-A da Lei 8.213/1991 (Lei 11.430/2006), sem a limitação temporal imposta pelo Tribunal de origem; os juros de mora incidem conforme a remuneração da caderneta de poupança nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 com redação da Lei 11.960/2009; o precedente do STF sobre IPCA-E (RE 870.947/SE) tratou de benefício assistencial e, por isso, não se aplica ao caso concreto.
Court Disposition
recurso especial parcialmente provido
Orders
- Dou parcial provimento ao recurso especial da parte autora, a fim de reconhecer a incidência do INPC na correção monetária desde a Lei n. 11.430/2006 sem a limitação temporal imposta pelo Tribunal de origem
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por KELY CRISTINA RIBEIRO DA SILVA, com respaldo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (e-STJ fl. 54): AGRAVO DE INSTRUMENTO - Reexame da matéria, nos termos do art. 1.040, II, do novo Código de Processo Civil Correção monetária dos débitos de natureza previdenciária Incidência do INPC no que se refere ao período posterior à vigência da Lei nº 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A, na Lei nº 8.213/91, e emprego dos juros de mora segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, nos moldes do art. 1º-F, da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09 Desnecessidade de reapreciação da segunda questão trazida à lume, uma vez que ela não foi tratada pelo v. acórdão Afastamento da TR na atualização do débito judicial Incidência imediata do IPCA-e desde a data da conta de liquidação Inteligência do entendimento adotado pelo Plenário do Col. STF ao considerar empregável esse índice desde junho de 2009 em diante para a atualização dos débitos judiciais das Fazendas Públicas, rejeitando, por maioria de votos, todos os "embargos de declaração" opostos ao aresto prolatado no RE nº 870.947/SE, referente ao aludido Tema 810 da Repercussão Geral Alteração do posicionamento anteriormente adotado no v. acórdão, provido o recurso. Em suas razões, a parte autoraaponta, além de dissídio jurisprudencial,violação doart.31 da Lei n. 10.741/2003, do art. 41-A da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.430/2006, e do art. 175 do Decreto n. 3.048/1999, postulando, em síntese, que seja aplicado o INPC desde 2004 na correção monetária das parcelas devidas e os juros de mora a 12% ao ano. Sem contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 62/63. Passo a decidir. Razão assiste, em parte, à autora. Registro que esta relatoria vinha considerando que o Tribunal de origem estaria decidindo de acordo com a orientação jurisprudencial das Cortes Superiores. No entanto, após nova reflexão sobre a matéria, verifico que o pedido formulado pelo INSS merece ser acolhido em parte. É que o acórdão do TJ/SP tem se baseado na repercussão geral do STF para fixar o IPCA-E como índice da correção monetária de benefício regido pela Lei n. 8.213/1991 no período posterior à entrada em vigor da Lei n. 11.960/2009, declarada inconstitucional no tocante à atualização monetária. Ocorre que o julgado em repercussão geral (RE 870.947/SE-RG) não tratou de benefício previdenciário, mas sim assistencial, mostrando-se, por isso, inaplicável ao caso concreto. Com efeito, no julgamento do Tema 905 do STJ (Recursos Especiais 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS), a Primeira Seção firmou a compreensão de que, em se tratando de causas previdenciárias, as condenações impostas à Fazenda Pública, para efeito de correção monetária, sujeitam-se à incidência do INPC a partir da vigência do art. 41-A da Lei n. 8.213/1991, com a redação incluída pela Lei n. 11.430/2006. Impende ressaltar que o INPC aplica-se sem a limitação temporal dada pelo Tribunal de origem, ou seja, deve incidir inclusive no período posterior à entrada em vigor da Lei n. 11.960/2009, de acordo com os julgados repetitivos. E nos períodos anteriores à entrada em vigor da Lei n. 11.430/2006, incidem os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Quanto aos juros de mora, estes devem continuar a observar a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009), independentemente de quaissejam os períodos a que se referirem os débitos de natureza previdenciária, conforme o decidido no Tema 810 do STF. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. (..) 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). (..) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 20/03/2018) (Grifos acrescidos). Desse modo, uma vez que a autorainterpôs o apelo nobre postulando que a correção monetária observasse o INPC a contar de 2004 e os juros de mora fixados em 12%, é mister reconhecer seu parcial acolhimento. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, II e III, do RISTJ, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial da parte autora, a fim de reconhecer a incidência do INPC na correção monetária desde a Lei n. 11.430/2006 sem a limitação temporal imposta pelo Tribunal de origem, nos termos do julgado repetitivo (Tema 905/STJ). Publique-se. Intimem-se.