REsp 1968373 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se provimento para estabelecer que, em condenações judiciais de natureza previdenciária, a correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006; não se constatou omissão nos...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrido: obreiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (ação Acidentária) / Julgamento (recurso Especial)
- Outcome
- Recurso especial da autarquia federal parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido.
- Legal Topics
- Correção Monetária, Juros De Mora, Recursos Repetitivos, Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, Tema 905/stj
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
obreiro
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (ação Acidentária) / Julgamento (recurso Especial)
Legal Issues
- 1 alegada violação do art. 535 do CPC/1973 (omissão)
- 2 aplicação do INPC para atualização de condenações previdenciárias após a Lei 11.430/2006
- 3 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 às condenações da Fazenda Pública
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, deu-se provimento para estabelecer que, em condenações judiciais de natureza previdenciária, a correção monetária das parcelas em atraso deve ser efetuada pelo INPC no período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006; não se constatou omissão nos termos do art. 535 do CPC/1973.
Court Disposition
Recurso especial da autarquia federal parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido.
Orders
- Dar provimento parcial ao recurso para determinar que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC a partir da entrada em vigor da Lei 11.430/2006.
- Publicar-se e proceder às intimações necessárias.
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA. CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RECURSOS ESPECIAIS 1.495.144/RS, 1.495.146/MG E 1.492.221/PR. TEMA 905/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. AP LICAÇÃO DO INPC A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.430/2006. RECURSO ESPECIAL DA AUTARQUIA FEDERAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PROVIDO. 1. Trata-se de recurso especial interposto por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a , da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL Acidentária Embargos à execução Alegação da existência de excesso na conta de liquidação apresentada pelo obreiro Utilização incorreta do salário-de-benefício do auxílio-acidente e desrespeito à prescrição quinquenal anotado no acórdão Concordância implícita do INSS Atualização do débito questionada em sede recursal Matéria não objeto dos embargos Embargos julgados parcialmente procedentes Apelo do embargante Decisão mantida Recurso não provido(fls. 153/157). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 171/174). 3. Nas razões do seu recurso especial (fls. 184/196), a parte recorrente sustenta violação do art. 535 do CPC/1973, do art. 31 da Lei 10.741/2003, do art. 41-A da Lei 8.213/1991, do art. 5º da Lei 11.960/2009 e do art. 1º-F da Lei 9.494/1997. Argumenta, para tanto: (a) negativa de prestação jurisdicional; (b) deve ser utilizado, para a atualização do débito, o INPC a partir do advento da Lei 10.741/2003 até a edição da Lei 11.960/2009; e (c) a partir da vigência da Lei 11.960/2009, o débito deve ser corrigido pela Taxa Referencial, e não pelos índices IGP-DI e IPCA-E, como foi determinado pelo Tribunal de origem. 4. Devidamente intimada , a parte recorrida deixou de apresentar as contrarrazões (fls. 210). 5. Os autos foram devolvidos à Turma Julgadora para eventual juízo de retratação, considerando o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905/STJ. 6. O acórdão foi parcialmente reformado, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL Acidentária. Reexame da matéria, nos termos do art. 1.040, II, do novo Código de Processo Civil Correção monetária dos débitos de natureza previdenciária Incidência do INPC no que se refere ao período posterior à vigência da Lei nº 11.43012006, que incluiu o art. 41-A, na Lei nº 8.213/91, e emprego dos juros de mora segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança Reanálise, nos moldes também do art. 1.040, I1, do novo Código de Processo Civil, do critério de correção monetária e dos juros moratórios à luz do RE nº 870.947/SE Aplicação imediata da Lei nº 11.960109 Desnecessidade da reapreciação dessas questões, uma vez que elas não foram tratadas no aresto Manutenção do entendimento anteriormente adotado no v. acórdão(fls. 223/226). 7. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 234/235). 8. É o relatório. 9. A irresignação merece parcial acolhimento. 10. Nos termos do que decidido pelo P lenário do STJ, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Enunciado Administrativo 2). 11. I nexiste a alegada violação do art. 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015), pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de qualquer erro, omissão, contradição ou obscuridade. Observe-se, ademais, que julgamento diverso do pretendido, como na espécie, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. 12. Quanto aos consectários legais da condenação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos REsps 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, Tema 905/STJ, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou pagamento do precatório. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ (REsp 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/ 2/2018, DJe 20/3/2018). 13. No caso dos autos, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema: Não vislumbro a ocorrência dos vícios apontados pelo embargante em suas razões recursais, pois a fundamentação do aresto de fis. 1801185 assentou claramente como os juros de mora e a . correção monetária deveriam incidir na espécie. Neste sentido é que - o- acórdão, considerando a circunstância de que o termo inicial do benefício era 10.12.2006, ordenou a aplicação dos índices de atualização monetária salientados no julgado até a entrada em vigor da Lei nº 11.960/09. Além disso, ainda que no julgamento das ADIs nos 4.357. e 4.425 tenham sido declarados inconstitucionais a expressão "índice oficial de remuneração básica da caderneta de poupança constante no § 12, do art. 100, da Constituição Federal, e em parte, por arrastamento, o art. 1. q- F, da Lei no 9.494197, com a redação dada pelo art. 51, da Lei no 11.960109, esta Col. Câmara, ao contrário do ainda aventado pela autarquia; tem r mantido a aplicação desta última lei com base em despacho proferido pelo Min. Luiz Fux na ADI no 4.357 até que haja a modulação dos efeitos daquela decisão(fls. 173). 14. Verifico, port anto, que o acórdão recorrido está em dissonância com o atual entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, uma vez que, por se tratar de condenação judicial de natureza previdenciária, a atualização do débito deve se dar pelo INPC, no que se refere ao período posterior à entrada em vigor da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/1991. No período anterior à vigênci a da Lei 11.430/2006, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal. Em relação aos juros de mora, devem incidir segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, consoante o art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com redação dada pela Lei 11.960/2009. 15. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial da autarquia federal e, nessa extensão, dou-lhe provimento, apenas para estabelecer que a correção monetária das parcelas em atraso seja efetuada pelo INPC após a entrada em vigor da Lei 11.430/2006. 16. Publique-se. Intimações necessárias.